O francês Stéphane Maquaire, presidente do Carrefour Brasil, reclamou dos juros elevados no país. Em entrevista à Folha, o executivo revelou que a alta da Selic, de 5,25% quando assumiu a empresa em 2021 para os atuais 14,25%, consome mais de R$ 2 bilhões anuais em pagamento de juros, limitando a expansão da rede.
“São cerca de 30 lojas do Atacadão que deixamos de abrir por ano por causa desse custo”, calculou.
Maquaire mostrou-se incomodado com o cenário econômico implementado pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Enquanto as vendas brutas do grupo cresceram 48% nos últimos três anos, alcançando R$ 120,6 bilhões, o lucro líquido permaneceu estagnado em R$ 2,4 bilhões, pressionado justamente pelos encargos financeiros.
A dívida líquida da empresa aumentou significativamente devido à necessidade de antecipar recebíveis com taxas mais altas. A estratégia do grupo tem sido focar no Atacadão, que hoje responde por 70% das vendas e pode chegar a 80% até 2030.
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Em 2024, a rede fechou 214 lojas (principalmente supermercados) e abriu apenas 33 novas unidades, convertendo hipermercados para o formato atacarejo.
“Uma loja do Atacadão custa mais ou menos R$ 60 milhões, R$ 70 milhões, e gera 250 postos de trabalho. São tantas lojas que não vamos abrir por termos que pagar juros mais altos”, explicou.
Maquaire também falou como a alta do juros afeta diretamente os clientes da rede de supermercados. Para ele, “o brasileiro tem mais restrição para consumir”, devido à essa política monetária.