
O levantamento compara a situação de 2024 à de 2019. Cinco anos antes, o país tinha 68% dos lares ligados à rede geral e 32% sem ligação

Dos cerca de 77 milhões de domicílios que o Brasil tinha em 2024, 29,5% não tinham ligação com rede geral de esgoto. Isso representa três em cada dez. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento compara a situação de 2024 à de 2019. Cinco anos antes, o país tinha 68% dos lares ligados à rede geral e 32% sem ligação.
O grupo de 70,4% dos domicílios com acesso à rede geral inclui os endereços com ligação do banheiro a uma rede coletora e ainda as residências com fossa séptica ligada à rede.
A falta de esgoto ligado à rede geral é mais grave nas regiões Norte e Nordeste. No Norte, apenas 31,2% dos domicílios possuem essa conexão. Já no Nordeste, o índice é de 51,1%. No entanto, o Sudeste apresenta os melhores números, com 90,2% das residências conectadas à rede. Essa disparidade regional evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes e investimentos direcionados às áreas mais vulneráveis.
A ausência de esgoto tratado compromete a saúde da população. Doenças como hepatite A, cólera e leptospirose se tornam mais comuns em áreas sem saneamento básico. Além disso, o meio ambiente sofre com o descarte inadequado de resíduos. Segundo o Instituto Trata Brasil, apenas 51,8% do esgoto produzido no país recebe tratamento adequado. Portanto, é urgente ampliar a cobertura da rede e garantir o tratamento dos resíduos.
A desigualdade também se manifesta entre zonas urbanas e rurais. Nas cidades, 78,1% dos domicílios têm esgoto ligado à rede. No campo, esse número despenca para 9,4%. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o acesso ao saneamento básico é um direito universal. No entanto, a realidade mostra que milhões de brasileiros ainda vivem em condições precárias.
Para mudar esse cenário, é necessário investir em infraestrutura, ampliar programas de saneamento e fortalecer parcerias entre governos e sociedade civil. Projetos como o Programa de Saneamento Básico são fundamentais para garantir avanços. Além disso, iniciativas locais, como o projeto “Vai de Graça” no DF, mostram que é possível promover inclusão e acesso a serviços essenciais.
Percentual de domicílios por tipo de esgotamento
Rede geral ou fluvial
63,9%
Fossa séptica ligada à rede
6,5%
Fossa séptica não ligada
15,1%
Outro tipo (inclui casos como fossa rudimentar, vala ou córrego)
14,4%
Os dados do IBGE apontam as características dos esgotamentos, mas não se debruçam sobre o fato de os resíduos terem ou não tratamento.
Um estudo divulgado na última terça-feira (19) pela organização da sociedade civil Instituto Trata Brasil assinala que pouco mais da metade (51,8%) do esgoto produzido no país é tratada.
A Pnad aponta desigualdades regionais em relação ao tipo de esgotamento dos domicílios. A Região Sudeste supera a média nacional. As piores condições são localizadas no Nordeste e no Norte.
Percentual de domicílios com esgoto ligado à rede geral
Sudeste
90,2%
Brasil
70,4%
Sul
70,2%
Centro-Oeste
63,8%
Nordeste
51,1%
Norte
31,2%
No Norte, a classificação outro tipo ─ que inclui casos como fossa rudimentar, vala ou córrego ─ chega a 36,4%, sendo a mais comum na região e mais que o dobro da média nacional (14,4%).
A observação por unidades da federação revela que São Paulo (94,1%), Distrito Federal (91,1%), Rio de Janeiro (89,2%) e Minas Gerais (84,6%) aparecem no topo do ranking da ligação de esgoto à rede geral.
As piores proporções são no Piauí (13,5%), Amapá (17,8%), em Rondônia (18,1%) e no Pará (19,3%).
Ao dividir o Brasil em urbano e rural, o IBGE constata que, nas cidades, 78,1% dos domicílios têm esgoto ligado à rede. No campo, apenas 9,4%.
Segundo a Pnad, 86,3% dos domicílios brasileiros têm a rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água (Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil)
A Pnad analisou também a forma de os lares brasileiros receberem água. No país, 86,3% das residências têm rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento. O Norte e Nordeste carregam os piores índices.
Percentual de domicílios com rede geral de distribuição de água
Sudeste
92,5%
Centro-Oeste
90%
Sul
89%
Brasil
86,3%
Nordeste
80,6%
Norte
61,7%
Rondônia é o único estado do país onde menos da metade (47,4%) dos domicílios tem rede geral como principal forma de abastecimento. São Paulo (96,6%) e Distrito Federal (96,5%) ostentam os maiores percentuais.
Mais do que verificar o percentual de domicílios que têm ligação com a rede geral de água, o IBGE identificou qual parcela tem disponibilidade diária dessa rede, ou seja, consegue receber água todos os dias.
No Brasil, são 88,4% dos lares. Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) têm menos da metade dos domicílios ligados à rede com disponibilidade diária. O topo do ranking fica com o Distrito Federal (98,2%) e Mato Grosso do Sul (98%).
A pesquisa do IBGE mostra que 86,9% dos domicílios brasileiros contam com serviço de coleta de lixo.
Percentual de domicílios por destinação do lixo
Serviço de limpeza
86,9%
Caçambas
6,2%
Queimado na propriedade
6,1%
Outro destino
0,8%
A Pnad observa que, no Norte (14,4%) e no Nordeste (13,1%), a parcela de residências que colocam fogo no lixo é maior que o dobro da média nacional.
O levantamento mostra que o Norte do país diminuiu a distância em relação às outras regiões relacionadas à característica estrutural dos domicílios.
No país, 89,3% das residências têm paredes construídas predominantemente de alvenaria (tijolo e cimento) com revestimento. No Norte, de 2016 para 2024, essa parcela passou de 61,5% para 71,2%.
Em relação ao material predominante no piso, no intervalo de oito anos, os lares nortistas que contam com cerâmica, lajota ou pedra passaram de 58,2% para 69,3% do total da região. No país como um todo, são 82,3%.
Por: José Carlos
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