

Agência Nacional de Mineração Pedra avaliada em R$ 16 milhões, segundo a Prefeitura de Coromandel, foi extraída das margens do Rio Douradinho em maio e tem coloração marrom. / Foto: Reprodução/Redes Sociais
A pedra, de coloração marrom, foi extraída por garimpeiros em uma área com Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) ativa, autorizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Segundo a Prefeitura de Coromandel, município de quase 29 mil habitantes, o diamante só perde em tamanho para o " Getúlio Vargas ", de 727 quilates, também descoberto na cidade em 1938, considerado o maior do país.
A ANM confirmou a autenticidade da descoberta, reforçando que a extração ocorreu em zona fiscalizada regularmente, seguindo o Art. 17 da Resolução ANM Nº 106/2022.
Com a descoberta, Coromandel passa a ser a cidade onde foram encontrados os dois maiores diamantes já descobertos no país:
1° - Diamante 'Getúlio Vargas' de 727 quilates foi descoberto em 1938;
2° - Diamante de 646,78 quilates descoberto em 2025.
Como 1 quilate equivale a 0,2 gramas, o diamante recém descoberto tem peso estimado de 129,36 gramas.
A pedra foi encontrada no mês de maio em uma área com Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), com título em vigor, ou seja, o local tem permissão ativa da ANM para extração mineral em pequena escala
Segundo maior diamante do Brasil foi achado em margem de rio
De acordo com a Prefeitura de Coromandel, cidade de quase 29 mil habitantes, a pedra foi extraída das margens do Rio Douradinho, tem coloração marrom e alto valor comercial.
Segundo o prefeito de Coromandel, Fernando Breno, conforme a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), a alíquota gerada pelo diamante encontrado é de 2% sobre a receita bruta da venda, deduzidos os tributos já pagos sobre a comercialização. Logo, o valor gerado que deverá ser pago ao Governo Federal e repassado de maneira integral para o Município está em torno de R$ 320 mil.
Após o achado, o dono da área onde o diamante foi encontrado, que não teve a identidade revelada, declarou a descoberta oficialmente no Relatório de Transações Comerciais (RTC) junto ao Cadastro Nacional de Comércio de Diamantes (CNCD) no dia 29 de maio, atendendo aos trâmites legais e, assim, podendo comercializar a pedra no Brasil ou exterior
Como é calculado o valor de um diamante?
O geólogo Daniel Fernandes, formado pela Universidade Federal do Mato Grosso, e que repercutiu o achado nas redes sociais, explica que o primeiro fator considerado é peso em quilates. Depois, a transparência e a pureza também são fatores importantes, porque resultam em uma gema lapidada de alto valor. A cor também interfere diretamente, já que os diamantes existem em praticamente todas as cores do arco-íris, e algumas são mais valiosas que outras.
“No Brasil, não existe uma tabela oficial que defina seu valor, mas não há dúvidas de que se trata de uma gema extremamente rara. Quando essa pedra foi descoberta, eu não duvidei em nenhum momento. Fiquei muito feliz em ver o Brasil novamente em destaque. Isso cria esperança para todo garimpeiro que sonha encontrar uma pedra como essa”, ressaltou Daniel.
A origem e o uso do quilate para pesar pedras preciosas
O quilate, medida utilizada para pesar pedras preciosas, tem uma origem curiosa e natural: ele surgiu a partir das sementes da alfarroba, árvore típica do Mediterrâneo.
Daniel explica que na Antiguidade comerciantes perceberam que as sementes da carobeira (Ceratonia siliqua) tinham peso muito uniforme, sendo ideais para servirem como padrão em balanças de precisão no comércio de gemas e metais preciosos. Uma única semente pesava, em média, cerca de 0,2 gramas, valor que acabou dando origem à unidade.
Uma engenheira de mineração foi a responsável por analisar e confirmar que a pedra se tratava, de fato, de um diamante. O nome da especialista não foi divulgado. "Em Coromandel, temos empresas de mineração, e a profissional de uma delas, com base em seu conhecimento técnico, realizou a análise geológica e atestou a autenticidade da pedra", explicou.
A informação que circula na cidade é de que o diamante já foi vendido. "O valor exato não sabemos, mas comenta-se que foi negociado por R$ 16 milhões. Se fosse um diamante branco ou rosa, com certeza o preço seria ainda mais alto", afirmou a fonte.
O chefe do Executivo da cidade do Alto Paranaíba lembra que a história de Coromandel tem relação direta com as pedras preciosas. "Nós temos os maiores diamantes que foram extraídos no Brasil: o primeiro, o segundo e o terceiro. O primeiro é o Getúlio Vargas, que inspirou o monumento do centenário, comemorando os 100 anos da cidade. É uma réplica do garimpeiro e da pedra maior, com 728 quilates. Agora, temos o segundo maior, de 647 quilates, encontrado no rio Douradinho. O primeiro foi extraído no rio Santo Antônio, em 1938, e esse agora é o segundo maior que se tem conhecimento no Brasil. O terceiro também veio da região de Coromandel", detalha.

Divulgação / Prefeitura de Coromandel
Os achados do município foram até eternizados em música, conforme lembra Breno. "Há uma música do Goiá, o nosso maior compositor, que fala dos garimpeiros, fazendeiros e doutores, e diz: 'Nós seremos defensores dessa terra tão gentil. Coromandel, o fragmento mais radioso, o diamante mais formoso dos garimpos do Brasil", complementa.
O geólogo e gemólogo Daniel Fernandes, de 35 anos, viralizou nas redes sociais após postar um vídeo sobre o diamante descoberto em Coromandel. Segundo Fernandes, a cor da pedra ainda é uma incógnita. “A gema pode ser mais esbranquiçada. Ela pode estar alaranjada por causa da sujeira, já que a foto foi feita logo após a extração”, explicou.
Sobre o valor da pedra, o especialista, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), não sabe precisar se os R$ 16 milhões foram um bom negócio para quem a encontrou. “Se houverem 20 avaliações diferentes, todas terão um valor distinto. Para se ter ideia, uma dívida no banco poderia ser paga com essa pedra. Uma pedra dessas deve ser realmente valorizada. É um presente de Deus para a nossa natureza”, ressaltou o geólogo.
Editado por: José carlos
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