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NÃO SABIA QUE EXISTIA WHATSAPP, A HISTÓRIA DA FREIRA QUE DEIXOU CONVENTO PARA CASAR

EX-FREIRA QUE REAPREENDEU A VIVER 10 ANOS DE CLAUSURA , CONVENTO

19/10/2025 às 20h03
Por: Redação Fonte: amp.dol.com.br
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NÃO SABIA QUE EXISTIA WHATSAPP, A HISTÓRIA DA FREIRA QUE DEIXOU CONVENTO PARA CASAR

“Não sabia que existia WhatsApp”: A história da freira que deixou convento para casar

Grasiele quando esteve no convento e no dia de seu casamento. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Uma jornada de fé e autodescoberta levou Grasiele de Oliveira Loureiro, que passou seis anos em clausura na Ordem dos Carmelitas, a trocar o silêncio do convento pela vida conjugal em Itajaí (SC). Aos 43 anos, a ex-freira, que hoje é dona de uma agência de marketing digital e está na fila para adoção, compartilha detalhes de sua experiência na vida contemplativa, as dificuldades de adaptação ao "mundo" e o momento em que percebeu que não tinha vocação.

Grasiele teve uma juventude comum, gostando de festas e saídas, e só frequentava a missa por pressão do pai. Aos 20 anos, no entanto, ela começou a não gostar da "vida no mundo" e sentiu um chamado para buscar a Deus, acompanhando a renovação carismática católica e indo a grupos de oração.

A ex-freira Grasiele de Oliveira Loureiro, de 43 anos, nasceu e cresceu em Itajaí, Santa Catarina. Até os 20 anos, levava uma vida comum, frequentando festas, saídas com amigos e a missa dominical por influência do pai. Em 2003, sentiu um chamado espiritual que mudou seu caminho: decidiu seguir a Ordem dos Carmelitas, optando por uma vida de oração contemplativa.

Ela passou por três conventos diferentes ao longo de seis anos, começando em Tremembé, São Paulo. Depois esteve em São José, SC, e Porto Alegre, RS. Sobre a decisão de deixar a clausura, Grasiele afirma: “Eu amo a vida lá dentro, mas tive que admitir que não conseguiria. Não tinha vocação”.

A rotina nos conventos era intensa e silenciosa. “Acordávamos às 4h30 ou 5 horas para rezar laudes. Depois tinha a oração mental e a missa das 7”, detalhou. Todo o dia seguia horários rígidos para estudo, trabalho manual e refeições, sempre preservando o silêncio interior.

O isolamento era rigoroso. “A gente deve andar no claustro de cabeça baixa… para manter o silêncio interior. Você não fica olhando o que está acontecendo com a irmã que está passando”, disse. As visitas externas eram raras e mediadas por grades, e qualquer barulho, até na cozinha, precisava ser evitado.

Após uma experiência missionária em Santa Catarina em 2003, ela sentiu a necessidade de mais oração e silêncio, o que a levou a conhecer a vida contemplativa e o Carmelo de Tremembé, em São Paulo, onde entrou em janeiro de 2008.

Vida de silêncio

O choque com a rotina de clausura foi imediato, principalmente o silêncio. A regra exigia andar de cabeça baixa no claustro para "mortificar" a visão e evitar distrações, mantendo o silêncio interior. Além disso, não havia vaidade: as religiosas não podiam perder tempo com cuidados como cabelo.

Grasiele comentou o desafio do silêncio no convento. “O que eu mais estranhei lá dentro foi justamente o silêncio, porque a gente vem de um mundo muito barulhento. Me lembro que, de manhã, quando eu encontrava alguma irmã no corredor, minha vontade era falar 'bom dia' porque eu estava muito feliz, só que não tem isso”, relembrou.

A rotina era rigorosa: acordavam às 4h30 ou 5h para rezar, seguidas por oração mental e missa. As atividades eram feitas em silêncio, incluindo as refeições. Os únicos momentos permitidos para conversar eram durante os dois recreios diários. Até mesmo as atividades cotidianas exigiam cuidado para não gerar ruído.

Ela descreveu a atenção ao silêncio absoluto. “Além de não conversar, procura-se não fazer muito barulho em tudo. Ao abrir uma porta, um armário, varrer. Uma coisa que me chamou a atenção foi ao cozinhar. Eu costumava pegar a colher e bater na panela para tirar o resto da comida. As irmãs me ensinaram que eu poderia bater com o cabo na mão, e aí não faria nenhum barulho”, detalhou.

Choque ao ver o mundo

Grasiele passou por três carmelos diferentes até sair definitivamente em 2014, após entender que não tinha vocação. Sua primeira saída, em 2010, foi motivada por um quadro de depressão. A readaptação ao mundo foi difícil.

Ela descreveu o choque tecnológico ao sair. “Na primeira vez que eu saí, em 2010, não sabia que existia WhatsApp —não tinha smartphone, para mim era tudo novidade”, afirmou.

Inicialmente, a ex-freira não pretendia se casar, mas ao conviver com amigas casadas, passou a ver o matrimônio como um caminho de santidade. Após uma decepção amorosa —em que um noivo cancelou o casamento no dia da cerimônia— ela conheceu seu atual marido. Eles se casaram em 2019, mas, após um aborto e a descoberta de menopausa precoce, estão há cinco anos na fila da adoção, seguindo métodos permitidos pela igreja.

Apesar das dificuldades, ela mantém a admiração pela vida que viveu. “Eu amo a vida lá dentro, mas tive que admitir que eu não tinha vocação e não conseguiria. Fui para casa sabendo que não voltaria mais”, concluiu. Hoje, ela afirma que o carmelo é feito de "pessoas reais" e vê a espiritualidade carmelitana como "a mais linda de todas na Igreja"

 

 

Por: José Carlos

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