Economia NOVA SUÍÇA
BRASILEIROS ESTÃO COMPRANDO CARROS ATÉ 25% MAIS BARATOS NA NOVA SUÍÇA DA AMÉRICA DO SUL
CARROS FABRICADOS NO BRASIL CHEGAM MAIS BARATOS NO CONSUMIDOR DO PARAGUAÍ
09/06/2026 20h19
Por: Redação Fonte: acritica.com

Brasileiros estão comprando carros até 25% mais baratos na ‘nova Suíça’ da América do Sul

Brasileiros estão encontrando carros até 25% mais baratos na chamada “nova Suíça” da América do Sul, movimento que tem atraído cada vez mais compradores em busca de economia. Os preços reduzidos aparecem tanto em modelos populares quanto em veículos de luxo, criando um cenário que desperta interesse de quem deseja gastar menos.

O país citado é o Paraguai, onde anúncios de automóveis chamam atenção pela diferença em relação ao mercado brasileiro. Entre os exemplos mencionados está um Toyota Corolla 2008 anunciado por cerca de R$ 6 mil, além de uma Maserati Levante GT-Hybrid 2023 com 5 mil quilômetros oferecida por R$ 490 mil.

Segundo Adalmo Vaz, especialista em avaliações e negociações de carros de luxo, o mesmo modelo da Maserati dificilmente seria encontrado por menos de R$ 650 mil no Brasil. A diferença é explicada principalmente pelas condições de importação adotadas pelo país vizinho.

Como o Paraguai não possui uma indústria automotiva local relevante, as importações contam com menos barreiras e taxas consideradas baixas. Justamente por isso, veículos novos e usados costumam chegar ao consumidor com valores mais competitivos do que os praticados em território brasileiro.

Além dos preços, o país ganhou o apelido de “nova Suíça da América do Sul” por causa da estabilidade fiscal, dos impostos reduzidos e do ambiente favorável aos negócios. O sistema tributário conhecido como 10-10-10, a inflação controlada e o crescimento econômico acima da média regional ajudam a fortalecer essa imagem.

O que brasileiros precisam saber antes de trazer um carro

Apesar das oportunidades, existem regras para quem pretende utilizar no Brasil um veículo comprado e registrado no Paraguai. Rodrigo Malheiros, professor, consultor jurídico e sócio-proprietário da Marmo&Malheiros Advogados, explica que a circulação é possível por meio do regime de Admissão Temporária, mediante apresentação de documentos específicos, seguro Carta Verde e registro adequado na entrada do país.

Esse regime permite que o automóvel permaneça no Brasil por até 180 dias. No entanto, a fiscalização acompanha o prazo, verifica a finalidade de uso e pode apreender o veículo em caso de irregularidades. Também é proibido utilizar o carro para atividades comerciais ou realizar sua venda dentro do território brasileiro.

O Chevrolet Sonic, hatch fabricado no Brasil e recém-lançado, parte de R$ 129.990 no mercado nacional. No Paraguai, o mesmo carro é oferecido por US$ 19.900 — o equivalente a cerca de R$ 99,5 mil na cotação atual. A diferença supera R$ 30 mil, ou 23%.

No Fiat Argo, produzido em Betim (MG), a disparidade é ainda maior. No país vizinho, o modelo sai por US$ 11.990 (cerca de R$ 60 mil), contra R$ 96.980 no Brasil — redução de quase R$ 37 mil, ou 38%. Além disso, a versão de entrada vendida no Paraguai já traz itens como Android Auto e Apple CarPlay sem fio, equipamentos que no Brasil só aparecem em versões mais caras.

O Hyundai HB20, fabricado em Piracicaba, também ilustra o fenômeno: US$ 14.990 no Paraguai (aproximadamente R$ 75 mil) contra R$ 96.140 no Brasil, diferença superior a R$ 21 mil (22%).

A principal explicação está na tributação. Quando o veículo é exportado, ele deixa de carregar os impostos que incidem sobre as vendas no mercado interno brasileiro.

“A máxima da tributação internacional é a não exportação de impostos. Nesse sentido, os veículos exportados não são sujeitos à incidência dos tributos que mais pesam na carga tributária sobre veículo, isto é, IPI, ICMS, PIS e Cofins”, explica Gabriela Rosa, coordenadora jurídica e tributária na BMJ Consultores.

No Brasil, esses tributos — que podem representar cerca de 25% de IPI, 17% de ICMS e 11,6% de PIS/Cofins, dependendo do modelo — são embutidos no preço final pago pelo consumidor. “O consumidor interno paga todos esses tributos dispensados para a exportação”, completa a especialista.

No Paraguai, o carro passa a ser tributado pelo sistema local, mais simples e com carga menor. O país adota a lógica conhecida como “Triple 10”: 10% de IVA (equivalente ao imposto sobre valor agregado), 10% de Imposto de Renda Empresarial e 10% de Imposto de Renda Pessoal, além do ISSC (Imposto Seletivo ao Consumo), que varia conforme o produto.

Além da carga tributária elevada, o Brasil impõe custos adicionais relacionados à burocracia fiscal, obrigações acessórias, litigiosidade e complexidade operacional — o chamado Custo Brasil. “Isso gera custos administrativos e financeiros relevantes para toda a cadeia automotiva”, afirma Juliana Zobaran, advogada tributarista.

O Paraguai não possui uma indústria automotiva local relevante a proteger e depende de importados. Isso torna o mercado mais aberto e competitivo, incentivando as montadoras a praticarem preços mais agressivos para conquistar espaço. “A diferença de carga tributária entre os dois países é tão expressiva que já explica a maior parte da diferença de preços, mas o ambiente competitivo paraguaio empurra os preços ainda mais para baixo”, resume Gabriela Rosa.

Comprar no Paraguai e trazer para o Brasil, no entanto, não costuma compensar. Para nacionalizar o veículo, o consumidor precisa pagar Imposto de Importação de 35%, além de IPI, PIS/Cofins-Importação, ICMS, taxas, documentação aduaneira, homologação e registro. Para a maioria dos modelos populares, a conta não fecha.

 

Por: José Carlos