Saúde GRAVIDEZ EM RISCO
CALOR EXTREMO COLOCA GRAVIDEZ EM RISCO NO BRASIL E NO MUNDO
CALOR EXTREMO AUMENTA RISCO PARA GESTANTES NO BRASIL E NO MUNDO
17/05/2025 18h45
Por: Redação Fonte: Jose Carlos

Calor extremo coloca gravidez em risco no Brasil e no mundo
Calor extremo preocupa durante gestação — Foto: Freepik
Segundo a organização Climate Central, o número de dias com temperaturas perigosas para grávidas dobrou em 90% dos países nos últimos cinco anos, por causa do aquecimento global causado pela ação humana. O calor extremo é um dos riscos climáticos mais perigosos para a saúde materna e infantil.
Pesquisas ligam as altas temperaturas durante a gravidez ao aumento dos riscos de complicações como hipertensão, diabetes gestacional, hospitalização, morbidade materna grave, natimortos e partos prematuros, que podem acarretar impactos para toda a vida das crianças.

O que o estudo descobriu

 

 

  • O clima extremo está criando, em média, um mês extra de calor perigoso por ano para gestantes em quase um terço dos países do mundo.
  • Todas as regiões analisadas apresentaram aumento nos chamados “dias de risco térmico gestacional”.
  • O problema é ainda mais grave em países em desenvolvimento, onde o acesso a cuidados de saúde é limitado — como no Caribe, América Latina, Sudeste Asiático e África Subsaariana.

No Brasil, o impacto também é claro:

  • Foram registrados 27 dias extras de calor perigoso por ano para grávidas, na média nacional.
  • A cidade de São Luís (MA) lidera o ranking nacional, com quase 50 dias a mais por ano de risco para a saúde de gestantes, entre 2020 e 2024

Mesmo um único dia de calor extremo pode aumentar o risco de complicações graves na gravidez”, disse Kristina Dahl, vice-presidente de Ciência na Climate Central. “A mudança climática está intensificando o calor extremo e dificultando ainda mais a chance de gestações saudáveis em todo o mundo, principalmente onde o acesso ao atendimento já é limitado”, completou.

 

Por que isso acontece?

 

O estudo mediu os chamados “dias de risco térmico gestacional” — dias em que a temperatura atinge níveis historicamente muito altos (acima de 95% do normal da região). Esses dias estão diretamente ligados ao aumento de problemas como parto prematuro e até natimortos.

O principal culpado? A queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás, que aquece o planeta e intensifica ondas de calor cada vez mais fortes e frequentes.

O que pode ser feito?

Segundo os especialistas, reduzir o uso de combustíveis fósseis é uma das medidas mais urgentes para proteger mães e bebês ao redor do mundo. “O calor extremo é hoje uma das ameaças mais urgentes para pessoas grávidas em todo o mundo, colocando mais gestações em situação de alto risco — especialmente em locais que já enfrentam dificuldades no acesso à saúde. Reduzir as emissões de combustíveis fósseis não é apenas benéfico para o planeta — é uma medida crucial para proteger pessoas grávidas e recém-nascidos ao redor do mundo”, disse Bruce Bekkar, médico especializado em saúde da mulher e autoridade sobre os perigos da mudança climática para a saúde humana.

 

ENTENDA:

 O calor extremo, agravado pelas mudanças climáticas, está se tornando uma ameaça crescente à saúde de gestantes em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Uma nova análise internacional mostra que, entre 2020 e 2024, o número de dias perigosamente quentes para a gravidez dobrou em quase 90% dos países, colocando em risco a saúde materna e os desfechos gestacionais.

No Brasil, o impacto tem sido significativo: o país registrou, em média, 27 dias adicionais por ano com risco térmico elevado para gestantes, diretamente associados às mudanças climáticas. A cidade de São Luís, no Maranhão, apresentou o maior número de dias de risco térmico no país, com uma média anual de 49 dias perigosamente quentes para a gestação no período analisado.

O estudo examinou temperaturas diárias em 247 países e territórios, ao longo de cinco anos, para identificar o aumento dos chamados dias de risco térmico gestacional — aqueles em que as temperaturas máximas ultrapassam 95% dos registros históricos locais. Esse tipo de calor extremo está diretamente relacionado ao aumento do risco de partos prematuros e complicações maternas, como hipertensão, diabetes gestacional, internações e morbidades graves.

Destaques da Análise

  • Todos os países analisados registraram aumento no número de dias perigosamente quentes para gestantes em comparação com um cenário sem mudanças climáticas.
  • Em 222 dos 247 países e territórios, o número de dias de risco térmico gestacional mais do que dobrou entre 2020 e 2024.
  • Em quase um terço das nações analisadas, o aumento equivale a um mês adicional por ano de exposição a temperaturas elevadas e perigosas para a gravidez.
  • Em algumas cidades e países, todos os dias de calor extremo observados no período estudado são atribuídos à influência da mudança climática, ou seja, não teriam ocorrido em um mundo sem o aquecimento global induzido por atividades humanas.

As regiões mais afetadas incluem áreas com limitado acesso a serviços de saúde, como América do Sul, Caribe, Sudeste Asiático, África Subsaariana e Ilhas do Pacífico — locais que, apesar de contribuírem minimamente para as emissões de gases de efeito estufa, enfrentam os impactos mais severos da crise climática.

Riscos à Saúde Materna e Infantil

O calor extremo é considerado um dos fatores climáticos mais perigosos para a saúde materna e neonatal. A exposição prolongada a temperaturas elevadas durante a gestação está associada ao aumento de partos prematuros, complicações de saúde para as gestantes e riscos duradouros para o desenvolvimento das crianças.

Especialistas em saúde alertam que, sem ações urgentes para frear as emissões de gases de efeito estufa e reduzir a queima de combustíveis fósseis, os impactos sobre gestantes e recém-nascidos tendem a se intensificar, especialmente em regiões vulneráveis e com infraestrutura de saúde precária.

A análise reforça a necessidade de considerar a mudança climática não apenas como um desafio ambiental, mas como uma crise urgente de saúde pública, com implicações diretas sobre a vida de milhões de pessoas — especialmente as mais vulneráveis.

Editado por:José Carlos