
No Brasil, o impacto também é claro:
Mesmo um único dia de calor extremo pode aumentar o risco de complicações graves na gravidez”, disse Kristina Dahl, vice-presidente de Ciência na Climate Central. “A mudança climática está intensificando o calor extremo e dificultando ainda mais a chance de gestações saudáveis em todo o mundo, principalmente onde o acesso ao atendimento já é limitado”, completou.
O estudo mediu os chamados “dias de risco térmico gestacional” — dias em que a temperatura atinge níveis historicamente muito altos (acima de 95% do normal da região). Esses dias estão diretamente ligados ao aumento de problemas como parto prematuro e até natimortos.
O principal culpado? A queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás, que aquece o planeta e intensifica ondas de calor cada vez mais fortes e frequentes.
Segundo os especialistas, reduzir o uso de combustíveis fósseis é uma das medidas mais urgentes para proteger mães e bebês ao redor do mundo. “O calor extremo é hoje uma das ameaças mais urgentes para pessoas grávidas em todo o mundo, colocando mais gestações em situação de alto risco — especialmente em locais que já enfrentam dificuldades no acesso à saúde. Reduzir as emissões de combustíveis fósseis não é apenas benéfico para o planeta — é uma medida crucial para proteger pessoas grávidas e recém-nascidos ao redor do mundo”, disse Bruce Bekkar, médico especializado em saúde da mulher e autoridade sobre os perigos da mudança climática para a saúde humana.
ENTENDA:
O calor extremo, agravado pelas mudanças climáticas, está se tornando uma ameaça crescente à saúde de gestantes em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Uma nova análise internacional mostra que, entre 2020 e 2024, o número de dias perigosamente quentes para a gravidez dobrou em quase 90% dos países, colocando em risco a saúde materna e os desfechos gestacionais.
No Brasil, o impacto tem sido significativo: o país registrou, em média, 27 dias adicionais por ano com risco térmico elevado para gestantes, diretamente associados às mudanças climáticas. A cidade de São Luís, no Maranhão, apresentou o maior número de dias de risco térmico no país, com uma média anual de 49 dias perigosamente quentes para a gestação no período analisado.
O estudo examinou temperaturas diárias em 247 países e territórios, ao longo de cinco anos, para identificar o aumento dos chamados dias de risco térmico gestacional — aqueles em que as temperaturas máximas ultrapassam 95% dos registros históricos locais. Esse tipo de calor extremo está diretamente relacionado ao aumento do risco de partos prematuros e complicações maternas, como hipertensão, diabetes gestacional, internações e morbidades graves.
As regiões mais afetadas incluem áreas com limitado acesso a serviços de saúde, como América do Sul, Caribe, Sudeste Asiático, África Subsaariana e Ilhas do Pacífico — locais que, apesar de contribuírem minimamente para as emissões de gases de efeito estufa, enfrentam os impactos mais severos da crise climática.
O calor extremo é considerado um dos fatores climáticos mais perigosos para a saúde materna e neonatal. A exposição prolongada a temperaturas elevadas durante a gestação está associada ao aumento de partos prematuros, complicações de saúde para as gestantes e riscos duradouros para o desenvolvimento das crianças.
Especialistas em saúde alertam que, sem ações urgentes para frear as emissões de gases de efeito estufa e reduzir a queima de combustíveis fósseis, os impactos sobre gestantes e recém-nascidos tendem a se intensificar, especialmente em regiões vulneráveis e com infraestrutura de saúde precária.
A análise reforça a necessidade de considerar a mudança climática não apenas como um desafio ambiental, mas como uma crise urgente de saúde pública, com implicações diretas sobre a vida de milhões de pessoas — especialmente as mais vulneráveis.
Editado por:José Carlos
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