Detectada em mais de 20 países, a linhagem BA.3.2 da Covid levanta preocupações por mutações que podem reduzir a eficácia das vacinas
Uma nova variante do coronavírus (Covid-19) voltou a mobilizar autoridades de saúde no Reino Unido e em outros países. Identificada como BA.3.2, a linhagem — derivada da variante Ômicron — já foi detectada em ao menos 23 países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido, e está sendo monitorada de perto por especialistas.
Segundo dados de vigilância epidemiológica, a variante foi encontrada em amostras clínicas de pacientes e também em análises ambientais, como águas residuais de aviões e diferentes regiões dos Estados Unidos, o que sugere uma circulação mais ampla do que os casos oficialmente registrados indicam.
O principal motivo de preocupação está no perfil genético do vírus. A BA.3.2 apresenta entre 70 a 75 mutações na proteína spike — estrutura responsável por permitir a entrada do vírus nas células humanas. Essas alterações podem facilitar a disseminação e, sobretudo, permitir uma maior capacidade de escapar da resposta imunológica gerada por infecções anteriores ou pela vacinação.
Estudos laboratoriais já apontam que vacinas atualizadas para variantes recentes apresentam menor capacidade de neutralizar a BA.3.2 em comparação com outras linhagens em circulação. Isso levanta dúvidas sobre o nível de proteção conferido pelos imunizantes atuais, embora especialistas ressaltem que análises em condições reais ainda são necessárias para confirmar o impacto.
A identificação da nova variante se deu pela 1ª vez no continente africano em um menino de 5 anos na África do Sul em novembro de 2024. Em março de 2025, foi detectada em Moçambique, depois na Holanda e na Alemanha. Em setembro de 2025, as identificações da BA.3.2 voltaram a crescer. Cerca de 30% das sequências diagnosticadas na Dinamarca, na Alemanha e naHolanda são dessa nova variante. Os Estados Unidos detectaram a cepa em viajantes que vieram do Japão, Quênia, Holanda e Reino Unido. Além disso, a linhagem apareceu na análise de 132 amostras de esgoto provenientes de 25 Estados norte-americano.
Apesar dessas incertezas, autoridades britânicas adotam um tom cauteloso. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) classificou a BA.3.2 como uma “variante sob monitoramento” e afirma que, até o momento, não há evidências de que ela cause quadros mais graves da doença em comparação com versões anteriores do vírus.
A nova linhagem foi inicialmente identificada na África do Sul em 2024, mas começou a ganhar força apenas a partir de setembro de 2025, quando passou a se espalhar com mais intensidade em diferentes regiões do mundo.
O surgimento da BA.3.2 reforça um padrão já observado ao longo da pandemia: a constante evolução do vírus e o surgimento de variantes com diferentes níveis de transmissibilidade e capacidade de evasão imunológica.
Por: José Carlos
Fonte:Poder 360