RIO NEGRO AMAZONAS
O RIO NEGRO É ABUNDANTE EM RIQUEZAS NATURAIS E O CONTRASTE ENTRE ABUNDÂNCIA E DESIGUALDADE
RIO NEGRO RIQUEZAS NATURAIS E O CONTRASTE ENTRE ABUNDÂNCIA E DESIGUALDADE
22/04/2025 20h39 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Jose Carlos

Rio Negro: riquezas naturais e o contraste entre abundância e desigualdade

O rio Negro é o maior afluente da margem esquerda do poderoso rio Amazonas.

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O rio Negro é o maior afluente da margem esquerda do poderoso rio Amazonas. Ele nasce na
Colômbia e tem 2.250 km de extensão, sendo o sétimo maior rio do planeta Terra. Com suas
águas escuras, resultado da presença de húmus e lodo em seu curso, é um rio com pouca
presença de mosquitos.

É a região do Amazonas com maior diversidade de povos tradicionais. Lá vivem 23 povos
indígenas que representam a maior população do nosso estado, com uma riqueza incomum de
línguas. Línguas como Tukano Oriental, Aruak, Yanomami, Maku e Nheengatu (derivada do tupi)
enriquecem a diversidade cultural dos povos indígenas do rio Negro.

Esses nossos irmãos vivem sobre grandes riquezas naturais, mas enfrentam uma qualidade de
vida baixíssima e falta de oportunidades.

No subsolo estão as riquezas que poderiam transformar a vida desse povo, mas as políticas
públicas brasileiras e as “decisões” de seus dirigentes seguem na linha de atender aos apelos das
ONGs. A maioria dessas organizações atua a serviço de outros países ou entidades fora do Brasil,
e suas ações priorizam a preservação no sentido de “deixar como está”.

São trilhões de dólares em nióbio (o Brasil possui 98% das reservas mundiais, e o Amazonas
concentra 98% da reserva brasileira – sendo que a maior parte está no rio Negro), além de ouro,
cassiterita e uma variedade de gemas, como esmeraldas, turmalinas, diamantes, rubis, águasmarinhas e topázios.

Esses minerais valem trilhões de dólares. Ainda há, no rio Negro, uma rica variedade de granitos.
Acorda, Brasil! Nesse exato momento, parte dessas riquezas está sendo contrabandeada para
outros países, e nada fica para o nosso país ou para o nosso povo.

Nosso Rio Negro

Maior rio de águas pretas do mundo e principal afluente do Solimões, com quem se encontra em Manaus para formar o Amazonas, o Negro é um rio sagrado para nós povos indígenas. Suas águas misteriosas guardam histórias e mitos de criação.

Uma grande cobra canoa subiu as águas do rio Negro para criar a humanidade. Assim  começa a história narrada pelos parentes da família Tukano oriental, que está documentada no filme “Pelas Águas do Rio de Leite”. Ao longo de mil quilômetros, nossos conhecedores de etnias Tukano, Tuyuka, Piratapuia e outras percorreram cerca de 60 locais sagrados para registrar histórias sobre o princípio do mundo.

 Ao viajar online pela região todos podem conhecer melhor nossa cultura e entender porque a Bacia do rio Negro, além de seus atributos ambientais únicos, é também um patrimônio cultural. Tanto é que o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – deu o título de lugar sagrado para a Cachoeira da Onça, ou Cachoeira de Iauaretê, em 2006, como lugar de referência fundamental para os povos indígenas da região do alto rio Negro.

Por que as águas são pretas?

As águas do Negro são ácidas devido ao processo de decomposição de sedimentos orgânicos recebidos da floresta. Ao longo de seus 1.700 quilômetros de extensão, o rio Negro – que nasce na Colômbia – recebe uma grande quantidade de folhas, arbustos e troncos que vão se dissolvendo. Nesse processo ocorre a liberação dos ácidos húmico e fúlvico que dão tonalidade escura às águas parecendo um chá preto. Outro fator importante é a idade bem avançada do terreno, uma região rochosa de formação geológica muito antiga. Assim, a passagem de suas águas não provoca erosão das margens como ocorre com o Solimões, que possui água barrenta.

Maior zona úmida preservada do planeta

Adentrar a mata de igapó – floresta alagada de águas pretas na Amazônia – no rio Negro é experimentar um mundo novo, repleto de espécies animais e vegetais únicas, muitas ainda sem identificação científica, mas conhecidas por nós povos indígenas. Em 2018, a Bacia do Rio Negro foi reconhecida internacionalmente como maior área úmida preservada do planeta e ganhou o título de Sítio Ramsar Rio Negro, como é conhecida a Convenção Internacional destinada à preservação de áreas úmidas em todo o mundo, vitais para a sobrevivência da vida e para a manutenção da biodiversidade. Pela primeira vez no Brasil, um sítio Ramsar foi criado contemplando terras indígenas e a FOIRN integra o conselho gestor que irá pensar a governança dessa área de importância nacional e internacional.

Igapó em tupi antigo significa “rio de raízes”