Apesar de aumentarem o rendimento em atividades do dia a dia, essas bebidas devem ser consumidas com cautela
Os energéticos se tornaram populares entre aqueles que buscam mais disposição para estudar, trabalhar ou se divertir. No entanto, o consumo excessivo dessas bebidas pode representar um grande risco para a saúde do coração.
O consumo excessivo de energéticos pode elevar significativamente o risco de problemas cardíacos devido às altas doses de cafeína e outros estimulantes, como taurina e guaraná. Essas substâncias podem desencadear arritmias, aumentando o risco de fibrilação atrial e taquicardias ventriculares, além de elevar a pressão arterial por meio da vasoconstrição e maior liberação de adrenalina. O aumento da frequência cardíaca (taquicardia) também pode sobrecarregar o coração, contribuindo para um maior risco de infarto do miocárdio, especialmente em pessoas com predisposição cardiovascular. Esse perigo se intensifica quando os energéticos são consumidos em excesso, combinados com álcool ou por indivíduos com doenças cardíacas preexistentes.
Em relação ao consumo diário considerado saudável, a segurança depende da quantidade de cafeína ingerida. As diretrizes recomendam um limite máximo de 400 mg de cafeína por dia para adultos saudáveis, o que equivale a cerca de 1 a 2 latas de energético, dependendo da marca e da concentração de cafeína.
Entretanto, para pessoas com hipertensão, arritmias ou doenças cardíacas, o ideal é evitar ou consumir apenas sob orientação médica. Já em adolescentes, gestantes e lactantes, o consumo deve ser extremamente reduzido ou evitado.
O consumo frequente de energéticos pode levar à dependência de cafeína, causando sintomas como fadiga, irritabilidade e dores de cabeça quando a ingestão é reduzida. A longo prazo, o uso crônico pode desregular o sono, provocando insônia e comprometendo a recuperação cardíaca, além de aumentar persistentemente a pressão arterial, elevando o risco de AVC e insuficiência cardíaca. Também pode causar danos ao endotélio vascular, favorecendo a aterosclerose, e aumentar a propensão a transtornos de ansiedade, que podem agravar condições cardiovasculares.
As pessoas que têm o hábito de consumir a bebida devem ficar atentas aos principais sinais de alerta, que incluem palpitações ou batimentos irregulares, elevação da pressão arterial, dores no peito, tontura ou desmaios, além de nervosismo excessivo, insônia e tremores, indicativos de sobrecarga do sistema nervoso.
Para aqueles que desejam manter a energia de forma saudável, é essencial ter um sono de qualidade, hidratação adequada, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e consumo moderado de café ou chá verde, que contém cafeína em menor concentração e oferece benefícios antioxidantes, contribuindo para o bem-estar.
Segundo pesquisa da Kantar, empresa especializada em dados de marketing e comportamento do consumidor, os energéticos tiveram um acréscimo de 54% em consumidores alcançados em apenas um ano (de 2023 a 2024) no país. A principal razão apontada para o consumo da bebida pelos brasileiros foi o sabor (39%).
“Além da cafeína, as bebidas energéticas podem conter açúcares como glicose, sacarose e frutose e a taurina que é um aminoácido. Esses compostos potencializam os efeitos da cafeína no sistema nervoso central, que tornam as bebidas ainda mais estimulantes”, explica Andressa Alves de Souza, nutricionista clínica da Casa de Saúde São José.
O limite do consumo diário de cafeína, geralmente aceito para adultos saudáveis, é de até 400 mg (equivalente a cerca de 4 a 5 xícaras de café). Uma lata de energético pode ter de 80 a 200 mg de cafeína e, se somada a cafés, refrigerantes e outros produtos, um consumidor da bebida pode facilmente ultrapassar esse limite diário recomendado.
No entanto, por mais que a dose de cafeína dos energéticos seja semelhante a um copo de café — cerca de 60 a 120 mg por xícara —, existe uma série de outras substâncias estimulantes dentro da latinha sendo ingeridas em conjunto.
“O problema dos energéticos não é apenas a cafeína. A combinação com taurina e grandes quantidades de açúcar potencializa os efeitos estimulantes, o que significa mais esforço para o coração, já que o açúcar em excesso aumenta a pressão e favorece a liberação de adrenalina, enquanto a taurina pode alterar o metabolismo cardíaco. Por isso, o consumo deve ser moderado e nunca associado a álcool”, comenta o cardiologista da Casa de Saúde São José, Dr. Lucas Waldeck.
O consumo do energético é especialmente arriscado para pessoas com pressão alta, arritmias ou outras doenças do coração, já que pode provocar mais facilmente a descompensação do quadro cardíaco. Adolescentes e jovens, que tendem a consumir em excesso e misturar com álcool, também podem correr riscos mesmo levando rotinas saudáveis. As gestantes também devem evitar o consumo dessa bebida, pois a cafeína atravessa a placenta e pode afetar o bebê em gestação.
“Em grandes quantidades, os energéticos podem sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando o risco de elevação persistente da pressão e de distúrbios do ritmo cardíaco. Para quem já tem problemas cardíacos ou hipertensão, os efeitos podem ser mais graves e perigosos”, alerta o Dr. Lucas Waldeck.
Por: José Carlos