Economia DIESEL DA RÚSSIA
BRASIL PODE ENFRENTAR DIFICULDADES CASO INTERROMPA IMPORTAÇÕES DE DIESEL DA RÚSSIA
SOB AMEAÇA DA OTAN BRASIL TERÁ DIFICULDADE SE DEIXAR DE IMPORTAR DIESEL DA RÚSSIA
04/08/2025 22h33 Atualizada há 9 meses
Por: Redação Fonte: Diário do Poder

Brasil pode enfrentar dificuldades caso interrompa importações de diesel da Rússia

De acordo com a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis, país teria dificuldade em encontrar fornecedores que substituam os volumes russos, responsáveis por mais de 60% do diesel importado em 2025

Frentista abastecendo carro (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil).

A Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) alertou que o Brasil enfrentará sérias dificuldades caso decida interromper as importações de diesel da Rússia. De janeiro a junho de 2025, aproximadamente 7,9 milhões de metros cúbicos de diesel foram importados pelo país e 61% desse total veio da Rússia.

De acordo com Sérgio Araújo, presidente da Abicom, em entrevista à CNN, não há, no curto prazo, alternativas capazes de suprir o volume que o Brasil recebe do país europeu. “É improvável que o Brasil consiga, de forma imediata, substituir esse volume de cerca de 1 milhão de metros cúbicos por mês com diesel vindo de outros mercados”, afirmou.

A fala ocorre em meio a pressões internacionais, principalmente dos Estados Unidos, que têm ameaçado aplicar tarifas de até 100% contra países que mantenham relações comerciais com a Rússia no setor de energia. O presidente Donald Trump e o atual secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, reforçaram esse posicionamento nas últimas semanas, aumentando a tensão geopolítica.

Além da Rússia, os principais fornecedores de diesel ao Brasil em 2025 têm sido os Estados Unidos (com cerca de 24% das importações), Arábia Saudita (6%) e Omã (3%). No entanto, nenhum desses países têm, isoladamente, capacidade para compensar a perda da oferta russa. A substituição exigiria negociações com múltiplos países produtores, como Emirados Árabes, Kuwait e Qatar, o que pode gerar custos logísticos elevados e aumento do preço interno do combustível.

A Abicom também ressalta que o diesel russo tem sido comercializado com preços abaixo da paridade internacional, o que contribui para manter o preço do combustível mais acessível no Brasil. Romper esse fluxo poderia impactar diretamente o consumidor, com possível aumento dos preços nas bombas.

O volume que o Brasil compra da Rússia não torna muito fácil encontrar fornecedores alternativos que possam trazer esse produto. Então, vamos ter dificuldade", acrescentou.

Segundo dados da Abicom, a Rússia concentra mais que o dobro (61%) da demanda brasileira por óleo diesel no mercado externo que o segundo colocado, os Estados Unidos (24%). Em seguida, aparecem como principais fontes de importação a Arábia Saudita (6%) e o Omã (3%).

"Teremos que verificar a possibilidade de parte do volume que deixará de ser comprado da Rússia vir do Golfo americano, das refinarias americanas, além de verificar outros fornecedores, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Qatar. É um desafio", concluiu Sérgio Araújo.

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (4) que vão taxar a Índia substancialmente, depois da decisão do país de seguir importando petróleo russo. Atualmente as tarifas que incidirão sobre os produtos indianos que entram no território americano são de 25%.

Em 14 de julho, Trump ameaçou taxar em 100% os países que continuarem negociando petróleo com a Rússia. A ofensiva faz parte de um plano da Casa Branca para isolar a Rússia economicamente até que um acordo de paz "satisfatório" com a Ucrânia seja realizado.

 

Por: José Carlos