
Barcelona e Real Madrid estavam dispostos a pagar 60 milhões de euros por Neymar, valor inédito no futebol brasileiro. No entanto, Neymar pai, desconfortável com o processo de negociação com o Real Madrid, procurou o Barcelona e propôs um novo arranjo, que foi aceito pelos catalães.
A proposta incluía a permanência de Neymar no Santos até 2014 e a negociação com o clube da Catalunha para a transferência a partir de 2014.
De acordo com o empresário Cury, que intermediava as negociações com o Barcelona, Neymar pai fez uma proposta, sugerindo uma renovação do contrato de Neymar com o Santos e uma cláusula de autorização para negociar com outros clubes após a Copa de 2014.
O Santos aceitou, e Neymar pai assinou um contrato com o Barcelona, recebendo 10 milhões de euros imediatamente e 30 milhões de euros adicionais quando Neymar se transferisse para o clube.
Essa negociação ocorreu, no entanto, antes de Neymar enfrentar o Barcelona no Mundial de Clubes de 2011, no qual o Santos enfrentou o time catalão. Naquele momento, ninguém no Santos sabia que Neymar já estava acertado com o Barcelona.
Em 2013, o Barcelona decidiu antecipar a chegada de Neymar, inicialmente prevista para depois da Copa de 2014. A partir desse ponto, começaram a surgir diferentes versões sobre o processo de venda.
Neymar pai sempre afirmou que a decisão de antecipar a venda partiu do Santos, alegando que o clube se viu pressionado pela torcida e pela situação política a negociar Neymar, a fim de evitar perdê-lo de graça.
Por outro lado, Pedro Conceição, ex-diretor de futebol do Santos, afirmou que o clube foi pressionado pelo grupo de Neymar pai a aceitar a venda. “O estafe do jogador falou para a diretoria do Santos: ‘Ou vocês vendem agora, ou ele fica aqui até assinar um pré-contrato com outro clube'”, relatou Conceição.
“Não é verdade que o Santos quis vender. O estafe dele dizer que foi o Santos que quis vender é compreensível, porque o futebol é sempre um jogo de versões, né? Você tem a versão de um lado, a versão do outro, e você tem a verdade.”
O caso foi documentado em e-mails trocados entre representantes do Barcelona e Neymar pai. Em um desses emails, o diretor de futebol do Barcelona detalha a estratégia para iniciar a negociação com o Santos, enfatizando a importância de contar com o apoio de Neymar pai para convencer os responsáveis pelo clube brasileiro.
O valor final da transação entre o Santos e o Barcelona gerou controvérsias, uma vez que o Santos anunciou a venda de Neymar por 17,1 milhões de euros, enquanto o Barcelona alegou que o valor pago foi de 57,1 milhões de euros.
A diferença entre os valores causou revolta no Santos, e as investigações posteriores revelaram acordos paralelos que envolviam o Barcelona, o Santos e Neymar pai.
Além dos 10 milhões de euros pagos em 2011 e os 30 milhões previstos para o futuro, a transação também envolveu acordos sobre preferências de compra de jovens jogadores e o agendamento de amistosos, o que complicou ainda mais a situação legal do Santos, do Barcelona e de Neymar pai. O caso culminou em uma série de processos judiciais na Espanha, no Brasil e na Fifa.
Em 2022, a justiça espanhola absolveu Neymar e Neymar pai de acusações de corrupção entre particulares. A DIS, fundo de investimento que também foi parte da negociação, recorreu da decisão, e a batalha judicial continua até hoje.
Assim, doze anos depois, a única pendência jurídica ainda em andamento envolve o processo da DIS contra o Santos, o Barcelona e Neymar, com foco nas disputas sobre os termos da transação e os acordos paralelos feitos entre as partes envolvidas.
Neymar Jr. sentado ao lado do pai, Neymar dos Santos, no tribunal de Barcelona. Foto: redes sociais
Incomodado com a forma como o Santos conduzia as negociações com o Real Madrid por Neymar Jr., que se mostravam promissoras, Neymar pai decidiu executar, sem envolver o clube paulista, outra operação para levar o filho ao arquirrival Barcelona.
Os times espanhóis disputavam o craque em 2011, e o plano terminou com Neymar pai recebendo 40 milhões de euros pela transferência, o valor oficial da venda foi de 17,1 milhões de euros.
A jogada do empresário se tornou uma das transações mais polêmicas da história do futebol e gerou longas batalhas judiciais no Brasil e na Espanha
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