O novo registro é só o capítulo mais recente de uma disputa que começou com o fim da patente da semaglutida — substância por trás do Ozempic, usado no controle do diabetes tipo 2, e do Wegovy, voltado ao tratamento da obesidade, ambos da Novo Nordisk. Foi em março deste ano que o setor farmacêutico passou a disputar com força esse mercado — hoje um dos mais aquecidos da indústria, puxado pela popularização desses medicamentos.
Desde então, a EMS, com o Ozivy, e a Hypera, com o Semavy, já haviam conquistado registros no Brasil para versões sintéticas da molécula, aprovadas como medicamento novo, na categoria de análogo sintético, com nome comercial e preço livre dentro do teto regulatório.
Por ser genérico, o medicamento aprovado hoje pode substituir automaticamente o Ozivy — sua referência regulatória — no balcão da farmácia, sem necessidade de nova prescrição médica.
Lançado pela EMS, o Ozivy foi a primeira caneta de semaglutida sintética do país, aprovada em maio e disponível desde 15 de junho. Embora tenha a mesma substância ativa do Ozempic, a diferença está na fabricação: o Ozempic é um medicamento biológico, produzido a partir de processos que utilizam células vivas, enquanto o Ozivy é feito por síntese química, em laboratório, a partir de reações químicas controladas.
Essa intercambialidade automática do genérico é uma exigência regulatória: para receber o registro, a EMS precisou comprovar equivalência farmacêutica e bioequivalência em relação ao Ozivy, confirmado pela própria empresa à revista Veja como o produto usado nos testes.
O registro seguiu o procedimento simplificado de “clone” da Anvisa, modelo em que o novo medicamento aproveita a mesma linha de produção, composição e documentação técnica de um produto já registrado.
A caneta de semaglutida, substância usada para controlar a diabetes tipo 2 e, também, para a perda de peso, pode ficar mais barata no Brasil. Isso porque foi aprovado o primeiro genérico da substância, que será comercializado como equivalente do medicamento Ozivy, da EMS, a primeira caneta brasileira. Atualmente, a Ozivy custa R$ 333 pelo programa de fidelidade e, como os genéricos precisam ser pelo menos 35% mais baratos, a nova caneta pode chegar às farmácias por cerca de R$ 216.
Por: José Carlos