CULINÁRIA JAPONESA
JAPÃO VIVE CRISE INÉDITA DE ARROZ, BASE DE SUA CULINÁRIA
JAPÃO VIVE CRISE INÉDITA DE ARROZ BASE DE SUA CULINÁRIA
26/02/2025 19h29 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Jose Carlos

Japão vive crise inédita do arroz, base de sua culinária

O governo teve de abrir estoques reguladores pela primeira vez na história, e o preço do produto acumula alta de 71% em janeiro.

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O Japão, país cuja famosa culinária tem no arroz sua principal base, vive uma crise inédita de abastecimento do grão. O governo teve de abrir estoques reguladores pela primeira vez na história, e o preço do produto acumula alta de 71% em janeiro, comparado ao mesmo mês de 2024.

O Ministério da Agricultura anunciou na sexta (21) que irá colocar no mercado até março 210 mil toneladas de arroz de seu estoque de 1,1 milhão de toneladas.

A saca de 5 kg do produto plantado no Japão custa hoje, segundo a pasta, 3.688 ienes, ou R$ 142 no câmbio desta segunda (24). É o mais alto preço desde o desastre nuclear de Fukushima, que abalou cadeias produtivas em 2011. No Brasil, a mesma quantidade de arroz comum sai por valores de R$ 25 a R$ 35, dependendo da qualidade e do local de venda.

O efeito cascata já se faz sentir nas tradicionais lojas de conveniência japonesas, onde os moradores não raramente fazem suas refeições mais rápidas. Segundo o diário Yomiuri Shimbun, a inflação do onigiri, a clássica bola de arroz glutinoso envolta por alga seca chegou a 9,2% em janeiro

Já o sushi, o mais notório representante da cozinha japonesa, viu um aumento de 4,5% nos restaurantes. A situação é agravada pela inflação de outros alimentos, particularmente vegetais importados da China devido a uma quebra de safra, e o índice geral de preços está em 4% ao ano -mais que o dobro que o usual, numa economia de baixo crescimento.

Há motivos pontuais e estruturais para atual crise. De forma mais imediata, ela foi causada pelo clima seco, que afetou a safra do verão do Hemisfério Norte no país em 2024, reduziu estoques e impactou no preço a partir de novembro.

Usualmente, os preços voltariam ao normal, mas a persistência decorre por flutuações no suprimento e na demanda. Segundo o ministério, o grande influxo de turistas nos meses anteriores ao inverno ajudou a elevar a inflação do arroz, dado o alto consumo de iguarias japonesas.

Isso levou a um movimento especulativo nas lojas, que elevaram preços ao consumidor, e entre os fazendeiros, que buscaram segurar o produto para aumentar sua margem de ganho.
Subjacente a tudo isso, segundo a analista Victoria Herczegh, da consultoria americana Geopolitical Futures, há questões de fundo do processo produtivo, a começar pela queda histórica no consumo de arroz no país com sua abertura no pós-guerra.

Em 1962, o consumo per capita do grão era de 118 kg por japonês. Em 2022, havia caído para 51 kg. Desde os anos 1970, escreve Herczegh, o governo busca restringir a produção a fim de manter o nível dos preços e o lucro dos fazendeiros.