Uma nova estratégia de cibercrime tem se espalhado com rapidez no ambiente digital brasileiro: criminosos estão pagando pela veiculação de e-mails maliciosos através da plataforma de anúncios do Google para simular alertas oficiais de empresas, bancos ou órgãos públicos. O objetivo é um só: roubar dados pessoais, bancários e financeirosdas vítimas.
Esses golpes, conhecidos como phishing patrocinado, se aproveitam do fato de o e-mail aparecer como um conteúdo legítimo e promovido — ou seja, impulsionado por publicidade paga — o que aumenta sua credibilidade e reduz a desconfiança dos usuários. Em vez de invadir sistemas, os fraudadores apostam na engenharia social, explorando emoções como medo, urgência, curiosidade e até promessas de vantagem para induzir o clique em links falsos.
Entre os temas mais usados estão supostos alertas de cobrança, bloqueios de contas, boletos vencidos, promoções exclusivas, notificações de entrega e até convocações judiciais. A aparência profissional das mensagens, com logotipos e visual idêntico ao de instituições conhecidas, torna ainda mais difícil identificar a fraude.
Segundo especialistas, o uso de plataformas confiáveis como o Google para disseminar esse tipo de conteúdo representa um novo patamar na sofisticação dos crimes cibernéticos. E a ameaça exige atenção redobrada tanto de usuários quanto das próprias empresas de tecnologia.
“O uso de plataformas legítimas para disseminar fraudes é extremamente preocupante. Isso dá aos golpes uma credibilidade que confunde o usuário, dificultando a identificação da ameaça”, alerta o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em crimes cibernéticos e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP).
A manipulação emocional é uma das principais ferramentas usadas pelos criminosos. Mensagens com tom alarmante, como “sua conta será cancelada”, “urgente: pagamento em atraso” ou “última chance para regularizar” pressionam o destinatário a agir por impulso.
“Mensagens informando que a conta será cancelada, que há boletos em atraso ou pedindo atualizações cadastrais são clássicas. O objetivo é pressionar emocionalmente a vítima para que ela não pense duas vezes antes de clicar”, explica Francisco.
Mas os golpes não se limitam ao medo. Alguns e-mails apelam para a curiosidade ou ganância, prometendo prêmios, descontos ou até fofocas escandalosas. E mesmo que pareçam inofensivos à primeira vista, um clique é o suficiente para entregar senhas, dados bancários ou instalar vírus no dispositivo da vítima.
“Eles sabem como manipular. Se não é pela ameaça, é pela curiosidade ou pela promessa de vantagem. Por isso, os golpes continuam se reinventando”, destaca o advogado.
Apesar do disfarce bem elaborado, há sinais de alerta que podem denunciar o golpe: links com endereços estranhos, erros de ortografia, imagens borradas, arquivos anexos em formatos incomuns (.exe, .zip, .scr) e solicitações para instalar extensões ou baixar programas devem ser evitados.
Outro cuidado importante é com os falsos alertas de segurança: algumas mensagens simulam avisos de navegadores e induzem o usuário a instalar atualizações ou correções de sistema, quando, na verdade, estão ativando malwares.
Francisco orienta que, diante desse cenário, a prevenção é a melhor defesa. Ele recomenda práticas básicas de segurança digital, como:
“Estamos vivendo uma era em que os cibercrimes estão cada vez mais profissionais. Cabe às plataformas de tecnologia reforçarem seus sistemas de checagem, mas o usuário também precisa se educar e desconfiar. Informação é a melhor defesa.”
Por: José Carlos