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MOCIDADE ALEGRE É CAMPEÃ DO CARNAVAL PAULISTA E SUPERA GAVIÕES DA FIEL POR 0,1
MOCIDADE ALEGRE É A CAMPEÃ DO CARNAVAL DE SÃO PAULO
17/02/2026 22h22
Por: Redação Fonte: DM.com.br

Mocidade Alegre é campeã do Carnaval de São Paulo 2026 e conquista seu 13º título

A escola superou a Gaviões da Fiel por 0,1 ponto

A Mocidade Alegre é a grande campeã do Carnaval de 2026 em São Paulo. A conquista foi sua 13ª na história da liga desde 1965. As demais foram em 1971, 1972, 1973, 1980, 2004, 2007, 2009, 2012, 2013, 2014, 2023 e 2024.

Com mais este título, a Mocidade se aproxima da Vai-Vai, a recordista do Carnaval de São Paulo com 15 taças.

Terceira escola a desfilar na segunda noite do Carnaval no Sambódromo do Anhembi, a agremiação liderou quase toda a apuração desta terça-feira (17) e somou 269,8 pontos, deixando para trás a Gaviões da Fiel, com 269,7, e Dragões da Real, com 269,6. A escola só perdeu a liderança uma vez para a Gaviões, mas logo retomou a ponta para não perdê-la mais.

 
Desfile da Mocidade Alegre no Samb

Vitória da união

A presidente Solange Cruz atribuiu o título a um trabalho conjunto da agremiação. “Não tem segredo. É muita união, muita participação. A comunidade é ativa. Todo mundo ajuda em tudo. No barracão, na fantasia, e acima de tudo no ensaio. É muito ensaio, todos os dias”, afirmou.

O enredo voltado para as mulheres também serviu de mensagem para “aqueles que muitas vezes não querem nos ouvir”, afirmou a presidente. “Eu sou nascida e criada no samba e a gente aprende todos os dias. Às vezes as pessoas precisam escutar para entender”, declarou.

Como já é tradição, ela carregava dezenas de terços em uma das mãos e, na outra, um adereço em formato de cobra que conseguiu em uma viagem à Bahia.

Léa Garcia foi homenageada

A serpente faz referência a Oxumarê, o orixá do movimento e da renovação, e “é a peça fundamental de todo o início do desfile”, disse a presidente. “A Léa Garcia [atriz homenageada pela Mocidade] era filha de Oxumarê. Então, a cobra acompanhou quase toda a escola.”

Comandante da bateria da agremiação desde 1994, Mestre Sombra disse que a escola precisou se superar neste ano, após perder o título no ano passado por problemas em alegorias. Ele falou que neste ano o terceiro carro alegórico passou pela avenida “empurrado”.

Enquanto a diretoria comemorava no Anhembi, na quadra da Mocidade, no bairro do Limão, os componentes da escola foram à loucura. Aos 61 anos, Eliana Albuquerque não conseguia conter as lágrimas ao comemorar o título.

Em seu primeiro desfile, ela foi campeã e lembrou do quanto queria aproveitar o Carnaval durante toda a vida, mas foi impedida. “A Mocidade é minha escola do coração. Quando era pequena eu pulava o muro de casa para vir à quadra acompanhar os ensaios. Depois cresci e me casei, aí quem me proibia de desfilar era meu marido. Hoje, eu realizei um sonho de criança”, disse.

Ela lembra da dedicação dos últimos meses, quando ensaiava cinco vezes na semana para não fazer feio na avenida.

Vice-campeã do Carnaval de Sampa

Presidente da Gaviões da Fiel, segunda colocada na disputa, apenas um décimo atrás da campeã, Alexandre Domênico Pereira afirmou que já mira o ano que vem. “Mais uma vez a decisão foi por um décimo, igual aconteceu em 2025. Miramos o título, mas estamos felizes. O terremoto passou na avenida, a torcida sacudiu o Anhembi”, afirmou.

“Todo corintiano sabe do sofrimento. É passo a passo. Quarto, terceiro e segundo lugar. E no ano que vem a gente vai mirar o céu”, disse.

Em uma rapsódia carnavalesca, a Mocidade Alegre exaltou a trajetória de Léa Garcia, uma das maiores atrizes brasileiras, morta em 2023, aos 90 anos, em Gramado, onde receberia uma homenagem. O enredo foi “Malunga Léa — Rapsódia de uma Deusa Negra”.

ENTENDA:

"Trabalhamos com o critério embaixo do braço, mas não existe carnaval sem emoção, não só a Mocidade, várias escolas entregaram isso e é muito bacana perceber o quanto nosso carnaval cresceu", explicou a presidente da escola, Solange Cruz.

Ela permaneceu durante toda a apuração nesta terça-feira, 17, amparada pelo mestre de bateria, Sombra, e dos tradicionais terços que a acompanham em todas as apurações de carnaval. Solange agradeceu a Deus, à comunidade e ao Orixá Oxumarê, mencionado no enredo deste ano.

"Não tem segredo, é muita união e participação. A comunidade é ativa, é muito ensaio. A gente ensaia de domingo e sexta na rua, quarta tem ensaio da bateria e durante a semana a comissão de frente ensaia todos os dias praticamente", disse.

A Mocidade Alegre apresentou neste ano "Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra", um enredo que celebrou a vida e a obra da atriz Léa Garcia, uma das vozes mais marcantes da cultura brasileira, símbolo de resistência, arte e afirmação da identidade negra no teatro e no cinema. A atriz morreu em 2023, aos 90 anos, no dia em que seria homenageada no Festival de Cinema de Gramado.

A escola destacou momentos marcantes da trajetória da artista com fantasias e alegorias que revisitavam sua carreira, desde as origens no Teatro Experimental do Negro até os papéis consagrados no cinema e na televisão.

Carioca, Léa estrelou Orfeu Negro, filme francês de Marcel Camus gravado no Brasil e vencedor do Oscar. Em 2005, foi premiada em Gramado por As Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo. Atuou em outras dezenas de produções cinematográficas e de televisão.

No desfile, a atriz foi representada na comissão de frente pela médica Thelma Assis, conhecida por ter sido campeã do Big Brother Brasil de 2020. Outro ex-BBB e médico, Fred Nicácio participou ao representar Abdias Nascimento, intelectual e artista brasileiro que foi casado com Léa.

A Mocidade é a segunda maior campeã, com 13 títulos, atrás apenas da Vai-Vai (15). A Rosas de Ouro foi rebaixada após ter sido campeã em 2025. A outra escola rebaixada foi a Águia de Ouro.

A disputa foi equilibradíssima. Com comemorações contidas ao longo da apuração, a Mocidade Alegre manteve a liderança durante a maior parte da leitura das notas. A Gaviões da Fiel chegou a assumir o primeiro lugar, mas perdeu décimos e devolveu a liderança à Morada do Samba, que encerrou a apuração com nota 269,8.

Veja a classificação final:

1º. Mocidade: 269.8 2º. Gaviões da Fiel: 269.7 3º. Dragões da Real: 269.6 4º. Tatuapé: 269.5 5º. Barroca Zona Sul: 269.4 6º. Tom Maior: 269.4 7º. Estrela: 269.1 8º. Mocidade Unida da Mooca: 269.0 9º. Império: 268.9 10º. Camisa: 268.8 11º. Colorado: 268.7 12º. Vai-Vai: 268.6 13º. Rosas de Ouro: 268.4 14º. Águia de Ouro: 268.2

 

Por: José Carlos

Fonte:DM.com.br