Os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso humano de bicheira do Novo Mundo, infecção causada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax. O paciente, de identidade não revelada, havia retornado recentemente de uma viagem a El Salvador, segundo informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS).
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos anunciou que um caso raro de miíase foi diagnosticado pela primeira vez no país. O paciente, que retornou de viagem de El Salvador, recebeu o tratamento para a doença em Maryland, no nordeste dos Estados Unidos.
As larvas que causam a doença são transmitidas por moscas e se alimentam da carne de animais vivos, infectando principalmente os animais de “sangue quente” como gados e cavalos.
A espécie parasita é conhecida por atacar animais de sangue quente, penetrando nos tecidos vivos e se alimentando da carne de hospedeiros ainda em vida. Trata-se de um parasita comum em áreas tropicais das Américas, mas até agora não havia registro em humanos dentro do território norte-americano.
De acordo com autoridades sanitárias, o caso foi detectado após exames clínicos e laboratoriais, e está sendo acompanhado por equipes de vigilância epidemiológica. O episódio reforça a necessidade de atenção a doenças tropicais negligenciadas que, com o aumento das viagens internacionais, podem se deslocar para novas regiões.
Parasita carnívoro nos EUA: o que é a larva bicheira-do-novo-mundo?
A larva bicheira-do-novo-mundo é parasita da Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca varejeira. Enquanto outras parasitam animais já mortos, a bicheira-do-novo-mundo se alimenta da carne de seres vivos.
Os animais são infectados por meio de feridas abertas, em que a mosca deposita seus ovos que contém as larvas. Então, elas se alimentam do tecido infectado e o animal pode morrer em até duas semanas e contaminar outros.
Surto da larva bicheira-do-novo-mundo atinge a América Central desde 2024
Países da América Central, como Belize, El Salvador, Honduras e México já registraram casos de miíase. O aumento de casos no sul do México levou os Estados Unidos a suspender as exportações de gado em julho deste ano, de acordo com o portal mexicano El Universal.
Belize voltou a registrar casos da doença em dezembro de 2024, e confirmou a primeira infecção em humanos no último dia 18 de agosto.
Já El Salvador declarou emergência zoossanitária por causa da bicheira-do-novo-mundo em fevereiro de 2025 e enfrenta um aumento de casos.
Em Honduras, a emergência sanitária foi declarada ainda em setembro de 2024. Conforme o portal Hondurenho La Prensa, as autoridades confirmaram que quatro pessoas já morreram em decorrência da miíase.
Parasita carnívoro nos EUA: o que fazer para combater?
Os órgãos de saúde do México divulgaram medidas para combater o avanço dos casos de miíase no país. Dentre as principais estão o tratamento rápido de lesões e feridas nos animais, além de usar produtos larvicidas para prevenir contaminações.
Para auxiliar no processo de transmissão, os Estados Unidos anunciaram que construiriam uma unidade de produção de moscas em Edimburgo, Texas, na Base Aérea de Moore. O objetivo é reproduzir machos esterilizados da espécie e dispersando-os de aviões para acasalar com moscas fêmeas selvagens.
A mesma técnica foi utilizada nas décadas de 1960 e 1970 para erradicar a maioria das populações de bicheira-do-novo mundo.
