Uma brasileira de 40 anos, identificada como Gisele Oliveira, foi presa em Coimbra, Portugal, após investigações que a apontam como responsável pela morte de cinco de seus filhos em Minas Gerais, entre os anos de 2008 e 2023. Os casos, que inicialmente foram registrados como mortes naturais, voltaram à tona após a mãe de Gisele, avó das crianças apresentar uma denúncia que levou à reabertura dos inquéritos. As autoridades apuraram que as crianças teriam sido envenenadas com doses elevadas de sedativos, sempre durante a noite, em três momentos diferentes: dois casos em 2010, dois em 2019 e um em 2023.

Gisele estava foragida desde o início de 2024 e foi localizada pela Polícia Judiciária portuguesa, após um mandado internacional ser emitido com apoio da Europol e da Interpol. Ela levava uma vida discreta em Coimbra, onde morava com um companheiro brasileiro, trabalhador da construção civil. A prisão ocorreu após trabalho de inteligência da Unidade de Informação Criminal, que conseguiu identificar sua localização mesmo com a tentativa de se manter fora do radar das autoridades.
Ao ser abordada, Gisele tentou resistir à prisão, mas acabou detida e deverá ser levada ao Tribunal da Relação de Coimbra, que decidirá sobre sua permanência em solo português ou sua extradição para o Brasil. Se condenada, ela poderá cumprir uma pena que, somada pelos cinco crimes, pode ultrapassar 150 anos de prisão. O caso tem gerado comoção e perplexidade, tanto pelo tempo em que os crimes passaram despercebidos quanto pela frieza com que foram supostamente cometidos.
Com a investigação em andamento, Gisele teria fugido do Brasil antes de ser detida, entrando em Portugal em abril deste ano acompanhada do companheiro e de um filho menor. Três das cinco crianças mortas seriam fruto do relacionamento com o atual parceiro, segundo informações da Polícia Judiciária.
O filho menor do casal foi encaminhado à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), órgão equivalente ao Conselho Tutelar no Brasil, para acompanhamento. Gisele, que estava em situação irregular no país, foi levada ao Tribunal da Relação de Coimbra, onde teve decretada a prisão preventiva enquanto aguarda o processo de extradição.
Por: José Carlos

