A jornada de trabalho mais longa no Brasil pode significar menor remuneração. Um estudo divulgado em abril de 2026 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que trabalhadores com carga semanal de 44 horas recebem, em média, até 57,7% menos do que aqueles que trabalham 40 horas.
Os dados, baseados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, mostram que a média salarial de quem trabalha até 40 horas semanais é de cerca de R$ 6.211, enquanto os profissionais com jornada de 44 horas recebem aproximadamente R$ 2.626.
O levantamento revela que a maior carga horária está concentrada entre trabalhadores com menor nível de escolaridade e em funções operacionais, como comércio, indústria e agropecuária. Já profissionais com ensino superior tendem a ocupar cargos com jornadas menores e salários mais elevados, evidenciando uma desigualdade estrutural no mercado de trabalho brasileiro.
Outro ponto destacado é que cerca de 74% dos trabalhadores formais no país estão submetidos à jornada de 44 horas semanais, modelo ainda predominante no Brasil. Em contrapartida, apenas uma parcela menor atua em regimes de 40 horas ou menos, geralmente associada a cargos mais qualificados.
Além da remuneração inferior, vínculos com jornadas mais extensas apresentam maior rotatividade e menor estabilidade no emprego, segundo o estudo.
O tema tem ganhado relevância no cenário político, com propostas em discussão no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada de trabalho, incluindo mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o debate sobre o fim da escala 6×1.
A pesquisa reforça que trabalhar mais horas não significa necessariamente ganhar mais, mas pode refletir desigualdades relacionadas à qualificação profissional, estrutura do mercado e condições de trabalho no país.
Por: José Carlos