O questionamento envolve diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Segundo levantamento com base em dados de órgãos de controle aéreo e informações publicadas pela imprensa, Toffoli utilizou ao menos dez vezes, ao longo de 2025, estruturas de aviação executiva em Brasília, incluindo voos realizados em aeronaves privadas vinculadas a empresários.
Parte desses voos ocorreu em jatos ligados a empresas que tiveram participação do empresário Daniel Vorcaro.
Os registros indicam ainda que o ministro embarcou em aeronaves particulares em diferentes ocasiões, com itinerários que coincidiriam com compromissos de natureza pessoal.
No caso de Moraes, dados apontam a realização de pelo menos oito voos em jatos executivos associados ao mesmo grupo empresarial.
Em algumas dessas viagens, o magistrado teria sido acompanhado por familiares e um número reduzido de passageiros.
O ministro, por sua vez, negou o uso dessas aeronaves.
A ONG afirmou que busca esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados para esse tipo de deslocamento, destacando que os ministros são agentes públicos de carreira.
m manifestação pública, a entidade questionou como tais viagens teriam sido custeadas e cobrou respostas das autoridades competentes.
O caso se insere em um contexto mais amplo de apurações envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário citado e que já foi alvo de investigações e controvérsias recentes.
Até o momento, não há indicação de abertura formal de investigação por parte da Procuradoria-Geral da República sobre os fatos mencionados.
A cobrança por esclarecimentos, no entanto, reforça a pressão por maior transparência no relacionamento entre autoridades públicas e agentes do setor privado.
O cruzamento de dados mostra que Toffoli acessou o terminal executivo de Brasília ao menos dez vezes em 2025. Em seis desses casos, foi possível associar os horários a decolagens específicas, sendo que cinco envolveram aeronaves ligadas a empresários.
Em duas ocasiões, os registros coincidem com voos da Petras Participações, empresa que tem entre os sócios o atual dono do Tayayá, Paulo Humberto Barbosa. Um dos trajetos partiu de Brasília para Ourinhos (SP), aeroporto mais próximo do resort, em 17 de junho. Outro voo, em 1º de outubro, seguiu para Congonhas (SP).
Também há registro de deslocamento em aeronave da Ibrame, empresa do empresário Luiz Pastore. Toffoli e o empresário mantêm relação próxima. O ministro já havia utilizado aeronave do empresário em viagem para assistir à final da Copa Libertadores, em Lima, no Peru, em novembro.
As revelações ocorrem após a Folha informar, em janeiro, que empresas ligadas à família de Toffoli teriam sido sócias de uma rede fraudulenta de fundos vinculados ao Banco Master. O episódio levou o ministro a deixar a relatoria de investigação no STF em fevereiro.
O mesmo avião da Prime Aviation identificado no voo de Toffoli também aparece em registros associados a viagens do ministro Alexandre de Moraes, segundo reportagem anterior do jornal.
Por: José Carlos