
Empresária brasileira de grandes estrelas do futebol questionou diferença de tratamento no mercado com base na nacionalidade
Rafaela Pimenta é uma das grandes agentes do futebol mundial, responsável pela carreira de Erling Haaland, do Manchester City, entre outras estrelas. E com experiência no mundo dos negócios, a brasileira questiona a diferença de tratamento no mercado com base na nacionalidade.
Em entrevista à “Claro Sports”, Pimenta projetou uma venda milionária de Gilberto Mora, joia de 17 anos do Tijuana. A empresária garante que não pretende facilitar nas tratativas pelo meia-atacante mexicano, que só será negociado por um alto valor.

Uma das agentes mais influentes do futebol mundial, Rafaela Pimenta colocou o dedo em uma ferida sensível do mercado de transferências: a diferença de valuation de atletas conforme a nacionalidade e o país em que atuam. Em entrevista à Claro Sports, a empresária brasileira — responsável, entre outros, pela carreira de Erling Haaland — projetou que Gilberto Mora, meia-atacante de 17 anos do Tijuana, só será negociado por um valor elevado.
A lógica apresentada por Pimenta é direta: preço alto gera respeito. Para ela, aceitar cifras menores para um talento mexicano reforça um ciclo de desvalorização que interessa ao mercado comprador europeu.
“Vou vendê-lo muito caro. Vou fazer todos os esforços para que assim seja, porque se for vendido por um preço elevado, vai ser respeitado”, afirmou.
A comparação que virou debate: 80 milhões no Brasil, 8 milhões no México?
Rafaela Pimenta usou um paralelo com as transferências de promessas do futebol brasileiro para expor o que considera um duplo padrão.
“Por que um jogador que joga no Brasil pode custar 80 milhões de euros e se estiver no México tem de custar 8 milhões? O Brasileirão é tão melhor do que o Mexicano? Não. Os europeus querem fazer os mexicanos acreditarem que não podem ter este valor. Me chateia”, disse a agente.
Ao questionar essa diferença, Pimenta não está apenas defendendo um atleta específico, mas sustentando que o mercado tende a “precificar” de forma distinta um jogador de elite, dependendo do ambiente em que ele aparece — mesmo que a diferença técnica entre ligas não justifique essa disparidade automática.

Quem é Gilberto Mora: do “novo Pedri” à vitrine internacional
Gilberto Mora é tratado como uma das maiores revelações do México nos últimos anos. Formado nas categorias de base do Tijuana, ele chamou atenção cedo a ponto de subir ao time principal ainda adolescente, em trajetória que acelerou de forma incomum.
A estreia profissional aconteceu em 18 de agosto de 2024, na vitória por 3 a 1 sobre o Santos Laguna, no Estadio Caliente, pela 8ª rodada do Apertura da Liga MX. Mora entrou no segundo tempo e, mesmo com apenas 15 anos, 10 meses e 4 dias, deixou sua marca com uma assistência.
Pouco tempo depois, voltou aos holofotes ao se tornar o jogador mais jovem a marcar um gol na Liga Mexicana, consolidando a condição de “joia” e ampliando a atenção em torno do seu desenvolvimento.
Apelidado de “novo Pedri”, Mora destoou nas categorias inferiores e passou a figurar com frequência nas seleções de base, até chegar ao alto escalão do país.
Impacto na seleção: título, recordes e protagonismo
A ascensão não ficou restrita ao clube. Mora participou da Copa Ouro de 2025 e ajudou o México a conquistar o título com três jogos, todos como titular, além de registrar um passe para gol. O torneio também simbolizou um avanço na consolidação do atleta em partidas de pressão.
Ele também acumulou recordes como o atleta mais jovem a jogar pela seleção, reforçando a narrativa de que não se trata apenas de promessa “para o futuro”, mas de um jogador já empurrado para um nível de exigência alto.
No fim do ano passado, o meia-atacante foi um dos nomes do Mundial Sub-20, com participação relevante no empate por 2 a 2 contra o Brasil na fase de grupos — partida em que distribuiu uma assistência. No torneio, Mora somou três gols e mais um passe para gol, conduzindo o México até as quartas de final.
Estilo de jogo e por que ele virou alvo de gigantes
O destaque de Mora também passa pelo perfil técnico descrito como raro para a idade. Ele é apontado como um meia-atacante de instinto ofensivo, com visão de jogo diferenciada, capaz de:
Com esse pacote, o nome do mexicano já foi especulado em gigantes como Barcelona, Real Madrid, Arsenal, Manchester City, Manchester United e PSG.
Um detalhe simbólico foi revelado por Ignacio Ruvalcaba, chefe das categorias de base do Tijuana: em entrevista recente à ESPN, ele afirmou que a preferência do jogador é atuar pelo Real Madrid.

O recado de Rafaela Pimenta: valor é também narrativa
A defesa de Rafaela Pimenta deixa claro que, para ela, a negociação de Mora não é só uma venda — é uma disputa por posicionamento de mercado. Ao insistir em uma transferência “muito cara”, a agente tenta quebrar a lógica que empurra talentos mexicanos para patamares menores, reforçando que preço, no futebol, também funciona como selo de status.
Se Mora virar a “próxima grande transferência do México”, como ela projeta, o caso pode se tornar um marco não apenas para o jogador, mas para a maneira como clubes e agentes do país passam a negociar suas joias.
Por:José Carlos
Fonte: Sousaf.com.br
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