
A União Europeia (UE) decidiu retirar o Brasil, a partir de 3 de setembro, da lista de países autorizados a exportar animais destinados ao consumo humano e produtos de origem animal. A medida, anunciada pela Comissão Europeia, decorre do entendimento de que o país não atende às normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Os países do bloco são o segundo maior mercado das exportações de carne do Brasil, atrás apenas da China.
O embargo foi comemorado por representantes do setor agropecuário europeu e pressiona o governo brasileiro a rever procedimentos sanitários adotados na cadeia produtiva.

União Europeia é o segundo maior destino das exportações de carne brasileiras. Foto: Divulgação
Segundo o documento oficial, a decisão afeta a venda de bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, produtos de aquicultura, mel e invólucros utilizados pela indústria alimentícia.
A porta-voz de saúde da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, afirmou que o retorno do Brasil à lista de exportadores autorizados depende da comprovação de conformidade com as regras europeias, que incluem a proibição de antibióticos reservados exclusivamente para tratamentos médicos humanos e a vedação do uso de antimicrobianos para fins de promoção de crescimento animal.
A repercussão mais imediata veio da Irish Farmers’ Association (IFA). A entidade, que representa produtores irlandeses, classificou a decisão como “um primeiro passo importante”.
Seu presidente, Francie Gorman, lembrou que uma investigação conduzida pela associação no Brasil, no final de 2025, apontou que antibióticos eram adquiridos livremente, sem exigência de prescrição ou documentação.
O grupo criticou também o que chamou de demora da Comissão Europeia em agir, insinuando que negociações comerciais entre a UE e o Mercosul teriam influenciado a falta de medidas anteriores.
O embargo ocorre em paralelo à implementação provisória do acordo comercial UE‑Mercosul, vigente desde 1º de maio. Embora o Brasil tenha sido excluído da lista de exportadores autorizados, Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados.
Por: José Carlos
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