A primeira-dama Janja da Silva elogiou o modelo de regulamentação das redes sociais na China e questionou por que existe uma dificuldade de falar sobre o tema no Brasil. A declaração foi dada após o vazamento de uma fala dela durante jantar com o mandatário chinês, Xi Jinping, sobre o TikTok.
“Eu falei um pouquinho dessa questão de como o algoritmo entrega para fora da China e não teve nenhum mal-estar no momento. O presidente Xi falou, inclusive, que eles também têm problemas dentro da China, apesar de ter uma regulação muito forte”, disse Janja ao podcast “Se ela não sabe, quem sabe”, da Folha de S.Paulo.
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Ela afirma que menores de idade na China só podem usar aparelhos com “telas” a partir dos 11 anos de idade e “com horário específico”. “Tem toda uma regulamentação e, se não seguir a regra, tem prisão. Por que é tão difícil a gente falar disso aqui? Não é uma questão de liberdade e de expressão, a gente está falando de vida e de crianças e adolescentes”, prosseguiu.
A esposa do presidente pediu a palavra para falar com Xi sobre a regulação da redes durante um jantar no último dia 13. Ela falou sobre os efeitos nocivos do TikTok para crianças e adolescentes, e pediu ajuda ao mandatário chinês para combater o uso da plataforma para o favorecimento da extrema-direita no Brasil.
A conversa foi vazada e teria gerado um suposto constrangimento durante o evento, mas Lula defendeu a primeira-dama e reclamou de quem divulgou o diálogo para a imprensa. “Alguém teve a pachorra de ligar para alguém e contar uma conversa que aconteceu em um jantar que era algo muito pessoal e confidencial”, afirmou.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o próprio presidente pediu “auxílio” de Janja para tratar do tema com Xi. “Foi dito o seguinte: que não é possível que se deixe, em plataformas digitais, que haja divulgação de temas de pornografia, de pedofilia e dos famosos desafios que correm nas redes digitais”, relatou.
Durante a entrevista, Janja ainda falou sobre o discurso em que criticou o bilionário Elon Musk, em novembro passado, durante um evento paralelo ao G20. Ela diz que não se arrepende da fala, mas do momento em que a declaração foi dada.
“Eu me envolvi pessoalmente na organização, na estrutura do G20, e parece que tudo virou nada. Não é da fala que me arrependo, mas do momento”, completou.
“Eu quero dizer que a minha voz vocês podem ter certeza que vai ser usada para isso. E foi para isso que ele foi usada na semana passada quando eu me dirigi ao presidente Xi Jinping após a fala do meu marido sobre uma rede social (…) Como mulher, não admito que alguém me dirija dizendo que eu tenho que ficar calada. Eu não me calarei quando for para proteger a vida das nossas crianças e dos nossos adolescentes”, declarou Janja nesta segunda-feira, em evento do Ministério dos Direitos Humanos de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Na semana passada, ela teria criado um mal-estar durante um jantar em Pequim com Lula, Xi Jinping e ministros ao citar os abusos cometidos na rede chinesa, segundo a GloboNews. O presidente da China respondeu que o Brasil tinha o direito de regulamentar o TikTok e até banir a rede social se achasse necessário.
“Estou feliz que vocês me convidaram e que vou poder falar, e que não vou precisar ficar calada (…) Não há protocolo que me faça calar se eu tiver uma oportunidade de falar sobre isso com qualquer pessoa que seja, do maior grau ao menor grau, do mais alto nível à qualquer cidadão comum”, afirmou a primeira-dama no Ministério dos Direitos Humanos.
Em entrevista a jornalistas após a repercussão da conversa, Lula afirmou que foi ele que tomou a iniciativa de abordar o tema e Janja “pediu a palavra” para mencionar os abusos cometidos na rede.
“Fui eu que fiz a pergunta. Eu perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para a gente discutir a questão digital, e sobretudo o TikTok. E aí a Janja pediu a palavra para explicar o que está acontecendo no Brasil, sobretudo contra as mulheres e contra as crianças”, disse.
Lula aproveitou para dar uma bronca em quem vazou a informação, durante a entrevista que concedeu em Pequim antes de partir, após visita de três dias à capital chinesa. Para ele, “alguém teve a pachorra” de revelar o que aconteceu num encontro confidencial, em que participaram apenas ministros e parlamentares.
“Eu vi na matéria que um ministro estava incomodado. Se um ministro estivesse incomodado, ele deveria ter me procurado e pedido para sair. Eu autorizaria ele a sair de lá”, disse Lula.
Janja aproveitou o discurso no Ministério dos Direitos Humanos para pedir um esforço para aprovar a regulamentação das redes sociais no Congresso Nacional, afirmando que o tema não deve ser tratado como uma “fofoca de bastidor”: “A gente precisa que as mães se unam numa voz forte que seja ouvida no Congresso Nacional para que efetivamente a regulamentação das plataformas aconteça, e que a gente não viva mais casos como o de vivenciar uma menina de oito anos morrer porque cheirou desodorante gente. Então a gente precisa tratar isso de uma forma um pouco mais séria e não como fofoca de bastidor”.
Com a materia: Tribuna do Norte
Editado: José Carlos
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