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MAPA DO BEIJO: COMO DIFERENTES CULTURAS BEIJAM OU NÃO BEIJAM
COMO DIFERENTES CULTURAS BEIJAM OU NÃO BEIJAM
14/04/2025 21h35
Por: Redação Fonte: Jose Carlos

Mapa do beijo: como diferentes culturas beijam (ou não beijam)

O beijo foi popularizado com a cultura ocidental, enquanto alguns povos antigos do oriente demonstravam repulsa com a prática

Estudo publicado em 2015 analisou 168 culturas e descobriu que apenas 46% delas praticavam o beijo românticocrédito: PixaBay

Hoje, 13 de abril, é o Dia do Beijo. Mas apesar da popularidade do beijo romântico na cultura ocidental, ele não é uma prática comum em todas as sociedades. Povos como os Thonga, na África do Sul, e os Mehinaku, no Brasil, reagiram com estranhamento ou repulsa ao ver pela primeira vez os europeus se beijando. Na Melanésia (Oceania), diz-se que os habitantes das Ilhas Trobriand consideravam o beijo "uma forma de diversão um tanto insípida e tola".

Um estudo publicado em 2015 analisou 168 culturas e descobriu que apenas 46% delas praticavam o beijo romântico. Ele é mais comum em sociedades com hierarquias sociais, enquanto caçadores-coletores e comunidades igualitárias tendem a não beijar romanticamente — embora possam demonstrar afeto de outras formas, como mordidas ou carícias. Já em sociedades atuais, cerca de 90% praticam o beijo. 

A origem do beijo romântico é incerta. Pode ter evoluído por motivos biológicos, como testar compatibilidade genética através do paladar, ou a partir da prática de mães alimentarem bebês boca a boca ao regurgitar. Psicólogos evolucionistas e sociais já observaram que chimpanzés e bonobos se beijam — inclusive com a língua. 

O estudo também mostrou que fatores como o clima e o vestuário podem influenciar. Povos em regiões frias, onde o corpo fica mais coberto, podem usar o rosto como principal ponto de contato. Já em regiões tropicais, onde mais pele está à mostra, o beijo pode parecer menos necessário ou relevante.

A pintura 'O beijo' (1907), de Gustav Klimt, retrata amor, intimidade, e sexualidade entre amantes

A referência mais antiga conhecida ao beijo está nos Vedas indiano, uma escritura sânscrita de 3.500 anos. Muitas sociedades clássicas, incluindo a romana, também demonstraram forte afinidade com o beijo.

Por fim, o beijo romântico parece estar ligado ao tempo livre, erotismo e complexidade social, descrito pelos pesquisadores como “erotismo tardio”.  É uma “provocação” que se tornou mais comum com a evolução da higiene bucal. Que o beijo romântico não é uma tradição universal em todas as sociedades a pesquisa já revelou.O fato é que a história e os motivos do beijo são mais complexos do que se poderia imaginar. Artigo publicado na revista científica Science analisa quantidades significativas de evidências negligenciadas que desafiam as crenças atuais de que o primeiro registro de beijo romântico-sexual aconteceu na Índia, por volta de 1500 a.C.. Em vez disso, o beijo na boca foi documentado na antiga Mesopotâmia - atual Iraque e Síria - desde pelo menos 2500 a.C..


Isso significa basicamente que a história registrada do beijo romântico-sexual é pelo menos 1.000 anos mais antiga do que a data mais antiga conhecida anteriormente.

Beijar na boca é um ato tão natural e comum em várias sociedades atuais que é facilmente banalizado. Mas, na verdade, não está claro se as pessoas sempre se beijaram ou se isso só começou a acontecer em um passado relativamente recente.

Por que nos beijamos?

Antropólogos evolucionistas sugeriram que o beijo na boca evoluiu para avaliar a adequação de um parceiro em potencial, por meio de sinais químicos transmitidos na saliva ou na respiração.


Outros propósitos sugeridos para o beijo incluem provocar sentimentos de apego e facilitar a excitação sexual. O beijo na boca também é observado entre os parentes vivos mais próximos dos humanos, os chimpanzés e bonobos. Isso sugere que o comportamento pode ser muito mais antigo do que as primeiras evidências atuais em humanos.


A população na antiga Mesopotâmia pode ter inventado a escrita, embora sua invenção no antigo Egito também tenha sido mais ou menos contemporânea