O ministro do STF André Mendonça foi desmascarado. O desmascaramento do “terrivelmente bolsonarista” pode decidir não só a eleição, mas o destino do Brasil.
O golpe tentado por Mendonça com a destituição do diretor-geral e de inteligência da PF para paralisar a corporação e esconder os crimes de Flávio Bolsonaro foi revertido pelo contragolpe do ministro Flávio Dino
Para piorar, neste país que esqueceu os crimes da ditadura e faz vista grossa para o desastre do período Temer-Bolsonaro, estamos diante de período eleitoral onde o resultado será determinado por decisões (de voto) tomadas em última hora, por pessoas desinformadas e que não querem se informar. E elas que vão definir o destino do Brasil.
Este drama é particularmente relevante porque tende a contribuir para a eleição de deputados e senadores sem compromissos com um projeto de nação soberana. Me refiro àqueles e aquelas candidatos/as que escondem o próprio passado, preferindo se identificar por palavras de ordem e mentiras preparadas com o cuidado dos sorrisos falsos em rostos plastificados das bandeirolas.
Daí a importância de repetir: os votos de pessoas indecisas, desinteressadas, desinformadas e que tendem a ser influenciadas pela manipulação das campanhas de marketing e pela pirotecnia dos escândalos, vão decidir o nosso futuro.
Isso não é novidade, mas vem sendo aprimorado pela extrema direita internacionalizada. Nós, que ainda não resgatamos os mortos da ditadura nem superamos os estragos causados pela Globo, com aquelas tubulações jorrando grana, com o sítio do pedalinho, o triplex e as denúncias compradas da Lava Jato, o empoderamento de Sergio Moro, o power point do Deltan Dallagnol e aquela facada que elegeu o Bolsonaro… agora nos deparamos com o ministro André Mendonça e sua aptidão para construções incomparavelmente criativas.
No todo, vivenciamos ampla sucessão de circos de grandes espetáculos planejados para distrair, capturar, induzir e justificar o esfacelamento de projetos de nação soberana. O antipetismo, que já prosperou na forma de anticomunismo, antigetulismo, antibrizolismo e até mesmo como antitancredismo, não passa de mais uma das mitologias criadas por aqueles que pretendem se aproveitar da ignorância dos desinformados, a respeito do que está em jogo nos processos eleitorais. Infelizmente suas dramatizações prosperam exatamente porque têm se revelado bem-sucedidas e, portanto, de utilidade para bloquear o desenvolvimento deste país.
As atitudes do ministro Mendonça reforçam aquele sentimento amargo de que, por apatia da sociedade, espaços de enorme relevância em nossa república estão ocupados por indivíduos dispostos a operar (no interesse e com apoio de forças externas ao Brasil) para alimentar sensações de ódio, no povo, contra tudo que possa ser midiaticamente associado a um projeto de país soberano, como este buscado pelo governo Lula.
Se trata de ocultar realizações (A) e dar onipresença a outros assuntos, garantindo a proteção de criminosos, corruptos, golpistas, vendilhões da pátria e canalhas em geral, de maneira a estender suas influências através do empoderamento de seus assemelhados, que aí estão pedindo a confiança e os votos dos desinformados, para destruir a nação.
É por causa de sucessos anteriormente alcançados ocultando os fatos, negando a realidade e potencializando a atratividade das fantasias, durante os brevíssimos períodos eleitorais, que eles fazem o que fazem. Confiam que bastará isso para assegurar os votos que pavimentarão o futuro que pretendem construir, contra todos nós.
Mas se enganam em relação à nossa apatia. Afinal neste momento existem redes de comunicação alternativas empenhadas em desmistificar suas construções midiáticas mentirosas, e se torna impossível abafar a realidade. E assim como o esquecimento sempre trabalhou a favor deles, a memória é nossa maior aliada e com ela somos, no presente, nosso passado fazendo o futuro. Sankofa, é o símbolo ancestral de matriz africana, que trata disso e que recomenda avançar, sem descuidar do passado.
Nem uma referência ao enriquecimento ilícito. Nada de concreto sobre o programa de governo (vai cortar despesas e ministérios? Onde? Quais? Quanto?) e, principalmente, total aceitação e validação de mentiras. As enchentes, as chuvas de pedra, as secas de rios, as quebras de safras agrícolas, ele afirmou que vai controlar investindo no saneamento básico.
Como não enxergar naquela sabatina ridícula a presença de acobertadores de crimes semelhantes aos que levaram à morte de Zumbi, ao esquartejamento de Tiradentes, à venda da Vale do Rio Doce, ao impeachment da Dilma, à prisão do Lula, ao esfacelamento de setores da indústria nacional, e aos milhares (mais de 2 milhões segundo alguns) de vitimados pela covid?
E agora, aí estão aqueles mesmos interesses, incensando o Ministro Mendonça e fomentando suas ações, aparentemente destinadas a fomentar discussões que roubarão do país aquele tempo escasso e necessário para desmascaramento do passado, do presente e do futuro pretendido para todos nós, pelo Flávio Bolsonaro e seus apoiadores, caso eleitos.
Vou fazer um resumo, para registro, do que sabemos hoje (09 setembro). Tudo pode mudar antes da publicação deste texto, mas por hora esta é o que temos:
1 – No dia 6 de setembro o Ministro André Mendonça, atendendo demanda do Partido Novo, decidiu afastar o titular da PF, Andrei Rodrigues e o chefe da inteligência policial, delegado Leandro Almada. Encaminhou a decisão para referendo da primeira turma do STF onde, em poucos minutos, obteve adesão dos Ministros Fuchs e Kássio Marques. Estava assegurada a maioria de 3 votos em 5. Então, o Ministro Gilmar Mendes pediu vistas e retirou o processo da pauta de deliberações, afirmando que se tratava de questão a ser julgada no pleno, por todos os ministros.
Comentário – A decisão de Mendonça, com anuência de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques corresponderia a interferência do poder judiciário sobre o executivo. Vale lembrar que Sérgio Moro teria saído do Ministério da Justiça porque o Bolsonaro pai teria decidido, para salvar o filho Flávio Bolsonaro de crime denunciado (rachadinhas), mudar o delegado, o chefe, o superintendente e se fosse o caso, o Ministro. André Mendonça assumiu aquele Ministério e talvez por isso, hoje, para inveja do Moro, está no STF. Coincidência? Não vem ao caso. O fato é que esta última decisão de Mendonça ao mesmo tempo em que impedia ação da polícia federal, em um caso determinado, também inviabilizava a continuidade de outros processos em andamento no STF, comprometendo trabalhos sob responsabilidade de outros juízes. Para que se tenha uma noção de sua amplitude, onze delegados colocaram os cargos a disposição, parando tudo.
2 – No dia 9 de setembro o Ministro Flávio Dino suspendeu a decisão do ministro Mendonça, reintegrando os servidores e esclarecendo falhas graves que se somam ao já comentado e que se estendiam especificamente a processo sob sua (do ministro Flávio Dino) responsabilidade. Havia atropelamento a decisão do presidente do STF (que haveria chamado a si em todos os casos de Mendonça e Alexandre de Moraes), havia incompetência administrativa (o fato não admitia decisão monocrática), haveria erro de avaliação (o Partido Novo, atendido pela decisão de Mendonça, além de interessado não era parte do processo), haveria interferência sobre autonomia de outro poder (cabe ao executivo nomear e destituir membros da PF) … Além disso tudo, segundo Dino, Mendonça poderia ter interesses particulares atendidos pela suspensão de pesquisas desenvolvidas pela PF, relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, com quem teria se encontrado pessoalmente em local privado, para tratar de assuntos privados, sem a presença da PF, após todos saberem da crise do Banco Master. Ademais, possivelmente poderia haver relação entre aquela decisão do Mendonça e os 61 milhões pedidos ao Vorcaro por Flávio Bolsonaro, para financiar o filme sobre seu pai, envolvendo contrato prometido há meses e nunca visto. Afinal os delegados em questão seriam responsáveis pela prisão de Vorcaro. Aliás eles também seriam responsáveis pela prisão de operadores financeiros do CONAFER, ligados à a fraude do INSS e posteriormente liberados por decisão de Mendonça.
Chama atenção o fato de que reempossados os delegados foi deflagrada (dia 10 de setembro) ampla operação policial previamente planejada e que, sem a decisão do ministro Flávio Dino, possivelmente teria sido abortada. Este é um resumo muito simplificado, que pode ser resumido a um fato: de maneira atrapalhada, que ainda dará muito o que falar, o Ministro Mendonça conseguiu tumultuar o processo eleitoral, prejudicando o projeto de Lula e alavancado as pretensões de Flávio e descredibilizando o STF.
Deu certo, não se fala de outra coisa. Todas as mídias deixaram de dar atenção aos debates de projetos de governo, e o que está em jogo nestas eleições saiu da vista dos indecisos. Foi silenciado em seus corações e mentes algo essencial para o futuro do Brasil: seus votos terão consequências que já estão desenhadas.
Os âncoras das grandes redes estão criticando Flávio Dino e incensando Mendonça que se lamenta como paladino que estaria sendo perseguido porque se empenha na luta do bem contra o mal. E o mal, no caso dele, não está representado por quem julga em causa própria, enfraquece a república, corrói a confiabilidade do STF e contribui para o esfacelamento da credibilidade das instituições e do destino do Brasil.
No fim das contas, tudo isso poderá vir a ser esquecido após as eleições. E neste momento o problema está nas mãos do Ministro Fachin, que foi admirado por muitos de nós (eu junto) até a comemoração do lavajatista Dallagnol, com aquela frase inaceitável: “Ahá. Uhu. O Fachin é nosso”.
Resta esperar, para ver o que Fachin fará, na condição de presidente do STF e o que farão a seguir os bolsonaristas André Mendonça e Kassio Nunes Marques, na condição de presidente e vice-presidente do Supremo Tribunal Eleitoral.
Mas hoje, para não desanimar nem perder o rumo do que nos cabe fazer, resta entender que podemos reagir aos movimentos dos poderosos, em relação aos votos dos eleitores desinformados e indecisos. Afinal, são eles que estão em disputa.
Se trata de agir para despertar a atenção de muitos daqueles desinformados, e com isso impedir a eleição, tanto do pior dos Bolsonaros como também de seus assemelhados, que escondem quem são enquanto concorrem a funções auxiliares de projeto contra o Brasil.
Não temos a Rede Globo, nem as gigantes do mundo virtual das prestidigitações algorítmicas. Mas a realidade e as mídias responsáveis estão conosco. E com elas podemos ocupar as ruas e contagiar nossas cidades com a alegria que nos anima. Onde houver possibilidade de conversar, visitar, esclarecer, faremos isso. Onde não, bastarão nossos cantos e nossa presença, representações daquele Brasil alegre, encantado, divertido e confiante no futuro. Pedir votos, sim, com o otimismo que queremos despertar nos desanimados e com a certeza de o amor atrai, reavivaremos a memória do Brasil que merecemos e que eles, façam o que fizerem, não conseguirão apagar.
Por: José Carlos