Economia 1,6 BILÃO TONELADAS
O TESOURO VERMELHO DA AMAZÔNIA: BRASIL DESCOBRE 1,6 BILHÃO DE TONELADAS DE BAUXITA E ASSUME PAPEL GLOBAL NO MERCADO DE ALUMÍNIO
BRASIL DESCOBRE 1,6 BILHÃO DE TONELADAS DE BAUXITA
16/06/2025 15h04
Por: Redação Fonte: clickpetroleogas.com.br

A descoberta de bauxita que revelou um tesouro mineral de 1,6 bilhão de toneladas e tornou o Brasil um ator estratégico no mercado global de alumínio

Explore a história da descoberta de bauxita em Porto Trombetas, Pará. Conheça as vastas reservas de mais de 1 bilhão de toneladas e a operação da MRN.

No coração da floresta amazônica, uma das maiores riquezas minerais do Brasil pulsa sob o solo paraense: 1,6 bilhão de toneladas de bauxita, o minério-chave na produção de alumínio. A colossal jazida localizada em Porto Trombetas, no oeste do Pará, é mais do que uma reserva estratégica - é um trunfo geopolítico, ambiental e econômico.

Mas o que, afinal, é a bauxita?
Trata-se da principal fonte de óxido de alumínio (Al₂O₃), essencial na fabricação do alumínio metálico. A bauxita de Porto Trombetas é rica em gibbsita, que facilita o processamento por meio do método Bayer, amplamente usado na indústria global.

A saga de uma descoberta que mudou a mineração brasileira

A história remonta aos anos 1960, quando a subsidiária canadense Aluminas, da Alcan, iniciou prospecções sob orientação do geólogo Johan Staargaard. Em 1963, foi detectada a presença de bauxita de alta qualidade. Já em 1967, os estudos liderados por Igor Mousasticoshvily confirmaram a magnitude da reserva nos platôs do Saracá.

Hoje, essa gigantesca jazida é explorada pela Mineração Rio do Norte (MRN) - maior produtora de bauxita do Brasil. A empresa iniciou operações comerciais em 1979 e, desde então, transformou a dinâmica econômica de toda a região.

descoberta de bauxita na região, ocorrida na década de 1960, transformou a dinâmica econômica do oeste do Pará e posicionou o Brasil como um ator relevante no mercado global de alumínio. 

As vastas reservas de bauxita de Porto Trombetas, no coração da Amazônia paraense, representam um marco na indústria mineral brasileira. Com estimativas que ultrapassam um bilhão de toneladas, essa riqueza é explorada pela Mineração Rio do Norte (MRN), uma empresa que se consolidou como a maior produtora de bauxita do Brasil.

A jornada da descoberta de bauxita na Amazônia paraense

Na década de 1960, a indústria de alumínio brasileira buscava novas fontes de matéria-prima. A Aluminas, subsidiária da canadense Alcan, iniciou prospecções na Amazônia sob a sugestão do geólogo Johan Arnold Staargaard. Em 3 de agosto de 1963, foi comunicada a descoberta de bauxita de boa qualidade em quantidades substanciais no Rio Trombetas.

A exploração inicial enfrentou desafios logísticos e técnicos, superados com o uso de fotografias aéreas e a abertura manual de poços. A confirmação definitiva das reservas comerciais ocorreu em 1967, nos platôs do Saracá, sob a liderança do geólogo Igor Mousasticoshvily. Essa descoberta de bauxita foi resultado de visão estratégica e esforço exploratório direcionado.

Porto Trombetas, um patrimônio de mais de um bilhão de toneladas de bauxita

As reservas de bauxita em Porto Trombetas, operadas pela MRN, são de magnitude expressiva, estimadas em 1,635 bilhão de toneladas, representando 84,2% do total do Pará. Este volume confirma a afirmação de “mais de um bilhão de toneladas”.

A bauxita extraída é predominantemente de grau metalúrgico, com teor médio de Al₂O₃ (óxido de alumínio) em torno de 50% e SiO₂ (dióxido de silício) reativo de aproximadamente 4%. O principal mineral de alumínio é a gibbsita, o que oferece vantagens no processo de refino Bayer. A qualidade geral da bauxita de Porto Trombetas é considerada boa, sustentando a competitividade da MRN.

Operando a gigante da bauxita brasileira

A Mineração Rio do Norte S.A. (MRN) foi organizada para operar o projeto inicialmente proposto pela Alcan. Após percalços e negociações com a então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), a MRN iniciou sua produção comercial em 1979. Sua estrutura acionária histórica inclui grandes players como Vale (40%), BHP-Billiton (14,8%), Rio Tinto Alcan (12%), CBA (10%) e Alcoa (13%).

A MRN emprega o método de lavra a céu aberto por tiras, totalmente mecanizada e sem o uso de explosivos. Em 2024, a produção atingiu 12,8 milhões de toneladas. O beneficiamento consiste principalmente na lavagem do minério.

A logística é complexa, utilizando transporte ferroviário interno até o Porto Trombetas, de onde a bauxita segue por via fluvial para o mercado doméstico (Alunorte) e para exportação (América do Norte, Europa, Ásia).

O impacto da exploração da bauxita, economia e socioambientalismo em foco

A MRN tem um impacto econômico profundo no oeste do Pará. Em 2024, as compras locais ultrapassaram R$ 700 milhões, e a empresa gerava 6.700 empregos (diretos e terceirizados), com 85% dos diretos sendo paraenses. A arrecadação de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) foi de R$ 56,8 milhões em 2024, além de outros R$ 240,4 milhões em impostos e taxas.

Na gestão ambiental, a MRN possui certificação ISO 14001 e investe pesadamente no manejo de rejeitos e na recuperação de áreas degradadas. Um exemplo notável é a restauração do Lago Batata, que sofreu com o lançamento de rejeitos no início do projeto.

Projeto Pé-de-Pincha, focado na conservação de quelônios, conta com o apoio da MRN há mais de duas décadas. A empresa também desenvolve programas sociais e de engajamento com comunidades quilombolas e ribeirinhas, investindo R$ 42,2 milhões em 2024.

O futuro da bauxita de Porto Trombetas pós-descoberta de bauxita

O futuro da MRN depende crucialmente do “Projeto Novas Minas” (PNM), que visa estender a vida útil da mina por mais 15 a 20 anos, explorando cinco novos platôs. A Licença Prévia foi obtida em outubro de 2024, e o investimento previsto é de R$ 5 bilhões.

A MRN opera em um mercado global de bauxita com perspectivas de crescimento, impulsionado pela demanda por alumínio. Manter a competitividade, a qualidade e a sustentabilidade será vital. A empresa responde por aproximadamente 38,8% da produção brasileira de bauxita, e seu desempenho afeta diretamente a posição do Brasil no cenário mundial. A gestão de desafios como o licenciamento do PNM e a exposição cambial de sua dívida será determinante para seu sucesso contínuo.

 

Editado por: José Carlos