Desenvolvido pelo JAQ, do Grupo Náutica, junto ao Itaipu Parquetec, o projeto brasileiro de construção de barcos movidos a hidrogênio verde representa um avanço significativo na transição energética e na descarbonização do setor marítimo. O protótipo da Explorer H1, embarcação com propulsão 100% limpa e zero emissão de carbono, foi apresentado no Rio Boat Show, encontro náutico encerrado neste domingo, na Marina da Glória.
O barco pronto será exibido pela primeira vez na COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em novembro, na capital paraense, Belém.
— O hidrogênio verde não é o futuro, é o presente. Queremos provar que é viável navegar sem emitir carbono — afirmou Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e que também comanda a JAQ, uma das unidades do grupo.
A apresentação foi feita no painel ‘Transição Energética e COP30 – Desafios e caminhos para um futuro sustentável’, realizado na última terça-feira, na Marina da Glória, durante o Rio Boat Show. Hoje, 80% das mercadorias comercializadas globalmente são transportadas por navios e a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é que, até 2027, o comércio marítimo global cresça 2,1%.
“Não falamos mais do futuro. O hidrogênio verde é o presente. Estamos aqui para provar que é possível navegar sem emitir carbono”, destacou Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica.
A iniciativa tem investimento estimado em R$ 150 milhões e está dividida em três etapas. Cada fase representa um avanço significativo rumo à navegação 100% limpa.
Na primeira fase, a Explorer H1 será usada em exposições e eventos, com áreas internas alimentadas por hidrogênio verde. Em seguida, o projeto avança para a adaptação do sistema de propulsão.
A segunda fase inclui a instalação de um motor híbrido, que utilizará 20% de hidrogênio e 80% de diesel. Essa combinação promete reduzir em até 80% as emissões de gases poluentes.
“O desafio técnico é imenso, mas estamos criando um ciclo sustentável completo. A eletrólise da água do mar gera hidrogênio que se transforma em eletricidade. O subproduto? Apenas vapor d’água”, explicou Eduardo Colunna, diretor de Inovação da JAQ e presidente da Acobar.
Já a terceira e última fase contempla a criação da Explorer H2. A embarcação será 100% autônoma e terá capacidade para dessalinizar a água do mar e produzir seu próprio combustível a bordo.
A Explorer H1 possui 36 metros de comprimento e foi equipada com hidrojatos para facilitar a navegação em águas rasas. A embarcação estará presente na COP30, em Belém (PA), em novembro de 2025.
Já a Explorer H2 terá 50 metros e será preparada para apoiar pesquisas ambientais e operações de mergulho. A construção ocorre no Guarujá (SP) e a entrega está prevista para 2026.
O Grupo Náutica, com mais de 40 anos de atuação, lidera o projeto. A empresa também é responsável por campanhas ambientais e pela organização de eventos náuticos em todo o país.