

A universitária brasileira Caroline Dias Gonçalves, de 19 anos, está presa há mais de 10 dias em um centro de detenção de imigrantes no Colorado, Estados Unidos. Ela foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no dia 5 de junho, após uma abordagem policial por estar supostamente dirigindo muito próxima a um caminhão. Caroline, que vive nos EUA desde os 7 anos e cursa enfermagem na Universidade de Utah com bolsa por mérito, não possui antecedentes criminais.
Segundo a organização TheDream.US, que concedeu a bolsa de estudos à jovem, Caroline foi parada inicialmente por um policial estadual, que a liberou com apenas um aviso. Pouco depois, ela foi abordada novamente por um agente do ICE e levada ao centro de detenção de imigrantes em Aurora, nas proximidades de Denver.
O advogado da estudante, Jonathan M. Hyman, afirma que nenhum mandado de prisão foi emitido, e que o caso levanta suspeitas de colaboração ilegal entre a polícia local e o ICE.
Caroline mora com a família no condado de Utah desde que chegaram aos EUA com visto de turista há 12 anos. Há três anos, entraram com pedido de asilo, ainda em análise. O caso ganhou repercussão após a prisão e gerou medo nos familiares, que agora evitam contato com a imprensa por receio de também serem alvo das autoridades migratórias.
Segundo um parente, a família saiu do Brasil após enfrentar episódios de violência, como assaltos e sequestros.
Amigos e colegas da universidade se mobilizaram para apoiar Caroline. Sua melhor amiga, Megan Clark, iniciou uma vaquinha online para arrecadar fundos que ajudem a pagar os altos custos com advogado e possível fiança, além de lançar um abaixo-assinado pela liberdade da jovem, que já conta com mais de 1,8 mil assinaturas.
Megan, que acompanha o caso desde o início, conta que Caroline está dividindo cela com outras 17 mulheres, a maioria mais velhas e que falam apenas espanhol. A estudante relatou dificuldades com a alimentação e a rotina no local.
A polícia do Colorado afirma que o grupo no Signal era usado para ações antidrogas, sem saber que o ICE monitorava a comunicação. A lei estadual proíbe expressamente o uso de abordagens policiais para investigação do status migratório. O caso gerou forte repercussão e levou à divulgação de imagens da abordagem.
A detenção de Caroline ocorre em um momento de endurecimento da política migratória dos EUA sob o governo de Donald Trump. Estima-se que 51 mil imigrantes estejam detidos atualmente, o maior número desde 2019.
Diante da situação, o gabinete do xerife do Colorado afirmou estar conduzindo uma investigação interna sobre a possível quebra de protocolo ao colaborar com o ICE. Segundo o advogado Hyman, a prisão de Caroline poderá ser invalidada se for comprovada a ilegalidade da abordagem.
Editado por: José Carlos
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