
Na próxima segunda-feira (23), serão exumados os corpos dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas, que divertiu o país com letras debochadas, como Brasília Amarela e Pelados em Santos.
As famílias dos músicos entraram em acordo para cremar os corpos e transformá-los em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam.

Mamonas Assassinas — Foto: Marco Antônio Teixeira
A iniciativa da criação do jardim integra um conceito que propõe uma nova forma de homenagem póstuma, onde as cerimônias utilizam as cinzas resultantes da cremação juntamente com a semente de espécies nativas. Além de um espaço de memória, silêncio e presença em homenagem a banda, o memorial amplia seu alcance para a comunidade. Os moradores do município poderão utilizar as cinzas de seus entes queridos para plantar árvores no Jardim.
O acidente
Eram 23h15 quando a aeronave se chocou na Serra da Cantareira, ao Norte de São Paulo, numa tentativa de arremetida. Além dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas, o acidente matou o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.
Os Mamonas Assassinas estavam no auge. A irreverência de seu "rock cômico", com letras e visual escrachados, conquistara o Brasil.
O primeiro e único disco, com o nome da banda, havia sido lançado em junho de 1995 e, nos oito meses seguintes, teve 1,8 milhão de cópias vendidas (no total até hoje, foram 3 milhões de cópias, o terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais em todos os tempos). O grupo vinha fazendo shows no Brasil todo e viajaria para se apresentar em Portugal ainda na primeira semana daquele mês.
O show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, seria o último da turnê no Brasil, antes de a banda se concentrar em seu segundo disco. Os Mamonas tocaram para um público de cerca de 4 mil pessoas, na maioria crianças e adolescentes.
Vestindo uma fantasia de coelhinho de pelúcia, Dinho cantava e dançava com a energia de sempre. Ao fim da performance, o cantor desceu ao gramado da arena e agradeceu. Em seguida, foram todos direto para o aeroporto e trocaram de roupa no carro, como fizeram muitas vezes antes.
O Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos, na Grande São Paulo, estava lotado com 30 mil pessoas quando os corpos dos cinco roqueiros e dos dois assistentes chegaram às 0h15 de segunda-feira. Os caixões, cobertos com bandeiras do Brasil, ficaram lado a lado na quadra esportiva, em meio a cerca de 300 familiares e amigos próximos. No caixão de Dinho, foi colocada ainda uma camisa do Corinthians. Ao redor da cena, os fãs cantavam sucessos como "Sabão Crá-Crá" e "Pelados em Santos" a plenos pulmões.
A comoção no ginásio continuou crescendo ao longo da segunda-feira, concentrando um sentimento que se espalhava pelo país. Segundo uma reportagem do GLOBO assinada pelo jornalista Elio Gaspari, "amigos de Guarulhos e desta vida" escreveram mensagens em camisetas de pano estendidas sobre os caixões. "Você é dez", "O céu estava precisando de alegria", "Ainda te vejo". Os recados eram de jovens moradores de "conjuntos habitacionais projetados para viver sem alma", onde também haviam crescido Dinho e seus parceiros.
Ambulantes vendiam tiaras, bandeirinhas brancas com a inscrição "Adeus, Mamonas" e reproduções de fotos da banda, entre outras bugigangas.
Dentro do cemitério, cerca de 500 pessoas, acompanharam o enterro. Os cinco integrantes dos Mamonas foram colocados, junto com Isaac Souto, num mesmo túmulo. A cerimônia teve pouco mais de 40 minutos e incluiu um "Parabéns a você", em homenagem a Dinho, que, naquele dia 4 de março de 1996, completaria 25 anos de idade. Sua namorada, Valeria Zopello, chorava copiosamente e chegou a passar mal algumas vezes. Depois do enterro, ela reuniu forças para deixar uma declaração sobre os músicos.
Por: José Carlos
Fonte:Radio Sampaio
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