Samir Xaud é o novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com mandato até 2029. A Assembleia Eleitoral confirmou, neste domingo, 25, o que já se esperava desde o dia 18, quando o roraimense inscreveu sua chapa com apoio de 25 federações, inviabilizando que um adversário tivesse o mínimo de oito assinaturas das entidades estaduais.
Xaud recebeu 46 votos, sendo 26 de federações estaduais e 20 de clubes, divididos igualmente entre as Séries A e B, em um colégio eleitoral que soma 67 integrantes.
A vitória aconteceu em um ambiente instável, com disputas por protagonismo entre clubes e federações. Dois meses antes, o mesmo colégio eleitoral havia aclamado Ednaldo Rodrigues por unanimidade, após seu retorno ao cargo por decisão judicial.
Mas com a renúncia de Ednaldo e a nova convocação para eleição, os clubes tentaram se articular para lançar um nome de sua preferência: Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol. Apesar do apoio de 29 clubes das Séries A e B, a candidatura de Bastos não foi formalizada.
Por consequência, esse movimento gerou uma fratura entre os clubes, levando 21 deles a assinarem um manifesto prometendo boicote à eleição. Entre os signatários estavam Flamengo, Fluminense, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro e Santos, mas estes dois últimos acabaram comparecendo e votando.
Foram 103 votos de um total de 141 possíveis, não havendo unanimidade como na eleição anterior.
Ele sucede Ednaldo Rodrigues, afastado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) por suspeita de fraude na assinatura de Antônio Carlos Nunes de Lima, o coronel Nunes, no acordo que havia encerrado a disputa no Supremo e mantido Ednaldo Rodrigues no comando da CBF.
Além das federações, a candidatura de Xaud teve apoio de dez clubes: Botafogo, Grêmio, Palmeiras e Vasco (Série A) e Amazonas, CRB, Criciúma, Paysandu, Vasco e Volta Redonda (Série B).
As outras 30 agremiações apoiavam Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Elas se uniram em um manifesto que fez exigências à CBF e tentaram articular uma abstenção no pleito.
Junto de Xaud, assumem os vice-presidentes Flávio Zveiter, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD); Michelle Ramalho, presidente da Federação Paraibana de Futebol; José Vanildo, presidente da Federação do Rio Grande do Norte; Ricardo Paul, presidente da Federação do Pará; Ednailson Rozenha, presidente da Federação do Amazonas; Rubens Angelloti, presidente da Federação de Santa Catarina; Fernando Sarney, ex-vice e presidente e atual interino; e Gustavo Dias Henrique, presidente da Federação do Distrito Federal.
Da chapa de Samir, Gustavo Dias Henrique, Ednailson Rozenha e Rubens Angelotti foram eleitos em abril, junto de Ednaldo, para o mandato que começaria em 2026 e iria até 2030. Agora, eles serão vices no quadriênio 2025-2029.
A novidade da chapa de Samir Xaud é a presença de Flávio Zveiter. Ele foi pré-candidato à presidência da CBF em 2024, no primeiro afastamento de Ednaldo Rodrigues, e atuou nos bastidores pela aceitação do nome de Xaud como candidato. Zveiter deve atuar como CEO da CBF.
Dos clubes da Série A, estiveram presentes Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Santos, Vasco e Vitória. Pela Série B, votaram Amazonas, Athletic, Avaí, CRB, Criciúma, Operário, Paysandu, Remo, Vila Nova e Volta Redonda.
Algumas equipes, como Botafogo e Vasco, enviaram os CEOs, Thairo Arruda e Carlos Amodeo, respectivamente, em vez dos presidentes. O Ceará também teve representação ativa no pleito.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, foi um dos destaques da articulação pró-Xaud. Apesar de concordar com as pautas do manifesto dos clubes ausentes, recusou-se a assiná-lo e declarou apoio ao novo presidente.
Com a ausência de parte da elite, o auditório da CBF foi ocupado por cartolas de clubes de menor expressão, como o Baré, da primeira divisão de Roraima, além de familiares de novos dirigentes da entidade. Em contraste com a eleição anterior, a imprensa foi impedida de acompanhar o processo presencialmente.
Samir Xaud, que já atuava como presidente interino desde o afastamento de Ednaldo Rodrigues, assume agora o comando efetivo da CBF em um ambiente de desconfiança por parte dos principais clubes do país e sob expectativa de negociações para recompor a relação entre a entidade e a elite do futebol brasileiro.
Com a matéria: TN oline
Editado por: José Carlos