A movimentação ocorre no mesmo momento em que o PL oficializa Marinho como seu candidato ao comando do Senado. Enquanto a legenda tenta consolidar apoio em torno do senador potiguar, Alcolumbre trabalha para abrir uma divisão na bancada e conquistar votos individualmente. A escolha de Gomes para a relatoria da LDO amplia o espaço de negociação com um parlamentar que já discute sua transferência para outra legenda.
A possível mudança partidária foi revelada com exclusividade por este site na segunda-feira (2). Durante o programa Alive, Claudio Dantas informou que Eduardo Gomes negociava sua saída do PL para ingressar no PSD, partido comandado por Kassab.
Na terça-feira (3), o site revelou novos detalhes da articulação. Uma reunião realizada na semana passada, em São Paulo, reuniu Gomes, Kassab, o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro José Dirceu (PT), o empresário Nelson Jobim, Johnny Saad, Heráclito Fortes e José Carlos Aleluia. Entre os assuntos discutidos estava a transferência do senador para o PSD e a construção de uma alternativa à candidatura de Marinho.
A negociação partidária ocorre em paralelo à aproximação de Gomes com Alcolumbre. A relatoria da LDO coloca o senador do PL no centro das discussões sobre as regras de elaboração e execução do Orçamento federal. Nos bastidores, a escolha é vista como mais um movimento para conquistar a adesão de parlamentares que podem se afastar da candidatura oficial do PL.
Caso confirme a saída da legenda e se alinhe ao projeto de reeleição de Alcolumbre, Gomes deixará de integrar a articulação partidária construída em torno de Marinho. A eventual mudança também deverá aprofundar o desgaste com setores do PL, que já veem a negociação como uma ruptura de compromisso com o partido que o elegeu.
Alcolumbre aposta em dissidências do PL
A relatoria da LDO é uma das posições de maior influência na tramitação do Orçamento. O projeto estabelece metas fiscais, prioridades e parâmetros para os gastos do Executivo no ano seguinte. O relator negocia alterações no texto e apresenta um parecer à Comissão Mista de Orçamento (CMO), antes da votação no Congresso.
A escolha de Gomes ocorre em um momento decisivo para a sucessão no Senado. Alcolumbre pretende permanecer no comando da Casa e precisa reunir apoio além de sua própria legenda. Como a votação é secreta, o presidente busca adesões individuais, inclusive entre integrantes da oposição.
O PL, por sua vez, oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho. O senador do Rio Grande do Norte volta a disputar a presidência da Casa, agora com o respaldo formal da maior bancada do Senado na próxima legislatura e o apoio do Novo.
A movimentação de Alcolumbre sobre parlamentares do PL representa um obstáculo à estratégia de Marinho de unificar a oposição em torno de seu nome. A possível transferência de Gomes para o PSD, somada à participação do senador nas articulações orçamentárias conduzidas pelo atual presidente, expõe uma frente de dissidência dentro da legenda.
Reunião com Kassab, Temer e Zé Dirceu antecipou articulação
A aproximação de Gomes com o PSD não surgiu apenas com a indicação para a LDO. Como revelou este site, a possibilidade de mudança partidária já estava na mesa durante o encontro realizado em São Paulo na semana passada.
A reunião reuniu representantes de diferentes correntes políticas e do setor empresarial. A discussão sobre a ida do senador para o PSD ocorreu no contexto da sucessão no Senado e da tentativa de construir uma alternativa capaz de dividir os votos da direita na disputa contra Alcolumbre.
O próximo passo da articulação envolve justamente a relação com o atual presidente da Casa. A negociação partidária e a concessão de espaço na agenda orçamentária aproximam Gomes de um projeto que concorre diretamente com a candidatura oficial de seu partido.
LDO pode ampliar controle do Congresso sobre gastos
A relatoria dá a Gomes participação direta nas negociações sobre o projeto enviado pelo governo. Cabe ao relator discutir alterações e apresentar um parecer, que ainda precisa passar pela Comissão Mista de Orçamento e pelo plenário do Congresso.
Em anos anteriores, parlamentares utilizaram a LDO para estabelecer regras de pagamento de emendas e prazos para a liberação de recursos. Os dispositivos podem limitar a margem de decisão do Executivo sobre a execução orçamentária.
Governo Lula terá de negociar regras fiscais com senador oposicionista
A participação de Eduardo Gomes na elaboração da LDO de 2027 exigirá do governo federal uma interlocução direta com um parlamentar da oposição em uma etapa decisiva da definição das regras orçamentárias.
A capacidade do Executivo de executar suas prioridades dependerá, em parte, das condições aprovadas pelo Congresso, especialmente em temas relacionados às metas fiscais, à programação de despesas e ao pagamento de emendas parlamentares.
Ao mesmo tempo, a proximidade de Gomes com Alcolumbre poderá influenciar a condução das negociações, uma vez que o senador mantém canais de diálogo com diferentes setores políticos.
A escolha reforça o peso das articulações parlamentares sobre a política fiscal e demonstra como a disputa pela presidência do Senado pode interferir na distribuição de posições estratégicas para a elaboração do Orçamento federal.
Por: José Carlos