Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina experimental que poderá ser tomada apenas 30 minutos antes da relação sexual. O medicamento tem potencial para impedir a fecundação durante seis a oito horas, sem o uso de hormônios.
A novidade foi desenvolvida por pesquisadores da Weill Cornell Medicine e representa mais uma possibilidade para dividir a responsabilidade pela contracepção entre homens e mulheres. A proposta é que, após algumas horas, a fertilidade masculina volte ao normal, de acordo com a Agência Aids.
Os resultados iniciais foram obtidos em animais, e o medicamento ainda não está disponível para uso. Agora, os cientistas receberam US$ 8,2 milhões em financiamento para realizar estudos de segurança e avançar em direção aos primeiros testes em seres humanos.
De acordo com os pesquisadores, a pílula atua desativando uma enzima chamada adenilil ciclase solúvel (sAC). Essa enzima encontra-se no interior do espermatozoide e é essencial para que o espermatozoide nade e continue seu processo de maturação após ser ejaculado pelo homem no trato reprodutivo da mulher.
A desativação dessa enxima faz com que os espermatozoides não consigam nadar profundamente pelo trato reprodutivo feminino para fecundar um óvulo. De acordo com os pesquisadores, a grande vantagem dessa estratégia é seu efeito rápido.
Jean-Ju Chung, professor associado de fisiologia celular e molecular da Universidade de Yale, explicou à Newsweek que “quase todos os métodos contraceptivos masculinos desenvolvidos até agora têm como alvo a produção de espermatozoides; como a espermatogênese humana leva cerca de dois meses e meio, esses métodos demoram semanas para fazer efeito e semanas para serem revertidos”. Já os inibidores de sAC, atuam sobre os espermatozoides que já existem, o que torna o efeito “rápido, de curta duração e totalmente reversível”.
Até o momento, nos estudos realizados com animais, “nenhum efeito colateral” foi observado, afirmaram os dois farmacologistas. No entanto, o método ainda precisa ser testado em seres humanos. Recentemente, a equipe recebeu um financiamento multimilionário do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD) dos EUA para testar a pílula.
A expectativa da equipe é conseguir testar a pílula em homens em menos de dois anos, após o composto passar por testes extensos em animais.
Por: José Carlos