Celeste Lucas da Silva, de 101 anos, finalmente conquistou sua aposentadoria após quatro décadas de tentativas. A centenária, que criou 15 filhos trabalhando na roça em Roraima, começou a buscar o benefício em 1985, quando ficou viúva aos 62 anos. Somente em março de 2025 a Justiça reconheceu seu direito.
“Dou graças a Deus [pela aposentadoria]. Estou feliz, recebo minha aposentadoria e a pensão. Eu faço minhas coisas, compro e assim estou vivendo, graças a Deus”, comemorou Celeste ao G1. O processo enfrentou obstáculos burocráticos, incluindo a não aceitação pelo INSS do tempo rural já reconhecido judicialmente.
Celeste tentava se aposentar desde 1985, quando ficou viúva aos 62 anos. Na época, apenas um membro da família rural tinha direito ao benefício, geralmente o homem — no caso dela, o marido Cirino Trajano, já aposentado antes de falecer. Com a morte dele, ela passou a receber apenas uma pensão por viuvez.
Anos depois, uma das filhas de Celeste tentou retomar o processo no INSS, em Bonfim, mas a falta de documentos impediu o andamento. A solicitação foi renovada em dezembro de 2020, quando Celeste tinha 97 anos, e percorreu quase cinco anos de trâmites até ser aprovada.
Nascida em 15 de novembro de 1923, em Bonfim (RR), Celeste cresceu ajudando os pais na lavoura. Viúva e matriarca, continuou cultivando a terra para sustentar a família. Conhecida como “Vó Celeste”, ela agora comemora o alívio financeiro e a justiça tardia.
O advogado Rhichard Magalhães, genro de uma das netas dela, explicou que o caso evidencia como mudanças na legislação e burocracias atrasam benefícios para trabalhadores rurais:
“Ela só buscava um direito garantido, mas enfrentou um sistema que, por muito tempo, excluiu mulheres da aposentadoria rural. Felizmente, a Justiça reconheceu o esforço de uma vida inteira”, disse.
O advogado Rhichard Magalhães, marido de uma das netas, explicou a batalha legal: “Tivemos que ir de novo para o Judiciário em novembro do ano passado e aí, enfim, foi reconhecido agora em 2025 o direito dela”. A aposentadoria por idade rural exige 15 anos de atividade no campo e idade mínima de 55 anos para mulheres.
O benefício ajudará nas despesas com alimentação, consultas médicas e medicamentos da centenária. A conquista representa não apenas segurança financeira, mas o reconhecimento de uma vida de trabalho no campo.
