Quinta, 01 de Outubro de 2026
25°C 39°C
Palmas, TO

BALANÇA COMERCIAL TEM PIOR SUPERAVIT PARA SETEMBRO EM 10 ANOS

BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL TEM MENOR SALDO EM 10 ANOS

06/10/2025 às 22h38
Por: Redação Fonte: economicnewsbrasil.com
Compartilhe:
BALANÇA COMERCIAL TEM PIOR SUPERAVIT PARA SETEMBRO EM 10 ANOS

Balança comercial do Brasil tem menor saldo em 10 anos

Saldo entre exportações e importações foi de US$ 3 bilhões, o menor montante para o mês desde 2015, segundo o Mdic.

Especialistas avaliam o projeto como 'ambicioso e simétrico'.

O saldo da balança comercial brasileira atingiu o pior resultado para o mês de  nos ú, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O superávit, diferença entre exportações e importações, foi de US$ 3 bilhões, representando o menor montante registrado para o mês .

O resultado representa uma  em comparação com setembro de 2024. A redução nas vendas externas foi impactada, em parte, pela aplicação de tarifas do governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) sobre produtos brasileiros, o que resultou em um decréscimo de  nas exportações destinadas aos .

Em setembro, o valor total das exportações foi de US$ 30,5 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 27,6 bilhões. No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 257,8 bilhões e as importações US$ 212,3 bilhões, resultando em um saldo positivo de US$ 45,5 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 470,1 bilhões.

Impacto do Tarifaço

A diminuição das vendas brasileiras aos Estados Unidos contribuiu significativamente para a queda do superávit. Após uma redução de 18,5% em agosto, as exportações para o país norte-americano caíram 20,3% em setembro. Esta retração nas vendas externas coincide com o período de implementação das novas tarifas.

Para tratar do tema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Donald Trump conversaram por telefone nesta segunda-feira (6). O Ministério informou que os dois líderes concordaram em se encontrar “em breve” pessoalmente. A teleconferência teve duração de 30 minutos e foi descrita como “amistosa”.

As tarifas de 50% entraram em vigor em 6 de agosto, mas nem todos os itens estão sujeitos à cobrança integral. Um total de  foi  da tarifa de 50%, o que equivale a  de todos os produtos exportados para os EUA em 2024.

O superávit da balança comercial em setembro, diferença entre o que o Brasil exporta e o que importa, foi o menor em dez anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O saldo ficou em US$ 2,99 bilhões, 41,1% menor que em setembro de 2024 (US$ 5,08 bilhões). A principal razão foi a importação de uma plataforma de petróleo vinda de Singapura, uma operação isolada que elevou as compras externas e reduziu o resultado final do mês.

Mesmo com exportações recordes de US$ 30,53 bilhões, o aumento das importações (US$ 27,54 bilhões) acabou reduzindo o saldo positivo. No acumulado do ano, entre janeiro e setembro, o superávit chegou a US$ 45,47 bilhões, queda de 22,5% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo o Mdic, esse foi o pior resultado para o mês desde 2015, ano marcado por recessão econômica no país.

Exportações crescem, mas balança comercial em setembro recua

A balança comercial em setembro manteve bom desempenho nas exportações, puxadas pelo agronegócio e pela indústria.

Principais destaques:

  • Volume total exportado: +10,2%
  • Agropecuária: +18%
    • Milho: +22,5%
    • Soja: +20,2%
    • Café: +11%
  • Indústria extrativa: +9,2%
    • Petróleo bruto: +16,6%
    • Pedra, areia e cascalho: +50,3%
  • Indústria de transformação: +2,5%
    • Ouro não monetário: +94,4%
    • Veículos de passageiros: +50%

Esses números mostram que o Brasil continua competitivo em commodities e produtos industrializados, mesmo num cenário global instável.

Por outro lado, os preços médios das mercadorias caíram 2,5%, o que reduziu o ganho em dólar das exportações. Segundo técnicos do Mdic, o recuo dos preços internacionais do minério e da soja impediu um resultado mais forte.

Importações disparam e distorcem a balança comercial em setembro

As importações cresceram com força, impulsionadas pela entrada da plataforma de petróleo e pelo maior consumo no mercado interno.

Principais variações nas importações:

  • Crescimento total: +17,7% em relação a setembro de 2024
  • Bens de capital: +73,2% (impacto da plataforma de petróleo de Singapura)
  • Bens de consumo: +20,1%
  • Bens intermediários: +10,5%
  • Combustíveis: –15,2%

O aumento das compras externas mostra aquecimento da economia, com empresas e consumidores comprando mais, mas também pressiona o saldo comercial, já que o país gastou mais com importações industriais e bens duráveis.

Entre os produtos específicos:

  • Soja importada: +564,7%
  • Fertilizantes brutos: +63,5%
  • Motores e máquinas não elétricos: +63,1%

Esses dados refletem a retomada da atividade industrial, mas também indicam maior dependência de insumos importados.

Projeções e expectativas para o fim do ano

O Mdic revisou suas estimativas e agora prevê superávit de US$ 60,9 bilhões em 2025, acima da previsão anterior de US$ 50,4 bilhões. As exportações devem somar US$ 344,9 bilhões, e as importações, US$ 284 bilhões. A revisão já considera os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O governo vê o resultado da balança comercial em setembro com preocupação, por mostrar um ritmo menor de saldo positivo.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central, o mercado financeiro é um pouco mais otimista e projeta superávit de US$ 64,4 bilhões até o fim do ano. Ainda assim, o número fica distante do recorde de US$ 98,9 bilhões alcançado em 2023.

Tendências e riscos para a balança comercial em setembro

O desempenho da balança comercial em setembro revela um cenário misto. De um lado, as exportações continuam firmes; de outro, o avanço das importações indica aquecimento interno, mas também maior vulnerabilidade externa.

Se os preços internacionais de energia e alimentos voltarem a cair, o Brasil pode ter novos meses de superávit menor.

O Mdic aposta na diversificação das exportações e na modernização dos portos para manter o saldo positivo em 2025, em meio à valorização do dólar e às incertezas do comércio global.

 

Por: José Carlos

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários