Geral LUTO PET
PERDER UM PET PODE DOER MAIS DO QUE PERDER UMA PESSOA
A DOR OU PERDA DE UM PET É REAL
02/11/2026 11h09 Atualizada há 6 horas
Por: Redação Fonte: diariodopará.com.br

Perder um pet pode doer mais do que perder uma pessoa, revela estudo

Psicóloga explica por que a perda de pets provoca um luto muitas vezes ignorado pela sociedade.

A morte de um cachorro ou gato pode provocar uma dor tão intensa quanto a perda de uma pessoa querida. Apesar disso, o sofrimento de quem perde um animal de estimação ainda é frequentemente minimizado, fazendo com que muitos tutores enfrentem o luto sem acolhimento.

O assunto ganha destaque nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, data em que milhões de brasileiros visitam cemitérios para homenagear familiares e amigos que morreram. Para quem perdeu um pet, porém, nem sempre existe espaço para expressar a saudade.

Cães não conseguem expressar sentimentos com palavras. Ainda assim, eles encontram outras formas de demonstrar amor e carinho no dia a dia.

Segundo a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, esse sofrimento é conhecido na Psicologia como luto não reconhecido.

“Na Psicologia, o luto que a sociedade não valida é chamado de luto não reconhecido, e a literatura científica descreve a morte de um animal de estimação como um exemplo desse fenômeno”, explica a especialista.

Estudo aponta intensidade da dor pela perda de um pet

Uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One, conduzida pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, ouviu 975 adultos do Reino Unido.

Entre os participantes que já haviam perdido tanto um animal de estimação quanto uma pessoa próxima, 21% disseram que a morte do pet foi a experiência mais dolorosa que já enfrentaram.

“O achado mais importante, porém, foi outro: os sintomas de luto prolongado se organizaram da mesma maneira, fosse a perda de um animal ou de um ser humano”, destaca Juliana.

Apesar disso, os manuais diagnósticos internacionais CID-11 e DSM-5-TR reconhecem o transtorno do luto prolongado apenas quando a morte envolve uma pessoa.

Para onde vão os animais após a morte?

No Dia de Finados, a saudade também desperta questionamentos sobre o destino dos animais de estimação após a morte. Para a psicóloga, não existe uma resposta única, já que a interpretação depende das crenças e da espiritualidade de cada tutor.

Uma revisão sistemática publicada na revista Omega, que reuniu 36 estudos sobre a relação entre tutores e animais após a morte, também ajuda a compreender como esse vínculo permanece.

“Não existe uma crença correta para atravessar o luto. Existe a necessidade de que a pergunta sobre o destino do animal seja escutada, em vez de respondida às pressas com um ‘era só um bicho’ ou com uma promessa vazia”, afirma Juliana.

Lembranças podem ajudar a enfrentar o luto

Manter uma conexão afetiva com o animal que morreu, fenômeno conhecido na literatura como vínculos contínuos, pode ter efeitos diferentes durante o processo de luto.

De acordo com a revisão científica, lembranças e sonhos com os animais ajudaram alguns tutores a se sentirem menos sozinhos.

“Quando a saudade, depois de meses, continua impedindo a pessoa de trabalhar, dormir ou conviver, é hora de procurar ajuda profissional”, orienta a especialista.

Juliana também alerta que comentários que diminuem o vínculo entre tutores e animais, inclusive por parte de profissionais de saúde e veterinários, podem intensificar o sofrimento de quem enfrenta essa perda.

Pesquisa aponta semelhanças entre luto por pets e por pessoas

O estudo conduzido pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, ouviu 975 adultos do Reino Unido e investigou os sintomas de luto prolongado após a morte de animais e seres humanos.

Além do dado sobre os 21% que consideraram a morte de um pet a experiência mais dolorosa, a pesquisa identificou uma semelhança importante: os sintomas de luto prolongado se organizaram da mesma maneira nos dois tipos de perda.

Apesar disso, os principais manuais diagnósticos utilizados internacionalmente não reconhecem o transtorno do luto prolongado após a morte de um animal. Tanto a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) quanto o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) restringem esse diagnóstico à morte de uma pessoa.

 

Por: José Carlos