Os brasileiros não têm acesso à internet via satélite da Starlink e a empresa não tem autorização oferecer conexão para celulares no Brasil, informou a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nesta sexta-feira (1º).
Desde a quinta-feira (31), o serviço via satélite da Starlink destinado a smartphones foi liberado para clientes da operadora americana T-Mobile. Com a tecnologia, chamada “direct-to-device”, é possível enviar mensagens de texto e compartilhar localização em áreas onde a rede de celular não alcança, recorrendo à constelação de satélites da empresa de Elon Musk SpaceX.
Em tese, com um chip da T-Mobile ou com o pacote de conexão virtual da empresa que pode ser comprado pela internet, seria possível receber sinal da Starlink em qualquer lugar do mundo. Porém, no Brasil, a Starlink não tem autorização da Anatel para operar no modelo direct-to-device. Por isso, não é possível usar esse serviço em território nacional.
“A prestação do serviço móvel no Brasil é regulamentada e requer a obtenção de outorga específica, bem como autorizações para uso das radiofrequências destinadas à modalidade celular”, diz a agência reguladora, em nota. “Até o presente momento, a Starlink não possui diretamente essas licenças necessárias”, acrescentou.
Desde o ano passado, a Anatel criou um ambiente regulatório mais brando para permitir a experimentação da tecnologia, e outras empresas, como a ViaSat, já fazem testes.
Para oferecer internet para smartphones, a Starlink equipou seus satélites de segunda geração com mini antenas de telefonia móvel. Embora o serviço “direct-to-device” ainda não esteja autorizado, a Anatel permitiu que 7.500 dessas unidades mais modernas operem no Brasil.
O “direct-to-device” da Starlink já funciona nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, por meio de parcerias com operadoras telefônicas. O serviço também está em teste em Austrália, Canadá, Chile e Japão.
O pedido da SpaceX ao regulador americano para operar no espectro da rede móvel foi feito como uma emenda à solicitação para expandir a constelação de satélites em 7.500 novas unidades, como ocorreu no Brasil —mas esse adendo ainda não passou por avaliação da Anatel.
O regulador americano FCC acatou parcialmente a solicitação da empresa de Musk para operar no espectro de rede móvel de até 2 GHz, o que obrigou a SpaceX a firmar parcerias com as teles americanas.
De acordo com anúncio da Starlink, o oferecimento de conexão móvel via satélites de baixa órbita demandou a superação de “inúmeros desafios técnicos e regulatórios”.
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COMO FUNCIONA O SERVIÇO DA T-MOBILE
A T-Mobile batizou a sua parceria com a Starlink de “T-Satellite”.
Os celulares atendidos pela operadora americana podem acessar a conexão via satélite sem precisar de conexão wifi ou de alguma adaptação. A tecnologia está disponível em 59 tipos de smartphone convencional, das marcas Apple, Google, Motorola e Samsung.
Assinantes dos planos premium da operadora (cuja mensalidade beira os US$ 100) recebem o serviço sem custo adicional. Outros clientes da empresa precisam pagar US$ 10 a mais pelo serviço.
Para os usuários pré-pagos, que podem contratar o serviço por meio de conexão virtual na Play Store ou na App Store, a conexão ao “T-Satellite” também custa US$ 10.
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Por: José Carlos