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CIENTISTA BRASILEIRA CRIA CANETA CAPAZ DE DETECTAR CÂNCER EM 10 SEGUNDOS

PESQUISADORA BRASILEIRA CRIA CANETA QUE DETECTA CANCER EM 10 SEGUNDOS

12/11/2025 às 15h29
Por: Redação Fonte: Portal uai
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CIENTISTA BRASILEIRA CRIA CANETA CAPAZ DE DETECTAR CÂNCER EM 10 SEGUNDOS

 

Cientista brasileira cria caneta capaz de detectar câncer em 10 segundos

Dispositivo desenvolvido por Lívia Eberlin permite identificar tecidos cancerígenos em segundos; Hospital Albert Einstein começou os testes

Ciência

Cientista brasileira cria caneta capaz de detectar câncer em 10 segundos

Dispositivo desenvolvido por Lívia Eberlin permite identificar tecidos cancerígenos em segundos; Hospital Albert Einstein começou os testes

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Médicos utilizam a MasSpec Pen para investigar células tumorais em amostras de tecidos | Divulgação/Hospital Israelita Albert Einstein

 Médicos utilizam a MasSpec Pen para investigar células tumorais em amostras de tecidos | Divulgação/Hospital Israelita Albert Einstein

Uma tecnologia desenvolvida por uma cientista brasileira pode mudar a forma como cirurgias oncológicas são feitas no mundo todo. A química Lívia Schiavinato Eberlin, professora da Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, é a mente por trás da MasSpec Pen — uma caneta capaz de identificar, em apenas 10 segundos, se um tecido é saudável ou cancerígeno, diretamente durante o ato cirúrgico.

O dispositivo, que já vem sendo chamado de “caneta que detecta câncer”, está sendo testado no Brasil pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. É o primeiro estudo clínico fora dos Estados Unidos e conta com o apoio da Thermo Fisher Scientific, empresa responsável pelo espectrômetro de massas usado na leitura molecular das amostras.

Diagnóstico em tempo real dentro da sala de cirurgia

Durante o procedimento, o cirurgião encosta a ponta da caneta no tecido suspeito. O aparelho libera uma gota minúscula de água estéril que entra em contato com a superfície e absorve suas moléculas. Em seguida, essa gota é encaminhada para o espectrômetro, uma máquina capaz de analisar a composição química da amostra. O resultado aparece instantaneamente, mostrando se o tecido é tumoral ou não.

A inovação promete resolver um dos maiores desafios das cirurgias oncológicas: delimitar com precisão os limites do tumor. Hoje, esse processo depende do chamado exame de congelação, que leva de 20 minutos a 1h30 para ficar pronto e exige que o paciente permaneça anestesiado enquanto a equipe aguarda o laudo do patologista.

Com a nova tecnologia, a análise é imediata, evitando a necessidade de múltiplas intervenções e reduzindo os riscos de complicações. No caso de tumores de pulmão, por exemplo, isso pode significar a diferença entre preservar a função respiratória ou precisar retirar mais tecido do que o necessário.

Estudo pioneiro no Brasil

O Einstein iniciou um estudo clínico que acompanhará 60 pacientes com câncer de pulmão e de tireoide ao longo de 24 meses. Esses tipos de tumor foram escolhidos pela facilidade de acesso cirúrgico e pela maturidade dos algoritmos usados na detecção.

A caneta já foi testada em mais de 100 cirurgias nos EUA, com acurácia superior a 92%, segundo pesquisa publicada na “JAMA Surgery” em 2023. O objetivo agora é comparar os resultados com os exames anatomopatológicos para medir sua precisão e sensibilidade.

As próximas fases devem incluir análises em tumores de mama, fígado e ovário, que já demonstraram resultados promissores em testes laboratoriais.

Do diagnóstico à personalização do tratamento

Os pesquisadores brasileiros também querem descobrir se o dispositivo pode ir além da simples detecção do câncer. Há a expectativa de que a MasSpec Pen consiga identificar a “temperatura imunológica” do tumor — ou seja, se ele é um tipo “quente”, com presença de células de defesa, ou “frio”, quando o sistema imune não reconhece a doença.

Essa informação, geralmente obtida apenas dias após a cirurgia, é fundamental para orientar terapias modernas, como a imunoterapia. Se a caneta conseguir realizar essa leitura em tempo real, os médicos poderão planejar o tratamento logo após a operação, acelerando decisões e tornando o processo mais personalizado.

A tecnologia por trás da inovação

O segredo da caneta está na parceria com a Thermo Fisher Scientific, que fornece o espectrômetro de massas Orbitrap 240, um equipamento de alta precisão que interpreta o conteúdo químico das amostras coletadas.

Ao entrar na máquina, as moléculas extraídas são separadas conforme massa e carga elétrica, o que gera uma assinatura molecular. Um software de inteligência artificial então compara esses dados a um banco de padrões de diferentes tipos de tumores, permitindo uma leitura quase imediata.

Ciência brasileira

Nascida em Campinas (SP) e formada em Química pela Unicamp, Lívia Eberlin construiu carreira internacional em instituições como Purdue University e Stanford. Hoje, além de sua atuação acadêmica, ela lidera a MS Pen Technologies, startup responsável pelo desenvolvimento comercial do equipamento.

O próximo passo é a aprovação regulatória pela FDA, nos Estados Unidos, e, posteriormente, pela Anvisa no Brasil. Para Eberlin, o estudo conduzido no Einstein é uma forma de mostrar que a ciência brasileira tem alcance global e pode gerar impacto direto na vida dos pacientes.

 

Por: José Carlos

 

 

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