Renda fixa ainda mais atrativa
Como é possível ver no quadro acima, um investimento no Tesouro Selic vai ter um rendimento líquido real (descontada a inflação e imposto de renda) de 6,34% ao ano. O índice é maior que o da poupança, que vai pagar 2,14% em 12 meses.
No CDB, o investidor deve pesquisar em que banco colocar seu dinheiro. De acordo com a plataforma, o rendimento pode variar entre 3,51% e 8,04% ao ano, dependendo da instituição e porte do banco.
Em aplicações com isenção de Imposto de Renda, como LCI, LCA e debênture incentivada, o rendimento real pode chegar a superar os 10%.
Regras da Poupança
Pela regras atuais, quando a taxa Selic é maior que 8,5% ao ano, a poupança tem uma rentabilidade de 0,5% ao mês e de 6,17% ao ano somada à Taxa Referencial (TR).
A regra funciona assim:
- Quando a taxa Selic for maior que 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês, somada à Taxa Referencial (TR); com isso, o retorno hoje é projetado em 7,16% em 12 meses.
- Quando a taxa Selic for menor que 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 70% da taxa Selic, somada à Taxa Referencial (TR).
Onde colocar o dinheiro?
Com a Selic elevada, os pós-fixados de curto e médio prazo ganham mais atratividade.
“CDBs atrelados ao CDI, Tesouro Selic e fundos de renda fixa com ativos pós-fixados são mais vantajosos nesse cenário. Eles evitam perdas com marcação a mercado e garantem um retorno previsível. Já para quem pensa no longo prazo, os títulos atrelados ao IPCA podem ser interessantes, desde que mantidos até o vencimento ou em cenários de inflação elevada”, afirma Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital, sugere foco em pós-fixados no curto prazo.
Ela lembra, porém, que a escolha da aplicação deve considerar tanto o momento econômico quanto o perfil de cada investidor. “Se o objetivo é preservar capital com liquidez, os pós-fixados são a melhor pedida. Mas se o horizonte é mais longo e o investidor quer proteger seu poder de compra, os títulos atrelados à inflação passam a ser estratégicos. É preciso alinhar prazo, objetivo e risco para tomar a melhor decisão”, diz.
O que esperar dos juros?
O ciclo de alta acabou e, atualmente, os economistas esperam que os juros recuem para 14,75% ao ano até o fim de 2025 e alcancem 12,50% ao ano até o fim de 2026. Os papéis mais conservadores, que acompanham o CDI ou à Selic, tendem a render mais dentro de cinco anos do que os papéis prefixados e que seguem a inflação.
Porém, as remunerações desses títulos à venda estão altíssimas ainda. No Tesouro Direto, os que acompanham a inflação estão oferecendo taxas perto de 7% mais a inflação ao ano, enquanto os papéis prefixados estão pagando perto de 14% ao ano.
"Os papéis prefixados e que seguem a inflação embutiram cortes de juros nas remunerações dos títulos à venda e, por esse motivo, os juros diminuíram", afirma Rafael Haddad, planejador financeiro do C6 Bank. "Mas além dos papéis que seguem a Selic ou o CDI, acreditamos no potencial dos títulos que acompanham a inflação para prazos maiores que dois anos, porque entendemos que a inflação tende a seguir pressionada e acima da meta nos próximos anos. Assim, o investidor segue protegido", diz.
Ele ainda aconselha buscar papéis de renda fixa que não cobram Imposto de Renda, como as LCAs e LCIs, que podem render mais em comparação às aplicações financeiras de renda fixa não incentivadas. Há uma medida provisória (MP) tramitando que propõe cobrar Imposto de Renda nesses investimentos isentos com uma alíquota de 5%, mas ela enfrenta muita resistência no Congresso e existe a possibilidade da medida não ser aprovada.
"Ainda assim, a remuneração das LCAs e LCIs continuaria mais atrativa que a dos CDBs em prazos de até um ano. E em caso de implementação do imposto, os bancos emissores dos papéis podem aumentar os juros pagos para que eles continuam mais atrativos que os CDBs em prazos mais longos", afirma Haddad.
Mas quanto vai render?
A calculadora de renda fixa do Valor Investe, uma ferramenta que o leitor pode usar na sua vida, mostra que, ao aplicar R$ 1 mil no papel Tesouro Selic, o saque seria de R$ 1.121 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda.
Em um CDB que oferece pagar 100% do CDI ou em um fundo DI com taxa zero, o resgate seria de R$ 1.123 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda. Já em uma LCA ou LCI que remunera 85% do CDI e é isenta de Imposto de Renda, a retirada seria maior ainda, de R$ 1.127.
No Tesouro Prefixado, o saque seria de R$ 1.109 de pois de um ano, descontando o Imposto de Renda. No Tesouro IPCA+, o resgate seria de R$ 1.099, descontando o Imposto de Renda.
Já na poupança, o saque seria menor, de R$ 1.084. Embora pareça pequena, a diferença é grande no longo prazo. Quanto maior o tempo de aplicação, menos vantajosa é a poupança.
Editado por: José Carlos