A produção de cachaça no Brasil deu um salto expressivo em 2024. De acordo com o Anuário da Cachaça, divulgado na quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o volume declarado da bebida ultrapassou 292,4 milhões de litros, o que representa um crescimento de 29,58% em comparação com o ano anterior.
O levantamento, elaborado em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e outras entidades do setor, também revela um aumento significativo no número de produtos registrados. Em 2024, foram contabilizados 7.223 produtos — 20,4% a mais do que em 2023. O número de novos registros no Mapa também impressiona: 1.225 estabelecimentos ingressaram no sistema oficial de controle da produção da bebida.
A região Sudeste mantém a liderança na produção de cachaça no país, com mais de 172,677 milhões de litros declarados, o que representa 59,04% do total nacional. Já a região Sul registrou o maior crescimento percentual, com alta de 300,57% em relação a 2023, alcançando 58,201 milhões de litros produzidos.
Além do aumento no volume, o Anuário também revela um avanço no número de estabelecimentos produtores e marcas registradas. Segundo o levantamento, há atualmente 1.158 produtores ativos de cachaça e 7.219 marcas registradas no país.
Em comparação com a edição anterior do anuário, publicada em 2023, houve um crescimento de aproximadamente 6,2% no número de produtores (eram 1.091) e de 4,4% nas marcas registradas (eram 6.897).
Ainda segundo o Anuário, a maior parte da produção nacional é classificada como cachaça industrial, representando 99,19% do total, enquanto a cachaça de alambique corresponde a 0,81%, conforme dados dos sistemas oficiais de registro: Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO), Sistema de Cadastro Vinícola (SISDEVIN) e Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Minas Gerais segue como o principal estado produtor, com 501 registros ativos. Em seguida aparecem São Paulo (179), Espírito Santo (81) e Santa Catarina (73). Um dos destaques do levantamento foi o Ceará, que apresentou o maior crescimento proporcional entre os estados: saltou de 34 para 47 estabelecimentos, um aumento de 38,2% em apenas um ano.
A expansão ocorreu de forma generalizada, com todas as regiões do país registrando crescimento no número de produtores regularizados. Para o setor, os números refletem tanto o fortalecimento da cadeia produtiva quanto o aumento da valorização da cachaça como símbolo cultural e produto de exportação.
Considerada a bebida alcoólica mais tradicional do Brasil, a cachaça tem ganhado cada vez mais espaço no mercado interno e externo, com produtores investindo em qualidade, certificações e inovação. O crescimento registrado em 2024 confirma a tendência de profissionalização e expansão do setor.
A produção de cachaça na região Nordeste atingiu 60.873.629,44 litros em 2024, segundo o Anuário da Cachaça 2025, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O volume representa 20,82% do total nacional e um aumento de 23,27% em relação ao ano anterior. Com média de 322.082,70 litros por estabelecimento, o Nordeste passou a liderar a produtividade nacional na produção da bebida. O índice é 54,4% superior ao registrado no Sudeste, cuja média foi de 208.548,30 litros por unidade.
A região contabiliza 189 cachaçarias registradas, equivalentes a 14,9% do total nacional. Em número de novas unidades, o Nordeste foi destaque: 20 cachaçarias entraram para a formalidade em 2024, crescimento de 11,8% sobre o ano anterior. O maior avanço ocorreu no Ceará, que passou de 34 para 47 estabelecimentos, alta de 38,2%.
Viçosa do Ceará ultrapassa Salinas (MG) em número de cachaçarias
O município de Viçosa do Ceará (CE) superou Salinas (MG) e assumiu a liderança nacional em número de cachaçarias, com 25 unidades ativas, o que representa 53,2% das registradas no estado. O dado reforça o papel crescente do Nordeste na estrutura produtiva do setor, agora com maior dispersão e presença territorial.
A Paraíba permanece como principal polo nordestino, com 67 estabelecimentos elaboradores. Em seguida vêm Ceará (47), Bahia (38), Pernambuco (27) e Rio Grande do Norte (15). O Brasil soma 1.266 cachaçarias registradas, com crescimento nacional de 4% em 2024.
Região avança em diversidade de marcas e presença municipal
O Nordeste conta com 709 produtos de cachaça registrados, cerca de 9,8% do total nacional, que é de 7.223 produtos. A Paraíba lidera entre os estados da região com 156 cachaças formalizadas, seguida por Ceará (132), Bahia (128) e Pernambuco (124).
Sergipe, embora tenha apenas um estabelecimento, concentra 17 marcas, o que representa a maior média do país: 32 produtos por unidade.
No aspecto territorial, a produção está presente em 181 municípios nordestinos. A Paraíba, com 53 cidades produtoras, lidera em cobertura estadual (23,8%). Pernambuco (46 municípios) e Bahia (39) também têm destaque em abrangência.
Empregos crescem no setor e Nordeste lidera fora do Sudeste
A fabricação de aguardente de cana-de-açúcar gerou 2.543 empregos formais no Nordeste em 2024, segundo o Novo Caged/MTE. A região representa o segundo maior estoque de empregos no país, atrás apenas do Sudeste (2.954). O Nordeste foi também o que mais criou vagas, com 99 novos postos, crescimento de 4,05% em relação ao ano anterior.
Embora concentre menos estabelecimentos que o Sudeste, o Nordeste se destaca por seu dinamismo produtivo e capacidade de absorção de mão de obra formal no setor.
Processos de produção e uso da matéria-prima
Entre os 292,4 milhões de litros de cachaça produzidos no país, 74,56% foram elaborados com cana crua, prática associada à produção de maior escala e padrão técnico. Já a cana queimada respondeu por 25,38% do total, com crescimento de 1.071,2% em relação a 2023. O avanço indica uma maior formalização de pequenos produtores, especialmente em regiões onde práticas tradicionais ainda predominam.
Outro dado destacado no anuário aponta que 35,9% da cachaça brasileira é consumida em mercados de até 100 km do local de origem, reforçando o caráter regional e descentralizado da cadeia produtiva.
Setor defende formalização, tributação equilibrada e igualdade publicitária
Durante o lançamento do anuário, o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), Mário Borba, afirmou: “Essa cadeia produtiva passou por uma evolução muito grande nos últimos anos. Além disso, é preciso trazer cada vez mais os produtores para dentro da formalidade. A CNA continua fazendo o seu papel no que diz respeito ao incentivo do setor e defesa dos produtores de cachaça em diversos âmbitos, a exemplo do executivo e legislativo”.
O presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima, também defendeu mudanças regulatórias: “É um setor que gera hoje mais de 600 mil empregos, diretos e indiretos. São produtores de áreas rurais com uma matéria-prima que é 100% nacional, que é a cana-de-açúcar”. Ele criticou a alta carga tributária e a diferença de tratamento na publicidade de bebidas alcoólicas, pedindo isonomia para os destilados frente a produtos como a cerveja.
Política pública e identidade nacional
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, afirmou que o crescimento dos registros é reflexo do esforço conjunto entre produtores e Estado: “O crescimento no número de cachaças registradas mostra como o setor está cada vez mais forte e presente em todo o Brasil. É um reflexo do talento dos nossos produtores e do trabalho do Ministério para apoiar quem faz da cachaça um verdadeiro símbolo nacional. Vamos continuar valorizando essa bebida que é parte da nossa identidade”, declarou.
Metodologia
O Anuário da Cachaça 2025 foi elaborado com base nos dados do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), Comex Stat, Portal Único gov.br, Novo Caged/MTE e nas Declarações Anuais de Produção e Estoques dos produtores cadastrados no Mapa.
Com a matéria:Canaoline
