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DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS SILENCIOSA

DOENÇAS INFLAMATÓRIAS UM MAL SILENCIOSO

15/06/2025 às 14h02
Por: Redação Fonte: Jose Carlos
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DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS SILENCIOSA

Doença inflamatória intestinal: um mal silencioso

Apesar dos sintomas comuns, que todo mundo conhece, sobre problemas intestinais, como diarreia, constipação e afins, existem também muitas doenças intestinais silenciosas. Segundo a biomédica e nutricionista Maria Viana, o paciente às vezes nem percebe que passa por esse tipo de enfermidade. 

ReproduçãoReprodução

“Ele já se acostumou com o funcionamento intestinal dele daquela forma. A má formação desse bolo fecal, a irregularidade. Ele não associa isso. Basicamente, se eu tenho esse grau todo de desorganização do organismo, eu tenho uma alimentação que favorece muito”, pontua. 

“Aí eu bato de novo na tecla dos ultraprocessados, dos açúcares refinados, dos alimentos que são muito modificados pela indústria. A vida moderna muitas das vezes impõe isso na gente, essa praticidade. Não são todos os alimentos com esse intuito que são ruins. Já existem alimentos mais bem estruturados na tecnologia de alimentos, mas a maioria ainda bate em alimentos pobres em nutrição, pobres em componentes que nutrem a nossa microbiota”, constata. “Isso favorece essas doenças inflamatórias não só locais no intestino, mas sistêmicas de maneira geral”.  

RECEITAS PRÁTICAS 

Nesse sentido, variar o cardápio com alimentos saudáveis pode soar repetitivo, mas é uma realidade que se deve botar em prática. “A gente fala muito da aveia para a saúde intestinal. Eu posso usá-la desde formas simples, por cima de uma fruta, por exemplo, num mingau, como muita gente gosta. Mas eu posso fazer um ‘overnight’, que favorece a vida prática no outro dia. Então, pegue uma base de leite ou uma base de iogurte, ou uma base de leite vegano: leite de coco, leite de amêndoas. Coloque a aveia. A melhor aveia é o farelo de aveia, é a forma mais íntegra, mas pode ser aveia em flocos, flocos finos, flocos grossos”, ensina. “Coloco ali uma fruta que eu gosto, maçã, uva. Coloco chia e deixo de noite na geladeira. No outro dia eu só pego esse potinho e já levo na minha bolsa para o trabalho. Já é uma refeição intermediária interessante

 O diagnóstico pode até estar correto, mas saiba que ele se origina em um conjunto de fatores que poderia, com um pouco de esforço e boa vontade, ser eliminado. O diagnóstico pode até estar correto, mas saiba que ele se origina em um conjunto de fatores que poderia, com um pouco de esforço e boa vontade, ser eliminado. 

Outra dica da nutricionista é pegar a aveia e bater com ovos e fazer uma panqueca, tanto numa base salgada, com recheio de frango desfiado, de atum, ou numa base doce, com recheio de geleia de frutas sem açúcar ou banana com canela, por exemplo. “Essas receitinhas são práticas, mas deixam o mesmo alimento ser consumido de formas diferentes de utilizar”.  

LEGUMES 

Outra dica é variar a utilização dos legumes, seja para crianças, seja para aquela pessoa que não gosta muito de salada. “Então, por exemplo, se vou usar abobrinha, cenoura, posso fazer em rodelas, assada de forno, como se fosse uma mini pizza, temperadinha com azeite, orégano, colocar um pouquinho de molho de tomate e parmesão ralado por cima”, detalha. 

“Tanto a abobrinha quanto a berinjela ficam interessantes assim, ou então posso cortar essa abobrinha, a cenoura, na forma de espaguete e utilizar com molho de tomate, parmesão ralado, acompanhado de frango, filé de peixe, carne moída. É uma forma interessante da gente consumir legumes sem ficar muito também com aquela cara já de a mesma salada de sempre”.  

Maria Viana conta que costuma incentivar seus pacientes a saírem da mesmice na hora de se alimentar. “Prove legumes que nunca provou. No supermercado, compre folha que não sabe nem o nome, utilize os nossos produtos regionais com mais frequência, o jambu de uma forma variada. Por que não fazer um omelete com jambu? Por que não colocar o jambu no arroz? Por que não fazer uma salada com jambu? Pode ser o jambu cru, pode ser o jambu cozido. Muita gente não sabe dessa forma de utilizar e é um vegetal riquíssimo”.  

“Costumo enxergar essas doenças inflamatórias intestinais em alguns pontos. O primeiro, a cronicidade de uma alimentação irregular nesse paciente, ingestão irregular de água. Geralmente são pacientes que cursam também com certo grau de sedentarismo e  irregularidade na prática de atividade física”, avalia a nutricionista e biomédica Maria Viana. 

Um paciente que pratica atividade física, ele favorece o peristaltismo, que são os movimentos do intestino, isso também está associado à saúde intestinal”, frisa. Pacientes com doenças inflamatórias intestinais “são os que geralmente não têm uma boa qualidade de sono, então têm um grau de estresse maior, não têm uma regularidade de ciclo circadiano, são mais estressados”, descreve. 

A nutricionista destaca que as citocinas inflamatórias e as oscilações hormonais estão associadas ao fator psicológico. “Isso vai afetar diretamente o funcionamento do intestino. E no final, se tem um intestino, que é um tecido, mais inflamatório. Então, nele todo eu tenho produção crônica de citocinas inflamatórias, que são substâncias que sinalizam o corpo que ali está tendo uma inflamação”.  

CAMPO DE FUTEBOL 

Nesse cenário, a especialista faz uma analogia de um paciente que tem uma alimentação irregular, com microbiota desequilibrada. “Imagina um campo de futebol com um gramado perfeito. Imagina que o nosso cocô é a bola. Então, se o gramado está perfeito, a bola vai correr que é uma beleza. Então, o gramado é a nossa microbiota, são as microvilosidades do nosso intestino e ali a nossa microbiota”, ilustra.  

“Agora imagina, por outro lado, um campo de futebol cheio de buracos na grama. Esses buracos são onde as bactérias não estão. Ali está faltando algumas bactérias. Em outro ponto do campo, a grama está alta, então eu tenho uma desproporção do crescimento da bactéria, tenho muita bactéria ali, pouca bactéria do outro lado. Então, com o campo de futebol irregular, a bola não vai correr perfeitamente. Tem horas que ela vai correr muito rápido, tem horas que ela vai empacar”.  

DISBIOSE 

A esse desequilíbrio da microbiota intestinal se dá o nome de disbiose. “Um paciente com disbiose intestinal, a gente fala muito de SIBO, que é a síndrome do supercrescimento bacteriano. É quando, de repente, eu tenho muito crescimento de uma certa cepa bacteriana. No geral, tenho uma irregularidade do funcionamento, do rolamento dessa bola nesse campo. E eu posso cursar com esses sintomas: estufamento, horas de constipação, horas de diarreia”, relata. “Por isso que tem que pensar muito nesse favorecimento da translocação de parasitas, de vírus, de bactérias que vão ocasionar essa inflamação crônica de baixo grau nesse paciente”.  

E se engana quem pensa que a inflamação se limitará ao intestino. A especialista destaca que o corpo inteiro vai sentir a consequência. “É um paciente que vai viver cansado, vai viver indisposto. Não vai responder bem, por exemplo, à melhora da massa muscular, porque a absorção de nutrientes é ineficaz”, conta. 

Segundo Maria Viana, esse paciente também vai cursar com deficiências nutricionais, às vezes pontuais, às vezes de forma mais frequente. “Vai cursar com mais dores, às vezes inespecíficas, dores musculares, dores articulares, às vezes uma piora de uma outra doença inflamatória, artrite reumatoide, fibromialgia, enxaqueca. Tudo em função dessa inflamação de baixo grau”.  

 

 Editado por: José Carlos

 

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