O corpo humano adulto tem cerca de 30 trilhões de células, todas originadas de aproximadamente 100 células-tronco nos primeiros dias de desenvolvimento embrionário. Essas células são chamadas de pluripotentes porque podem se transformar em qualquer tipo celular. A pesquisa com células-tronco embrionárias humanas começou em 1998, quando embriões doados por casais em tratamento de fertilização in vitro forneceram um suprimento virtualmente ilimitado dessas células — muitas ainda em uso hoje.
Em 2007, dois laboratórios (liderados por Shinya Yamanaka, no Japão, e James Thomson, nos EUA) descobriram como reprogramar células maduras, como da pele, de volta a um estado pluripotente, criando as iPSCs. A grande vantagem é que essas células carregam o DNA do próprio paciente, permitindo terapias personalizadas e reduzindo riscos de rejeição.
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina. Sem elas, o paciente depende de injeções diárias para controlar o açúcar no sangue e evitar complicações graves — danos a vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos. A insulina, porém, não restaura o controle fino e dinâmico que as células beta naturais exercem, e muitos pacientes ainda sofrem com problemas de saúde ao longo da vida.
Atualmente, os pacientes recebem drogas imunossupressoras para evitar a rejeição, mas os efeitos colaterais são graves e muitas vezes superam os benefícios. Pesquisadores buscam alternativas: cápsulas protetoras que isolam as células, ou modificações genéticas que permitem que as células se “escondam” do sistema imunológico.
A promessa das células geneticamente editadas foi demonstrada em um estudo no ano passado. Pesquisadores transplantaram células editadas em um paciente com diabetes tipo 1 sem usar qualquer imunossupressor. O resultado: o paciente não apresentou resposta imune às células, que sobreviveram, secretaram insulina e melhoraram o controle glicêmico por 12 semanas.
O avanço mostra um caminho possível para superar um dos maiores obstáculos da medicina regenerativa.
De acordo com o artigo, células-tronco oferecem um kit de ferramentas extraordinário para a ciência e a medicina. Pesquisadores estão cada vez mais aptos a converter essas células pluripotentes em tecidos especializados, e os primeiros ensaios clínicos bem-sucedidos já são uma realidade. No entanto, as terapias ainda são experimentais e não foram aprovadas por órgãos reguladores como a Health Canada ou a FDA dos EUA. Pacientes devem ter cautela com tratamentos não aprovados e sempre consultar profissionais de saúde antes de participar de ensaios clínicos.
O progresso alcançado até agora traz esperança real de que, no futuro, terapias com células-tronco possam transformar a vida de milhões de pessoas que vivem com doenças crônicas como o diabetes tipo 1.
Por: José Carlos
Fonte: Olhar Digital