Edir Macedo, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, dona da TV Record, vendeu o banco Digimais, que pertenceu à Renner, para Maurício Quadrado (foto em destaque), executivo que deixou recentemente a sociedade do Banco Master. A conclusão do negócio depende de aprovação do Banco Central (BC)
Se confirmada a venda, a estimativa é de que Quadrado invista cerca de R$ 800 milhões na capitalização da instituição financeira. Com isso, ela acumulará R$ 2 bilhões em patrimônio líquido. O Digimais tem cerca de 100 mil clientes e R$ 9,1 bilhões de ativos com operações concentradas em crédito consignado e financiamento de veículos usados
Descubra o que levou Edir Macedo a considerar a venda do Banco Digimais após décadas de envolvimento. Entenda as transformações da instituição financeira, os desafios enfrentados e como a digitalização pode ser a chave para seu futuro. Com um legado de quatro décadas, o banco apresenta um potencial atrativo para investidores, mas será necessária uma gestão eficiente diante dos desafios financeiros recentes. A possível venda marca o fim de uma era sob o controle de Macedo, trazendo reflexões sobre a fidelidade dos fiéis e a concorrência crescente no mercado. Explore essa história intrigante e as perspectivas para o Banco Digimais.
Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do Grupo Record, está considerando a venda do Banco Digimais, uma instituição financeira voltada para crédito consignado e financiamento de veículos. Conforme publicado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, após mais de uma década de envolvimento com o banco digital, Macedo busca agora potenciais interessados na aquisição da operação.
O Banco Digimais, anteriormente conhecido como Banco Renner, foi fundado em 1981 pela família Renner, na cidade de Porto Alegre. A instituição cresceu consideravelmente quando o Grupo Record, controlado por Macedo, adquiriu 40% de suas ações em 2009. Nos anos seguintes, um ajuste na legislação brasileira permitiu que a participação acionária de Edir Macedo aumentasse para 49%. Em 2020, ele adquiriu mais um percentual, atingindo 51% e assumindo o controle total do banco. Vale ressaltar que tanto Edir Macedo quanto sua esposa, Ester Bezerra, são considerados investidores estrangeiros, devido ao fato de terem domicílio no exterior. A venda do Banco Digimais trará mudanças no modelo de negócios do banco.
Uma mudança importante ocorreu em julho de 2020, com a rebranding do banco, dissociando-o de seus antigos proprietários e da varejista Renner. O Banco Central oficializou essa transformação com o registro no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), marcando o nascimento do Banco Digimais que Macedo está vendendo.
Atualmente, o Banco Digimais é uma instituição estabelecida no mercado, com sete filiais em três estados brasileiros e uma base de mais de 100 mil clientes. A operação é administrada por uma equipe de cinco diretores, incluindo membros do Grupo Record, o que reforça o envolvimento do conglomerado midiático no banco.
O principal foco do Banco Digimais é o crédito consignado e o financiamento de veículos, dois setores com crescimento estável no Brasil. Além disso, a instituição oferece diversos serviços financeiros, como contas-correntes, cartões, câmbio e investimentos, consolidando-se como um player no mercado financeiro brasileiro. A venda do Banco Digimais poderá influenciar diretamente seus produtos e operações.
Nos últimos anos, porém, a lucratividade do banco tem apresentado oscilações. Em 2016, o Digimais atingiu um lucro recorde de quase R$ 1 bilhão, mas desde então, seus resultados financeiros variaram, com grandes lucros seguidos de prejuízos consideráveis.
Os resultados financeiros recentes do Banco Digimais indicam os desafios enfrentados pela instituição. No segundo trimestre de 2023, o banco registrou um prejuízo de R$ 28,1 milhões, em contraste com o lucro de R$ 50 milhões no primeiro trimestre do mesmo ano. Essa volatilidade financeira tem sido um dos fatores que levou Edir Macedo a considerar a venda do Banco Digimais para estabilizar suas operações.
Veja a seguir uma tabela resumida dos resultados financeiros do Banco Digimais nos últimos trimestres.
Como o Grupo Record e Edir Macedo são os principais controladores do Banco Digimais, uma eventual venda de ativos pode impactar significativamente o fluxo de caixa e o balanço financeiro do conglomerado de mídia. Se a transação financeira gerar capital suficiente, este poderá ser reinvestido na Record ou em outros negócios de Macedo. Contudo, os prejuízos recentes podem reduzir o valor da venda do Banco Digimais em uma transação futura.
O Banco Digimais, com uma trajetória de quatro décadas, apresenta um potencial atrativo para investidores interessados no setor de crédito consignado e financiamento de veículos. No entanto, os desafios financeiros recentes exigirão uma gestão eficiente por parte dos novos controladores. A digitalização dos serviços financeiros pode ser uma estratégia promissora para revitalizar o banco e garantir sua relevância no mercado de capitais. A venda do Banco Digimais servirá para alinhar melhor esses objetivos.
“A possível venda do Banco Digimais marcará o fim de uma era sob o controle de Edir Macedo, já que a instituição fazia parte do ecossistema da Igreja Universal, oferecendo produtos financeiros voltados para os fiéis. No entanto, pelos dados financeiros e diante da concorrência crescente, parece que a fidelidade dos fiéis ao banco não é mais a mesma desde que o bispo também se tornou banqueiro. “, comentou Jackson Pereira Jr., articulista de negócios do Economic News Brasil.
Maurício Quadrado, de acordo com o LinkedIn do executivo, atuou como diretor de mercado de capitais do Bradesco, onde foi responsável pela oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) de empresas brasileiras. Ele coordenou o processo que resultou na primeira companhia nacional a ter ações listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), a Aracruz Papel e Celulose.
Ainda no LinkedIn, Quadrado informa que integrou o grupo que liderou diversas privatizações durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com destaque para a desestatização da Vale.
Entre 2002 e 2007, o executivo esteve à frente da corretora Planner. Depois que vendeu sua participação no Master para Daniel Vorcaro, em setembro do ano passado, Quadrado ficou com o Letsbank, subsidiária do Voiter (antigo Indusval), comprado pelo próprio Master no início de 2024.
O executivo criou o BlueBank, na Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo, onde atua e do qual fazem parte as gestoras Macam e MAM, além das administradoras Trustee e CM Capital. A nova aquisição de Quadrado, o banco Digimais, é controlado pela BA Empreendimentos e Participações, que pertence a Edir Macedo