O empresário luso-brasileiro Pedro Ganança, de 60 anos, e o filho mais novo, Theo, de 22 anos, foram mortos a tiros pelo sócio do restaurante Apeadeiro de Sarilhos, do qual o pai era sócio, em Montijo, na área metropolitana de Lisboa. O crime ocorreu no domingo (16), dentro do próprio estabelecimento, na frente de funcionários e clientes. Com informações do Globo.
Segundo a Polícia Judiciária, Pedro havia se mudado para Portugal há cinco anos, após construir carreira no setor de eventos no Rio de Janeiro, e inaugurou o restaurante em fevereiro deste ano ao lado de dois dos filhos e do sócio agora acusado.
Informações preliminares indicam que a relação entre os sócios se deteriorou durante negociações sobre a divisão das cotas. O parceiro de negócios teria exigido de volta parte do valor investido, o que gerou o desentendimento que antecedeu a tragédia.
De acordo com a investigação, o sócio entrou armado no restaurante e atirou em Pedro à queima-roupa. Theo, que ajudava no atendimento, tentou proteger o pai e acabou atingido. Ambos foram levados ao hospital, mas não resistiram. O suspeito, de 61 anos, tem histórico criminal por sequestro e furto de veículo. Ele fugiu logo após o crime, mas foi encontrado cerca de 24 horas depois e interrogado.
ENTENDA:
Como uma sociedade em um restaurante acabou em morte de pai e filho brasileiros
Quando decidiu cruzar o Atlântico para viver em Portugal, em 2020, o luso-brasileiro Pedro Ganança, 60 anos, estava cheio de planos. Um deles, o de abrir um restaurante em que pudesse oferecer a culinária portuguesa que remetesse à infância dele. Foram necessários mais de três anos para que esse projeto saísse do campo das promessas. Pedro e o filho Theo, 23, que nasceu no Rio de Janeiro, encontraram um sócio português, José Augusto, 61, e, juntos, investiram no restaurante Apeadeiro, em Sarilhos, na Margem Sul, região metropolitana de Lisboa. No último domingo, 16 de novembro, a parceria acabou em tragédia. Segundo comunicado da Polícia Judiciária, José Augusto matou a tiros pai e filho.
Como uma sociedade em um restaurante acabou em morte de pai e filho brasileiros
O restaurante abriu as portas em 1.º de fevereiro deste ano. À época, Pedro disse a amigos consultados pelo PÚBLICO Brasil que o estabelecimento lembraria os encontros de família de quando era criança. Ele falava com muito carinho daquele período. Os sócios escolheram um lugar bem típico para que tudo saísse a contento. O restaurante passou a funcionar em uma pequena estação de trem, que estava abandonada desde 1998. O nome do estabelecimento, inclusive, foi inspirado na forma como os portugueses chamam as estações de pequenas dimensões: Apeadeiro. A linha de trem desativada foi transformada em uma ciclovia.
Como uma sociedade em um restaurante acabou em morte de pai e filho brasileiros
As obras, para que tudo saísse como o planejado por Pedro, se arrastaram por três anos e consumiram centenas de milhares de euros. Tudo para receber 100 pessoas no prédio principal e mais 200 em um anexo, além de playground nos fundos. A decoração era ligada à atividade ferroviária. Na frente do balcão do bar havia um pedaço de um vagão de trem. O cardápio tinha pratos tipicamente portugueses, como bitoque, bacalhau a lagareiro e choco frito.
Como uma sociedade em um restaurante acabou em morte de pai e filho brasileiros
O crime ocorreu perto das 20h de domingo. Funcionários do restaurante relatam ao PÚBLICO Brasil, na condição de anonimato por orientação de advogados, que José Augusto chegou com uma arma e atirou, primeiro, em Pedro Ganança e, depois, atingiu Theo, que tentou proteger o pai. "Foi uma correria geral. Ninguém acreditou no que estava acontecendo", afirma um dos funcionários.
Por: José Carlos