
Camila Francis da Silva ostentava vida de luxo fruto de golpes aplicados no Espírito Santo. Foto: Reprodução
A mulher presa por marcar falsos encontros para extorquir homens ostentava uma vida de luxo nas redes sociais, com registros de cirurgias plásticas, procedimentos estéticos e viagens internacionais, incluindo Dubai. Camila Francis da Silva foi apontada pela Polícia Civil como líder de um esquema que atraía vítimas pela internet e as chantageava após a troca de mensagens e fotos íntimas.
Camila foi presa na manhã desta sexta-feira (12), em Colatina, no noroeste do Espírito Santo, durante a Operação Luxúria, ao lado do marido, Washington Henrique dos Passos, e de Wilza de Lima Alves, amiga do casal. Segundo a polícia, o grupo extorquiu cerca de R$ 600 mil em seis meses, com ao menos 15 vítimas. O golpe consistia na criação de perfis falsos em sites de relacionamento, na marcação de encontros que nunca aconteciam e, depois, em ameaças de exposição para familiares e esposas.
Mesmo sem emprego formal, Camila exibia viagens para Dubai, Maragogi e Jericoacoara e bancava cirurgias plásticas, inclusive para a filha, segundo os investigadores. A suspeita já havia sido presa por extorsão em 2016 e ficou detida até 2020. O delegado Erick Lopes Esteves afirmou que muitas vítimas não denunciaram por medo.
Para a polícia, Camila era líder do grupo, criava perfis em sites de encontros e, após atrair os homens, começava com as ameaças.
Ela se aproximava das vítimas pelos sites, trocava fotos e dados, marcava programas, mas não comparecia. Depois, passava a ameaçar revelar as conversas e fotos para parentes, famílias e esposas das vítimas.
A mulher já foi presa por extorsão, também em Colatina. De acordo com a Secretaria de Justiça do Espírito Santo, Camila ficou detida em fevereiro de 2016 e foi solta em 2020.
O padrão de vida do grupo chamou a atenção da polícia. Mesmo sem emprego formal, a suspeita exibia nas redes sociais viagens para destinos como Dubai, Maragogi e Jericoacoara, além de ter financiado cirurgias plásticas para a filha.
Segundo os investigadores, tudo teria sido custeado com o dinheiro das extorsões.
Camila, inclusive, passou por uma transformação visual com os procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. A polícia divulgou uma imagem que mostra como a mulher era antes de começar a cometer os crimes.
Polícia divulgou imagem de como a suspeita antes de começar a aplicar os golpes no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ Redes SociaisCamila criava perfis falsos em sites de relacionamento. Depois que a vítima pedia para marcar um encontro, ela buscava se a pessoa era casada, se tinha filhos, e passava a fazer as ameaças.
O delegado Erick Lopes Esteves, da Polícia Civil, explicou que a investigação partiu de Vila Valério, onde a primeira vítima fez a denúncia.
Casal é preso por extorquir vítimas em falsos encontros no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ Redes Sociais“Até o número que parei de contar foram 15 vítimas, por conta das pessoas que não denunciam com medo de divulgar. Quando comecei a olhar a denúncia de Vila Valério, que a vítima disse ter perdido R$ 30 mil, percebi que tinha o mesmo relato de outros municípios”, disse o delegado.
Até a mãe de Washington foi vítima do casal. Segundo o delegado, ao que tudo indica, Camila também teria usado o nome da sogra para fazer empréstimos e compras. A própria mãe do preso procurou a polícia para denunciar a suspeita.
A operação, nomeada de Luxúria, começou na manhã desta sexta-feira para cumprir três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão. A Justiça também concedeu o bloqueio de bens e valores dos suspeitos.
Wilza de Lima Alves estava foragida, mas foi presa durante a manhã de sexta enquanto estava trabalhando como diarista.
Camila ostentava vida de luxo fruto de golpes aplicados no Espírito Santo, segundo a polícia — Foto: Reprodução/ Redes SociaisDurante a operação, foram apreendidos relógios, óculos e perfumes importados, dinheiro em espécie e um carro avaliado em R$ 120 mil.
Os investigadores já localizaram vítimas em mais de dez municípios do Espírito Santo.
A defesa do casal disse que já está em contato direto com o delegado responsável pelo caso. “Nossa prioridade imediata é garantir o acompanhamento legal do interrogatório e, posteriormente, ter acesso integral aos documentos do inquérito policial. Só a partir dessa análise minuciosa poderemos entender de fato a natureza e o escopo exato das acusações formuladas pela investigação”, informou, em nota.
A polícia também identificou a abertura de contas bancárias em nome de terceiros e a contratação de empréstimos usados para movimentar o dinheiro ilegal.
A amiga do casal, que ajudava nos golpes e foi presa, é uma dessas pessoas. Ela recebeu dinheiro em sua própria conta e tinha um padrão de vida que não condizia com a renda.
Ainda segundo a polícia, a mulher é beneficiária do Bolsa Família.
Wilza de Lima Alves está foragida e é suspeita de ter sido usada como laranja em aplicação de golpes no Espírito Santo — Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Por: José Carlos
Fonte: Alagoas 24 horas
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