O Banco de Brasília (BRB) adotará medidas judiciais duras para buscar o ressarcimento e a punição de ex-administradores envolvidos nas irregularidades do chamado “caso Banco Master”.
A confirmação foi feita pelo atual presidente da instituição estatal, Nelson Antônio de Souza, durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Durante o depoimento aos senadores, o chefe do executivo do BRB assegurou que o banco ingressará com ações de irresponsabilidade civil contra todos os ex-gestores que participaram ou facilitaram as operações fraudulentas.
O atual comando enfatizou que nenhum dos investigados ou citados nos relatórios de auditoria integra a presente administração da estatal, de modo que a instituição agora colabora ativamente com os órgãos de controle para corrigir as severas vulnerabilidades herdadas de gestões anteriores.
A ofensiva jurídica fundamenta-se nos resultados de uma auditoria independente conduzida pela consultoria Kroll e pelo escritório de advocacia Machado Meyer.
O relatório final detalhou a participação de cerca de 30 gestores na aquisição de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas, vinculadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No total, a ingerência e as operações ruinosas provocaram perdas estimadas em R$8,8 bilhões para o banco mantido pelo governo do Distrito Federal.
Como desdobramento das auditorias e corregedorias internas, o BRB instaurou mais de 20 processos administrativos para apurar a conduta de funcionários de carreira, encaminhando também os casos dos dirigentes de alto escalão para a Corregedoria-Geral do Distrito Federal.
Paralelamente, o banco obteve o bloqueio judicial de 23,5% das ações da própria instituição que haviam parado nas mãos de fundos ligados ao grupo do antigo Banco Master e da gestora Reag, impedindo que os envolvidos no escândalo tivessem direito a voto ou controle sobre os ativos remanescentes.
As investigações ganharam tração nacional a partir da deflagração da Operação Compliance Zero, executada pela Polícia Federal, que culminou na prisão e no afastamento do ex-presidente da estatal, Paulo Henrique Costa.
A apuração policial identificou fortes pressões políticas e administrativas internas para a efetivação dos negócios nocivos com o grupo financeiro privado, que acabou sofrendo liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
Por: José Carlos