Além do conjunto de tarifas propostas na investigação da Seção 301 específica para o Brasil, informado em 1º de junho, o cálculo também considera um relatório divulgado pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação da Seção 301 referente ao trabalho forçado envolvendo cerca de 60 países. Neste segundo caso, a recomendação é a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos originários desses mercados, prevendo dois níveis de taxação: 10% e 12,5%.
O Brasil está incluído no grupo sujeito à alíquota mais elevada, segundo a Amcham. A instituição crava que, neste cenário, “torna-se ainda mais relevante avançar em uma solução negociada para a investigação da Seção 301 envolvendo especificamente o Brasil, de forma a evitar que as exportações brasileiras enfrentem condições de acesso menos favoráveis do que as de seus principais concorrentes no mercado norte-americano, especialmente em produtos industriais”.
A Amcham Brasil diz que seguirá apoiando o diálogo entre os dois governos e iniciativas que contribuam para o fortalecimento da parceria econômica bilateral.
De acordo com a entidade, a nova recomendação precisa ser analisada em conjunto com a investigação da Seção 301 aberta especificamente contra o Brasil. O relatório desse processo foi divulgado em 1º de julho.
Caso as duas medidas avancem, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%. Como resultado, o custo para acessar o mercado norte-americano deve aumentar.
Na avaliação da Amcham, o Brasil pode ficar entre os países com maior carga tarifária para exportar aos Estados Unidos. Além disso, o impacto tende a ser mais significativo para os produtos industriais.
Diante da possibilidade de novas barreiras comerciais, a Amcham afirmou que os governos precisam avançar nas negociações para solucionar a investigação da Seção 301 contra o Brasil.
Segundo a Amcham, um acordo entre os governos brasileiro e norte-americano pode evitar prejuízos às exportações do Brasil. Assim, a entidade afirma que a negociação impediria que os produtos brasileiros enfrentassem condições menos favoráveis do que as de seus principais concorrentes no mercado.
A Amcham também reforçou que continuará apoiando o diálogo bilateral e iniciativas voltadas ao fortalecimento da relação econômica entre os dois países.
Por: José Carlos