Política VOTO DE FIÉIS
UNIVERSAL VIRA ALVO DE DENÚNCIA AO MP POR “DESAFIO” PARA INFLUENCIAR VOTO DE FIÉIS
MÁQUINA DE ENGAJAMENTO ELEITORAL, ASSOCIAÇÃO DENUNCIA PROJETO DE 52 DFDIAS DA UNIVERSAL
19/08/2026 18h59 Atualizada há 1 hora
Por: Redação Fonte: almapreta.com.br

Universal vira alvo de denúncia ao MP por “desafio” para influenciar voto de fiéis
O “Desafio de Neemias” foi publicado no canal do bispo Alessandro Paschoall. Foto: Divulgação
A Igreja Universal do Reino de Deus virou alvo de uma representação no Ministério Público Eleitoral por causa do “Desafio de Neemias”, campanha de 52 dias que, segundo a Associação Movimento Brasil Laico, pode usar a estrutura religiosa para influenciar as eleições de 2026. O Ministério Público de São Paulo recebeu a denúncia e encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral. Com informações de UOL.
A entidade protocolou a representação na última sexta-feira (14) e pediu apuração sobre referências políticas presentes nos vídeos da campanha. O Movimento Brasil Laico sustenta que a iniciativa religiosa pode organizar, orientar e monitorar fiéis em benefício de candidatos ligados à igreja e ao Republicanos.
O desafio começou em 13 de agosto e termina em 4 de outubro, data do primeiro turno. Em vídeo gravado em Jerusalém, o bispo Alessandro Paschoal e sua mulher, Michelle, comparam a reconstrução dos muros da cidade bíblica à defesa atual da igreja, da família e de valores religiosos.

Paschoal menciona projetos em discussão na Câmara dos Deputados e afirma que eles sofrem oposição de “servos”. “Nós estamos em guerra. Guerra contra o mundo espiritual pelo reino de Deus”, diz o bispo, que também relaciona a campanha à situação política do país.

Em outro trecho, ele cita a abertura de templos durante a pandemia de covid-19 e defende a presença de “representantes do corpo de Jesus” na política. 

 “Se não tivéssemos representantes para brigar por esse direito da Constituição, os templos não teriam sido abertos”, afirmou.

A representação questiona ainda o formulário de inscrição do desafio, que solicita identificação facial, templo frequentado, bairro, cidade e estado. O documento aponta que 154 mil fiéis já estavam cadastrados até 4 de agosto e classifica a estrutura como uma possível “máquina de engajamento eleitoral”.

O Ministério Público de São Paulo informou que registrou uma Notícia de Fato Eleitoral, mas que não havia investigação em andamento na 1ª Zona Eleitoral. Como a denúncia trata das eleições gerais de 2026 e pode ter alcance nacional, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá fazer uma avaliação inicial e decidir sobre eventuais medidas.

Igreja Universal mobiliza fiéis para elegerem candidatos ligados à igreja

De acordo com a reportagem usada como base da representação, a prioridade da Igreja Universal é eleger, nas eleições de outubro, bispos e pastores que disputam vagas para deputado estadual e federal em diferentes estados.

A associação afirma que o “Desafio de Neemias” foi estruturado para durar 52 dias, com encerramento previsto para o primeiro turno

Para a entidade, a duração da campanha e a utilização da estrutura de comunicação e organização da igreja indicam uma estratégia de mobilização eleitoral.

“O que verificamos é a conversão de uma estrutura monumental de comunicação e organização religiosa em uma máquina de engajamento eleitoral”, afirma Leandro Patrício da Silva, diretor-presidente da Associação Movimento Brasil Laico.

A representação também cita declarações atribuídas ao bispo Renato Cardoso, apresentado pela entidade como segundo nome na hierarquia da Universal. 

O documento menciona uma fala segundo a qual seria “incompatível ser cristão e votar em partidos de esquerda”.

O documento menciona uma fala segundo a qual seria “incompatível ser cristão e votar em partidos de esquerda”.

Outro exemplo citado é uma mensagem enviada a fiéis em Goiás: “As muralhas de Goiás estão sendo construídas. Nós somos parte dessas muralhas. E você?”. Para a associação, a mensagem relaciona a metáfora utilizada na campanha religiosa à eleição de pastores candidatos.

 

Por: José Carlos