O bispo Bruno Leonardo, líder da Igreja Batista Avivamento Mundial e fenômeno nas redes sociais, foi citado em um relatório da Polícia Federal no âmbito da operação Mafiusi, que apura um esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), destaca o Metrópoles.
Com 50,9 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, onde publica mensagens diárias de cunho religioso, Bruno Leonardo figura entre os maiores influenciadores digitais do país. O alcance do bispo nas redes não se limita ao YouTube. No Instagram, sua conta soma 9,8 milhões de seguidores — número expressivamente maior que o do perfil oficial da sua igreja, que tem cerca de 550 mil seguidores. Em suas postagens, Bruno Leonardo costuma divulgar orações, mensagens de fé e até mesmo pedidos de doação, indicando a chave Pix da igreja.
Milhões em doações e eventos grandiosos
Além da presença digital, o bispo organiza grandes eventos pelo país, que reúnem milhares de fiéis em estádios e arenas. Em uma dessas ocasiões, no final de janeiro, em São Luís (MA), ele anunciou uma doação de R$ 500 mil a um hospital do câncer. Em outra, afirmou que repassaria R$ 2 milhões a um hospital, verba que teria origem no dízimo dos fiéis. “O valor é proveniente do dízimo pago à igreja pelas ‘ovelhas queridas’”, disse.
O evento mais recente divulgado por ele ocorreu em Salvador (BA), cidade onde a sede da Igreja Batista Avivamento Mundial está localizada. No fim de 2024, um dos encontros aconteceu em Minas Gerais e foi realizado dentro de um estádio.
Citação em investigação da PF
Apesar da fama religiosa, o nome de Bruno Leonardo apareceu em documentos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no bojo da operação Mafiusi. A investigação mira Wiilian Barile Agati, apontado como integrante da cúpula do PCC e operador de confiança da facção.
A PF identificou uma rede de empresas usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Uma delas, a Starway Locação de Veículos, recebeu sete transferências da igreja do bispo, totalizando R$ 2,2 milhões entre 2021 e 2022. O relatório aponta que, apesar dos valores expressivos, não foram localizadas notas fiscais que justificassem as operações.
O bispo Bruno Leonardo Santos Cerqueira não é formalmente investigado. Seu nome aparece citado em função das movimentações financeiras realizadas pela igreja sob sua liderança.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) apontaram transações suspeitas entre a Igreja Avivamento Mundial, do bispo Bruno Leonardo Santos Cerqueira, e uma empresa investigada por ligação com Willian Barile Agati, apontado como integrante do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com documentos da Operação Mafiusi, a igreja do bispo, fenômeno nas redes sociais, transferiu R$ 2,225 milhões para a empresa Starway, em sete operações realizadas entre agosto de 2021 e abril de 2022.
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As autoridades não encontraram notas fiscais que justificassem as movimentações financeiras, levantando a suspeita de que a empresa seria uma fachada usada para lavagem de dinheiro.
Apesar disso, o bispo não é investigado formalmente no caso. Seu nome aparece apenas citado no relatório da investigação, que tem como alvo Willian Barile Agati, apontado como facilitador de operações da cúpula do PCC e integrante de um grupo ligado ao tráfico internacional de drogas.
Em seus vídeos, Bruno costuma chamar os fiéis de “ovelhas queridas” e já anunciou doações milionárias a hospitais. Em um evento, declarou a doação de R$ 2 milhões a uma instituição de saúde, dizendo que o valor foi arrecadado com o dízimo dos fiéis. Em janeiro de 2025, em São Luís, anunciou mais uma doação — desta vez, de R$ 500 mil a um hospital do câncer —, recebendo aplausos do público.
Com sede em Salvador (BA), a Igreja Avivamento Mundial, alvo de investigação, realiza grandes eventos em diversas cidades. Em 2024, um deles lotou um estádio em Minas Gerais. Quatro dias atrás, o bispo publicou imagens de outro evento realizado na capital baiana.
Após a repercussão do caso, Bruno Leonardo publicou um vídeo em que afirma que a igreja comprou veículos da empresa investigada em 2021 e que há notas fiscais da transação. Ele também alegou perseguição e fez uma comparação com a compra de alimentos doados ao Rio Grande do Sul, em 2024.Bispo Bruno Leonardo Santos Cerqueira: ele acumula 50 milhões de inscritos no YouTube e quase 10 milhões de seguidores no Instagram. Foto: Reprodução