Geral PELE DE TILAPIA
BRASIL TERÁ 1ª FÁBRICA DO MUNDO DE CURATIVOS COM PELE DE TILÁPIA NO CEARÁ
BRASIL TERÁ PRIMEIRA FÁBRICA DO MUNDO DE PELE DE TILÁPIA PARA TRATAR QUEIMADURABrasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura Unidade no Ceará receberá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para uso médicoBrasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura Unidade no Ceará receberá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para uso médicoBrasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura Unidade no Ceará receberá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para uso médico
17/08/2026 21h33
Por: Redação Fonte: So noticia boa

Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura
Unidade no Ceará receberá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para uso médico
O Brasil deverá ganhar a primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial previsto de R$ 52 milhões. A tecnologia, desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC), transforma uma parte do peixe normalmente descartada pela indústria em curativo biológico para queimaduras e feridas de difícil cicatrização.
A primeira fábrica de curativos de pele de tilápia do Brasil será em Jaguaribara, Ceará. - Foto: Universidade Federal do Ceará.

Como mostrou o Só Notícia Boa, a tecnologia nasceu de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e transforma a pele do peixe, normalmente descartada pela indústria, em um curativo biológico potente, usado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O projeto industrial é conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical.

A expectativa é de que a unidade possa atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) e levar uma tecnologia brasileira desenvolvida no Ceará para outros países. “Isso vai ajudar muita gente”, disse o CEO da Inova Medical, Luciano Foianesi, ao O POVO.

Curativo brasileiro pode reduzir custos no SUS

A pele de tilápia funciona como um curativo biológico que adere à região lesionada e pode ser utilizada em queimaduras de segundo e terceiro graus.

Uma das vantagens é reduzir a necessidade de trocas frequentes de curativos, procedimentos que podem provocar dor e exigir uso de medicamentos fortes.

Segundo dados apresentados pela empresa responsável pelo projeto, a tecnologia pode proporcionar uma redução de 52% nos custos totais do tratamento de queimaduras, na comparação com o método convencional. A técnica também pode diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de levar repetidamente o paciente ao centro cirúrgico para troca de curativos.

Atualmente, o laboratório da UFC consegue preparar, em média, até 600 peles de tilápia por mês. A previsão para a nova fábrica é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil peles diariamente.

Hoje, o laboratório da UFC consegue processar, em média, até 600 peles de tilápia por mês, usadas em pesquisas e atendimentos específicos.

Com a fábrica, a escala será completamente diferente. A previsão é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de funcionamento comercial, com possibilidade de chegar a 12 mil peles diariamente em uma segunda fase de expansão.

Outra inovação será a forma de conservação.

Nova tecnologia

A nova tecnologia utiliza a liofilização, processo de desidratação que permite conservar o curativo sem refrigeração

De acordo com os responsáveis pelo projeto, o produto poderá ter validade de até três anos em temperatura ambiente.

Antes da aplicação, o profissional de saúde precisará apenas reidratar o material com solução fisiológica.

Fábrica deverá gerar 200 empregos no Ceará

Jaguaribara foi escolhida por estar próxima ao Açude Castanhão, uma das principais regiões produtoras de tilápia do Ceará.

A iniciativa ainda tem um benefício ambiental. A pele, que antes poderia ser descartada como resíduo da indústria de pescado, passa a ser matéria-prima para um produto de alto valor médico.

A fábrica deverá criar inicialmente 200 empregos diretos em Jaguaribara, além de movimentar outros setores da economia da região. Parte dos profissionais deverá receber capacitação técnica com participação da UFC e de instituições parceiras.

Previsão para começar a funcionar

O cronograma prevê que, a partir de outubro de 2026, sejam necessários entre 15 e 18 meses para concluir a fábrica, instalar os equipamentos e realizar a validação dos lotes piloto.

Se todas as etapas ocorrerem como previsto, a operação poderá começar em janeiro de 2028. A produção para uso comercial ainda dependerá das etapas regulatórias e sanitárias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

E a inovação brasileira poderá ganhar o mundo. México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia para pesquisas e futuras aplicações.

É ciência feita no Brasil transformando algo que antes era descartado em tecnologia capaz de aliviar a dor, reduzir custos e ajudar milhares de pacientes.

A fábrica de curativos de pele de tilápia em Jaguaribara, no Ceará, terá investimento de R$ 52 milhões e tecnologia desenvolvida pela UFC.- Foto: Karla Porto/Consórcio Biotec/Divulgação
 
 
Por: José Carlos