O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicano-PB), anunciou nesta sexta-feira (15), que o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) será o relator da CPMI do INSS, que investigará no Congresso Nacional o esquema criminoso que roubou R$ 6,3 bilhões em descontos ilegais que lesaram aposentados e pensionistas.
O parlamentar tocantinense e partidário de Motta prometeu rigor, técnica, transparência e imparcialidade, ao ter nome anunciado por presidente da Câmara para elaborar o relatório final da investigação conjunta da Câmara e do Senado, a ser presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM).
“Assumo a relatoria da CPMI do INSS com a responsabilidade de conduzir um trabalho técnico, imparcial e transparente. Nosso compromisso é apurar com rigor todas as denúncias de irregularidades que possam ter prejudicado aposentados e pensionistas, garantindo que os culpados respondam pelo que fizeram e que os direitos de cada beneficiário sejam preservados”, disse Ayres, na rede social X.
A investigação do esquema em que associações enganaram brasileiros vulneráveis com o aval do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde 2019, era uma cobrança da oposição ao governo de Lula (PT), desde a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril deste ano 2025. E foi adiada pela inércia de Hugo Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A investigação resultou no afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, nomeado por Lula.
Motta desejou a todos os integrantes da CPMI um excelente trabalho nessa pauta tão relevante para o país.
ENTENDA:
Natural de Goiânia (GO), Ayres está em seu primeiro mandato como deputado federal, eleito por Tocantins. O correligionário de Motta é vice-líder do partido na Casa Baixa desde 2023.
Já votou em pautas contra o governo, como na derrubada do decreto do Imposto de Operações Financeiras (IOF) e a favor do Projeto de Lei do licenciamento ambiental.
O Partido Liberal (PL) pleiteava a relatoria da CMPI do INSS, visto que a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) foi a responsável pelo pedido da investigação. No entanto, como mostrou o Metrópoles, lideranças do partido avaliaram que ela não estaria preparada para assumir o posto. Ela está em seu primeiro mandato como deputada, assim como Ayres.
Na avaliação de caciques do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a indicação de um senador para o comando da comissão mista pode prejudicar a deputada pela falta de experiência, já que a presidência fica com o Senado. O escolhido para liderar a investigação no Senado é Omar Aziz (PSD-AM), que já presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 na Casa Alta.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), garantiu na quarta-feira (13/8) que a CMPI dos desvios do INSS seria instalada “impreterivelmente” na próxima semana.
Tive reunião com o presidente Hugo Motta ontem e ele me assegurou que ainda hoje os lideres da Câmara fariam as indicações sobre as lideranças partidárias para instalar a CPMI do INSS. A nossa expectativa era que ainda hoje pudéssemos instalar, no entanto, falei com o presidente Hugo agora há pouco e ele me pediu que nós pudéssemos fazer a instalação na próxima semana impreterivelmente”, disse Alcolumbre no plenário do Senado.
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). No total, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Por: José Carlos